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    Racismo: Uma Refutação Acadêmica às Defesas de Leandro Quadros e Eleazar Domini
    Eleazar Domini

    Racismo: Uma Refutação Acadêmica às Defesas de Leandro Quadros e Eleazar Domini

    Este artigo examina as declarações racialmente problemáticas de Ellen G. White (1827-1915), cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, refutando as tentativas apologéticas contemporâneas de pastores adventistas como Leandro Quadros e Eleazar Domini. Através de análise textual rigorosa, contextualização histórica e confronto com fontes primárias verificáveis

    24 de janeiro de 202636 min min de leituraPor Rodrigo Custódio

    Este artigo examina as declarações racialmente problemáticas de Ellen G. White (1827-1915), cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, refutando as tentativas apologéticas contemporâneas de pastores adventistas como Leandro Quadros e Eleazar Domini. Através de análise textual rigorosa, contextualização histórica e confronto com fontes primárias verificáveis, demonstra-se que:

    • (1) a declaração "todos serão brancos como Cristo" não pode ser adequadamente explicada apenas como referência à glória celestial;

    • (2) as afirmações sobre amalgamação revelam assimilação de pseudociência racial do século XIX;

    • (3) a doutrina de que certos escravos "serão como se nunca tivessem existido" contradiz princípios bíblicos fundamentais (Romanos 14:12; 2 Coríntios 5:10);

    • (4) o aconselhamento contra casamentos inter-raciais perpetuou segregação;

    • (5) o caso Lucy Byard (1943) expôs o racismo institucional adventista.

    Ellen White escreveu declarações que contêm elementos inegavelmente racistas que não podem ser adequadamente contextualizados ou explicados pelas defesas apologéticas contemporâneas.

    Introdução

    A questão do racismo nos escritos de Ellen Gould White permanece uma das controvérsias mais persistentes e perturbadoras no estudo do adventismo do sétimo dia. Como cofundadora e "mensageira" profética de uma denominação que hoje conta com mais de 21 milhões de membros globalmente, sendo significativa parcela composta por africanos e afrodescendentes, as implicações teológicas e éticas de suas declarações sobre raça exigem escrutínio rigoroso.

    Recentemente, apologistas adventistas como o professor Leandro Quadros e o pastor Eleazar Domini têm produzido conteúdo em português destinado a defender Ellen White contra acusações de racismo. Seus argumentos seguem padrões estabelecidos pela White Estate e seguem estratégias hermenêuticas que enfatizam contextualização histórica, reinterpretação de linguagem problemática, e destaque seletivo de declarações anti-escravagistas.

    Este artigo submete essas defesas a análise crítica, demonstrando que, embora Ellen White tenha feito contribuições ao movimento abolicionista e inspirado trabalho missionário entre africanos-americanos, seus escritos contêm declarações que, mesmo quando contextualizadas, revelam assimilação de ideologias raciais científicas e religiosas do século XIX incompatíveis tanto com princípios bíblicos quanto com padrões éticos contemporâneos.

    Metodologia

    Esta pesquisa utiliza análise textual de fontes primárias em inglês e português, exame de contexto histórico do século XIX americano, e confronto sistemático entre declarações de Ellen White e defesas apologéticas contemporâneas. Fontes consultadas incluem:

    1. Textos originais de Ellen White (Spiritual Gifts vol. 3, 1864; Primeiros Escritos, 1858; Selected Messages Book 2; The Gospel Herald, 1901)

    2. Documentação histórica da segregação adventista (arquivo Lucy Byard, Regional Conferences)

    3. Literatura científica e religiosa do século XIX sobre amalgamação

    4. Transcrições de vídeos apologéticos de Leandro Quadros e Eleazar Domini


    I. "Todos Serão Brancos Como Cristo": Análise da Declaração Mais Controversa

    A. O Texto e Seu Contexto Imediato

    A declaração mais amplamente citada como evidência de racismo nos escritos de Ellen White aparece em sermão publicado em The Gospel Herald, 1º de março de 1901:

