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    A Ruptura Impossível: Refutando a Heresia da "Ausência Absoluta" na Trindade
    Rodrigo Silva

    A Ruptura Impossível: Refutando a Heresia da "Ausência Absoluta" na Trindade

    Refute a heresia da ausência absoluta de Deus na Trindade com base bíblica. Entenda os riscos dessa ideia e aprofunde seu conhecimento teológico agora

    28 de dezembro de 20254 min min de leituraPor Rodrigo Custódio

    Rodrigo Silva afirma que Jesus Cristo enfrentou a "ausência absoluta de Deus" na cruz e que o Diabo ainda não experimentou tal estado. Esta declaração, embora visando dramatizar o sofrimento da Paixão, resvala em graves erros cristológicos e teológicos. Ela sugere uma ruptura ontológica na Trindade (Triteteísmo funcional ou Arianismo implícito) e ignora a Onipresença divina como atributo incomunicável e inalienável. Este artigo demonstrará, via Sola Scriptura e ortodoxia histórica, que o Pai nunca esteve "ausente" do Filho ontologicamente, e que a separação foi judicial/relacional, não metafísica.


    1. A Impossibilidade Ontológica: Deus não pode se ausentar de Deus

    A Heresia:
    "O único que enfrentou a ausência absoluta de Deus... foi o Cordeiro."

    Refutação Teológica:
    Esta afirmação ataca a unidade essencial da Trindade (Perichoresis). Se o Filho é Deus (João 1:1) e o Pai é Deus, e ambos compartilham a mesma essência divina indivisível (Deuteronômio 6:4), como pode haver "ausência absoluta"?

    1. Onipresença Divina: Se Deus é onipresente (Salmo 139), Ele preenche todo o espaço, inclusive o inferno ("se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás" - Sl 139:8) e o Calvário. Deus não pode se "retirar" de um lugar absolutamente, pois deixaria de ser Deus (infinito).

    2. União Hipostática: A natureza divina de Cristo nunca se separou da natureza humana, nem do Pai. Jesus disse em João 16:32: "Eis que vem a hora... em que me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo." Jesus afirmou explicitamente que, mesmo na hora da dispersão (Paixão), o Pai estaria com Ele.

    3. Ruptura da Trindade: Sugerir uma separação absoluta implica que, por um momento, a Trindade se desfez. O Pai existiu sem o Filho, e o Filho existiu sem o Pai. Isso destrói a eternidade das relações trinitárias e cai no erro de Moltmann (o "Deus Crucificado" em sentido herético), sugerindo a morte de Deus.

    O abandono na cruz ("Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?") foi judicial. O Pai retirou o favor, a comunhão e a proteção, derramando a ira sobre o Substituto, mas não retirou a presença ontológica. O Filho continuou sendo o Filho Amado, sustentado pelo Espírito (Hebreus 9:14), mesmo sob a ira penal.

    2. A Natureza do Inferno: Presença de Ira, não Ausência de Ser

    A Heresia:
    "O diabo vai enfrentar [a ausência] quando ele for lançado no lago de fogo... Nem o diabo ainda sabe."

    Refutação Teológica:
    Rodrigo Silva define o inferno (Lago de Fogo) como "ausência absoluta de Deus". Esta é uma definição popular, mas teologicamente imprecisa.

    1. A Ira é Presença: O inferno é o local da manifestação da Justiça Ativa e da Ira de Deus. Apocalipse 14:10 diz que os ímpios serão atormentados "diante dos santos anjos e diante do Cordeiro".

    2. Sustentação da Existência: Para que o Diabo e os ímpios existam eternamente no lago de fogo, eles precisam ser sustentados pelo poder de Deus ("Nele vivemos, e nos movemos, e existimos" - Atos 17:28). Se Deus retirasse Sua presença absoluta (poder sustentador), o Diabo deixaria de existir (aniquilacionismo).
      O orador, sendo adventista, provavelmente crê no aniquilacionismo (que o diabo deixará de existir), e usa "ausência absoluta" como sinônimo de aniquilação. Porém, a Bíblia fala de "tormento eterno" (Mateus 25:46, Apocalipse 20:10), o que exige a presença sustentadora de Deus para manter o ser em existência sob punição.

    3. A Singularidade do Sofrimento de Cristo

    O Erro de Categoria:
    Ao tentar elevar o sofrimento de Cristo, Rodrigo rebaixa a Sua divindade. Cristo sofreu o que nenhuma criatura poderia sofrer: a Ira Infinita de Deus contra o pecado de todos os eleitos, concentrada em um ponto do tempo.
    Mas chamar isso de "ausência absoluta" é um erro terminológico que leva a erros doutrinários. Cristo sofreu a Presença Terrível de Deus como Juiz, não o vácuo de Deus. Ele bebeu o cálice da ira da mão do Pai, não o cálice do nada.

    Conclusão

    A declaração de Rodrigo Silva é um exemplo de retórica emocional que sacrifica a precisão teológica.

    1. Deus nunca se ausenta absolutamente de lugar algum (Onipresença).

    2. A Trindade nunca se rompeu (Imutabilidade).

    3. O Inferno é a presença da Ira, não a ausência do Ser.

    4. O sofrimento de Cristo foi o derramamento da justiça divina, não o abandono metafísico.

    Afirmar o contrário é flertar com uma visão de Deus fragmentada e finita, indigna da majestade revelada nas Escrituras.

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    Referências Bibliográficas

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    João 1:1. Bíblia.

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    Deuteronômio 6:4. Bíblia.

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    Salmo 139. Bíblia.

    [4]

    Sl 139:8. Bíblia.

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    João 16:32. Bíblia.

    [6]

    Hebreus 9:14. Bíblia.

    [7]

    Apocalipse 14:10. Bíblia.

    [8]

    Atos 17:28. Bíblia.

    [9]

    Mateus 25:46. Bíblia.

    [10]

    Apocalipse 20:10. Bíblia.

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    BAVINCK, H. Dogmática Reformada. Cultura Cristã.

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    CHARNOCK, S. A Existência e os Atributos de Deus.

    [13]

    SPROUL, R. C. A Glória de Cristo.

    [14]

    TURRETIN, F. Compêndio de Teologia Apologética.

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