    "Vocês são filhos de Deus. Ele adotou vocês e deseja que desenvolvam aqui um caráter que lhes garantirá entrada na família celestial. Ao se lembrarem disso, vocês deverão suportar as provações que encontrarem aqui. No céu não haverá linhas de cor, pois todos serão brancos como o próprio Cristo. Agradecemos a Deus por podermos ser membros da família real."​

    Leandro Quadros e outros apologistas argumentam que: (1) o sermão foi pregado para audiência negra em Vicksburg, Mississippi; (2) o contexto é abolição da segregação celestial; (3) "brancos" refere-se à glória descrita em Apocalipse 1:14.​

    B. Problemas com a Interpretação Apologética

    Três objeções fundamentais refutam esta defesa:

    Primeiro, a justaposição sintática é reveladora. Ellen White diz explicitamente: "não haverá linhas de cor, pois todos serão brancos". A conjunção causal "pois" (for) estabelece relação lógica: a ausência de linhas de cor resulta de todos serem brancos. Se Ellen White pretendesse comunicar apenas glória radiante, a construção lógica seria: "não haverá linhas de cor, pois todos serão gloriosos como Cristo" ou "todos brilharão como Cristo". A escolha específica do termo racial "brancos" (white) em contexto discutindo "linhas de cor" (color line) não pode ser acidental ou meramente simbólica.

    Segundo, Ellen White demonstra em outro texto que estabelece equação entre preparação para o céu e tratamento de "irmãos de cor":

    "Temos sido muito negligentes com nossos irmãos de cor e ainda não estamos preparados para a vinda de nosso Senhor."​

    Como corretamente observa o interlocutor crítico no vídeo analisado, se negligenciar pessoas de cor torna alguém despreparado para o céu, então afirmar que "todos serão brancos" no céu constitui contradição lógica insustentável. A preparação para o céu exige aceitação de pessoas de cor na Terra, mas o estado celestial final seria homogeneização racial para brancura?​

    Terceiro, o argumento de que Apocalipse 1:14 ("cabelos brancos como lã, brancos como neve") justifica a linguagem ignora que: (a) o texto apocalíptico descreve o Cristo glorificado com múltiplos elementos simbólicos (olhos como chama de fogo, pés como bronze polido, voz como águas), nenhum dos quais deve ser tomado literalmente; (b) Ellen White não usa "radiantes" ou "gloriosos" mas especificamente "brancos" (white) em contexto racial explícito.

    C. A Audiência Negra Não Absolve o Conteúdo

    Quadros e Domini enfatizam repetidamente que Ellen White pregou este sermão para congregação negra. Este argumento é falacioso por três razões:​

    1. Precedente histórico: senhores de escravos frequentemente pregavam para escravos conteúdo que reforçava subordinação (Efésios 6:5; Colossenses 3:22). Pregar para audiência oprimida não garante ausência de conteúdo opressivo.

    1. Resposta da audiência não documentada: não possuímos registro de como a congregação negra interpretou estas palavras. O silêncio não é assentimento.

    1. Publicação posterior: o sermão foi publicado e circulado amplamente, tornando-se texto normativo independente de seu contexto de entrega original.


    II. Amalgamação: Pseudociência Racial nos Escritos Inspirados

    A. Os Textos Problemáticos

    Em Spiritual Gifts, volume 3 (1864), Ellen White fez duas declarações que causaram escândalo imediato:

    "Mas se houve um pecado acima de outro que chamou pela destruição da raça pelo dilúvio, foi o crime base de amalgamação de homem e besta que desfigurou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte."​

    "Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criou, que eram resultado de amalgamação, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio tem havido amalgamação de homem e besta, como pode ser visto nas quase infinitas variedades de espécies de animais e em certas raças de homens."​

    B. Contexto Histórico: Amalgamação como Terminologia Racial

    Contrariamente às reinterpretações modernas da White Estate (que desde 1947 tenta argumentar que "amalgamação" refere-se a cruzamento entre espécies animais), o termo "amalgamation" no contexto americano da década de 1860 possuía significado racial específico e inconfundível.​

    Evidência lexical contemporânea:

    1. Josiah Nott e George Gliddon, Types of Mankind (1854): "Nenhuma causa física exceto amalgamação jamais transformou uma raça em outra", usando o termo exclusivamente para mistura racial humana.​

    2. Buckner H. Payne ("Ariel"), The Negro: What is His Ethnological Status? (1867): "O crime de amalgamação trouxe o dilúvio sobre a terra", equiparando amalgamação a casamento inter-racial.​

    3. Jornais americanos da década de 1860 usavam "amalgamation" e "miscegenation" sinonimamente para casamento inter-racial.​

    C. A Biblioteca Pessoal de Ellen White

    Evidência material conclusiva: Ellen White possuía em sua biblioteca pessoal:

    1. John Campbell, Negro-Mania (1851): afirma que negros não foram criados por Deus, mas amaldiçoados em existência; usa "amalgamation" para casamento inter-racial; declara: "A natureza inteira proíbe amalgamação entre eles [negros] e caucasianos".​

    2. O.S. Fowler, Sexual Science (1870): adverte que "amalgamação universal arruinaria tudo", pois priva mulatos de "resistência Negra" e "inteligência Caucasiana".​

    A presença destes livros racistas na biblioteca pessoal de Ellen White não é acidental. Como historiador Ronald Numbers documenta, Ellen White e seus assistentes regularmente copiavam material de obras em sua biblioteca.​

    D. A Defesa Oficial de Uriah Smith (1866)

    Quando as declarações de amalgamação causaram escândalo, a Igreja Adventista respondeu oficialmente através de Uriah Smith, editor da Review and Herald. Em artigo revisado e aprovado pela Conferência Geral e por James e Ellen White, Smith identificou as "raças de homens" resultantes de amalgamação:

    "Evidência [de amalgamação] poderia facilmente ser fornecida por referência a casos como os Bushmen selvagens da África, algumas tribos dos Hotentotes, e talvez os índios Digger de nosso próprio país".​

    James e Ellen White não apenas aprovaram esta explicação - venderam 2.000 cópias do livro de Smith em reuniões campais. Este endosso material é incontornável: Ellen White permitiu que a interpretação oficial de suas palavras identificasse africanos como parcialmente animais.​

    Ironia histórica devastadora: pesquisa genética moderna demonstra que os Bushmen (San) da África são ancestrais de toda humanidade, portadores dos marcadores genéticos mais antigos (Homo sapiens). A raça que adventistas do século XIX identificaram como "amalgamação de homem e besta" são, geneticamente, os humanos mais puros do planeta.​

    E. Por Que Ellen White Removeu as Declarações?

    As declarações de amalgamação apareceram em Spiritual Gifts vol. 3 (1864) mas foram silenciosamente removidas quando o material foi republicado em Patriarchs and Prophets (1890). W.C. White, filho de Ellen, ofereceu esta explicação:

    "Elas foram deixadas de fora por Ellen G. White. Ninguém conectado com seu trabalho tinha autoridade sobre tal questão... Sister White não apenas tinha bom julgamento baseado em compreensão clara e abrangente de condições... mas teve muitas vezes instrução direta do anjo do Senhor quanto ao que deveria ser omitido e o que deveria ser adicionado em novas edições."​

    Esta explicação levanta questão teológica devastadora: Por que o "anjo do Senhor" não instruiu Ellen White a omitir as declarações racistas ANTES da publicação original? Por que permitir que declarações identificando africanos como subumanos fossem publicadas, endossadas oficialmente, amplamente distribuídas por 26 anos, e apenas então removidas?

    A resposta mais parcimoniosa: as declarações foram removidas não por revelação divina, mas por constrangimento institucional crescente à medida que a Igreja expandia para África.


    III. A Soteriologia dos Escravos: "Como Se Nunca Tivessem Existido"

    A. O Texto Completo e Sua Contradição Bíblica

    Em Primeiros Escritos, página 276, Ellen White apresenta doutrina soteriológica sem precedente bíblico:

    "Vi que o senhor de escravos terá de responder pela salvação de seus escravos a quem ele tem conservado em ignorância; e os pecados dos escravos serão visitados sobre o senhor. Deus não pode levar para o Céu o escravo que tem sido conservado em ignorância e degradação, nada sabendo de Deus ou da Bíblia, nada temendo senão o açoite do seu senhor, e conservando-se em posição mais baixa que a dos animais. Mas Deus faz por ele o melhor que um Deus compassivo pode fazer. Permite-lhe ser como se nunca tivesse existido, ao passo que o senhor tem de enfrentar as sete últimas pragas e então passar pela segunda ressurreição e sofrer a segunda e mais terrível morte."​

    B. Contradição Bíblica Direta

    Esta doutrina contradiz frontalmente dois textos paulinos fundamentais citados pelo crítico no vídeo transcrito:

    1. Romanos 14:12: "De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (ênfase adicionada).

    2. 2 Coríntios 5:10: "Porque todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal" (ênfase adicionada).

    O termo "todos" (pantes) em 2 Coríntios 5:10 é inclusivo sem qualificação. Paulo não escreve: "todos exceto aqueles mantidos em ignorância invencível". A doutrina de Ellen White cria categoria soteriológica extrabiblica: seres humanos que existiram mas não comparecerão perante o tribunal de Cristo.

    C. A Defesa de Quadros e Domini: Misericórdia ou Injustiça?

    No vídeo analisado, Eleazar Domini argumenta que a doutrina representa "misericórdia" divina, pois estes escravos não serão ressuscitados "nem para se perder e nem para ir para o céu". Leandro Quadros concorda, caracterizando a não-existência como melhor destino do que julgamento.​

    Esta defesa é teologicamente insustentável por três razões:

    Primeiro, aniquilação não é misericórdia mas negação de agência. Um escravo que sofreu vida inteira sem oportunidade de escolher Deus é então negado até mesmo a ressurreição para ver seus opressores julgados? Como observa Jürgen Moltmann, soteriologia autêntica exige "justiça para as vítimas, não sua obliteração".​

    Segundo, Ellen White explicitamente contrasta estes escravos com "escravos piedosos" que serão salvos:

    "Vi o escravo piedoso levantar-se com vitória e triunfo, e sacudir as cadeias que o ligavam, enquanto seu ímpio senhor estava em confusão" (Primeiros Escritos, p. 286).​

    Esta justaposição demonstra que Ellen White não está descrevendo todos escravos, mas criando categoria soteriológica baseada em nível de degradação sofrida. Escravos "suficientemente degradados" são aniquilados; escravos "piedosos" (presumivelmente aqueles que, apesar da opressão, mantiveram alguma consciência de Deus) são salvos. Mas quem define o limiar? Quanto sofrimento é "demais" para salvação?

    Terceiro, a doutrina culpabiliza vítimas implicitamente. Se um escravo foi tão brutalizado que perdeu toda racionalidade, Ellen White argumenta que Deus "não pode" salvá-lo. Mas por que onipotência divina seria limitada por dano infligido por opressores humanos? Esta é precisamente a lógica que Paulo refuta em Romanos 5:20: "onde o pecado abundou, superabundou a graça".


    IV. Casamentos Inter-raciais: Pragmatismo ou Racismo?

    A. O Aconselhamento de 1896

    Em manuscrito de 1896, posteriormente publicado em Selected Messages Book 2, página 343, Ellen White escreveu:

    "Mas há uma objeção ao casamento de brancos com negros. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem, não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que o sujeitaria a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança por toda a vida... Por essa razão, caso não houvesse outras, não deveria haver casamentos entre brancos e negros."​

    B. A Defesa Contextualista: Jim Crow Como Justificativa

    Leandro Quadros e Eleazar Domini argumentam extensamente que Ellen White escreveu em contexto de segregação Jim Crow (1890s-1960s) onde casamentos inter-raciais resultariam em: (1) filhos mestiços rejeitados por ambas comunidades; (2) violência contra a família; (3) filhos sem acesso a escolas segregadas.​

    Este argumento contextualista, embora contenha verdade histórica, falha por três razões:

    Primeiro, Ellen White não aconselha contra casamentos inter-raciais temporariamente até reforma social, mas estabelece princípio teológico permanente: "não têm o direito" (have no right). A linguagem é deôntica, não prudencial.

    Segundo, a lógica se aplica apenas se aceitarmos segregação como inevitável. Profetas bíblicos confrontaram estruturas injustas (Amós 5:24; Isaías 58:6), não aconselharam adaptação a elas. Ellen White poderia ter escrito: "Casamentos inter-raciais são legítimos perante Deus, mas em nossa sociedade racista causarão sofrimento; trabalhemos para derrubar o racismo". Em vez disso, ela escreve: "não deveria haver" tais casamentos.

    Terceiro, Ellen White identifica a "herança" (heritage) e "patrimônio hereditário" (hereditary) como problema. Que "herança" um filho mestiço recebe que o "coloca em desvantagem"? A resposta inevitável: sangue negro. Ellen White não está apenas reconhecendo racismo externo; está internalizando a lógica racial que trata negritude como desvantagem biológica.

    C. Comparação com Posições Contemporâneas

    Ellen White viveu contemporaneamente a Frederick Douglass (1818-1895), abolicionista afro-americano cujos escritos ela conhecia. Douglass casou-se com mulher branca (Helen Pitts) em 1884, defendendo casamentos inter-raciais publicamente:​

    "Essa mistura racial... está de acordo com as leis mais elevadas de desenvolvimento humano e é inevitavelmente necessária para o aperfeiçoamento da raça."​

    Outros abolicionistas brancos, como William Lloyd Garrison, defenderam casamentos inter-raciais como direito humano fundamental. Ellen White tinha acesso a estes discursos progressistas, mas escolheu posição conservadora indistinguível de segregacionistas moderados.​

    V. O Caso Lucy Byard e Racismo Institucional Adventista

    A. Os Fatos Históricos

    Em 1943, evento catalisador expôs racismo institucional adventista dramaticamente:

    Lucille Spence Byard (1877-1943), adventista afro-americana de 66 anos residente em Nova York, desenvolveu câncer hepático com caquexia. Seu marido James, "repentinamente impressionado" a procurar o Washington Sanitarium (hospital adventista em Takoma Park, Maryland), escreveu através do Pastor Jeter Cox solicitando internação.​

    22 de setembro de 1943: Os Byard chegam de trem ao Washington Sanitarium. São recusados na porta devido à raça de Lucy.

    Política do hospital: Até 1943, negros eram tratados "de forma inconspícua no porão" por funcionários fora de turno. Em 1943, política mudou: nenhum negro seria admitido.​

    30 de outubro de 1943: Lucy Byard morre no Freedman's Hospital, 38 dias após recusa. Causa da morte: câncer hepático com caquexia (literalmente "definhando").​

    B. A Resposta Institucional: Conferências Regionais Segregadas

    A morte de Lucy Byard catalisou o "Comitê para Avanço do Trabalho Mundial Entre Adventistas do Sétimo Dia de Cor". Este comitê apresentou à Conferência Geral proposta de integração total de adventistas negros na estrutura eclesiástica existente.​

    A Conferência Geral rejeitou integração. Em vez disso, em 1944-1945, criou Regional Conferences - conferências administrativas segregadas para negros, com território sobreposto às conferências "brancas".​

    Esta estrutura persiste até hoje. Como documenta scholar Calvin Rock, a decisão de criar conferências segregadas em vez de integrar foi "compromisso" que "deu autoridade real a líderes negros, mas apenas através de estruturas paralelas", sustentando "realidade dolorosa de que igualdade ainda era negada".​

    C. Conexão com Ellen White

    Defensores argumentam que Ellen White morreu em 1915, 28 anos antes do caso Byard, logo não pode ser responsabilizada. Este argumento ignora:​

    1. Precedente estabelecido: O Washington Sanitarium foi fundado em 1907, durante a vida de Ellen White. Não há registro de ela confrontar políticas raciais da instituição.

    2. Silêncio profético: Ellen White teve "visões" sobre questões menores (reforma de vestuário, dieta), mas nenhuma visão registrada confrontando segregação em instituições adventistas.

    3. Continuidade ideológica: As Conferências Regionais refletem lógica de separação racial consistente com aconselhamento de Ellen White contra casamentos inter-raciais.

    VI. O Trabalho de James Edson White: Exceção Que Confirma a Regra?

    A. Os Fatos Positivos

    Quadros e Domini corretamente enfatizam que James Edson White (1849-1928), filho de Ellen White, realizou trabalho missionário significativo entre afro-americanos:

    1. O Barco Morning Star (1894): Edson construiu riverboat de 72 pés equipado com capela, escola, biblioteca, gráfica e alojamento, navegando rio Mississippi de Michigan a Vicksburg, Mississippi.​

    1. Investimento pessoal: Edson gastou $6.000 (equivalente a $224.000 em 2024) de recursos próprios e de doações, sem subsídio institucional inicial.​

    1. Risco pessoal: Trabalho no "Deep South" pós-Guerra Civil era extremamente perigoso para abolicionistas brancos. Edson foi conhecido como "o homem sem medo" e "o homem sem limite".​

    2. Resultados: Estabeleceu aproximadamente 50 escolas para afro-americanos, fundou Southern Missionary Society, publicou Gospel Herald e Gospel Primer (livro de alfabetização).​

    B. Limitações da Narrativa Heroica

    No entanto, três fatores complexificam a narrativa heroica:

    Primeiro, Ellen White não enviou Edson espontaneamente. Ela teve "visão" apenas após Edson descobrir acidentalmente manuscrito descartado (Our Duty to the Colored People, 1891) no chão de sala sendo pintada. A "revelação divina" seguiu descoberta acidental.​

    Segundo, o trabalho de Edson foi segregado desde início. Ele não integrou negros em igrejas adventistas existentes, mas fundou igrejas e escolas exclusivamente para negros. Esta foi precisamente a estratégia que culminou em Conferências Regionais segregadas.

    Terceiro, testemunho de Ellen White sobre o trabalho de Edson é revelador:

    "Através do trabalho do vapor 'Morning Star' muito foi realizado que de outra forma não poderia ter sido feito. Os trabalhadores foram capazes de alcançar lugares que de outra forma não poderiam alcançar. O barco serviu como lar para eles [os trabalhadores brancos]..."​

    O barco era primariamente infraestrutura para missionários brancos ministrarem a negros, não plataforma de liderança negra emergente.


    VII. Conclusão: Para Além da Apologética

    A. Síntese das Evidências

    A análise apresentada demonstra cinco conclusões:

    1. A declaração "todos serão brancos", mesmo em contexto de sermão para audiência negra, utiliza linguagem racial que não pode ser adequadamente explicada apenas como referência à glória celestial.

    2. As declarações sobre amalgamação assimilaram pseudociência racial do século XIX identificando africanos como parcialmente animais, interpretação oficialmente endossada por Ellen e James White.

    3. A doutrina de que certos escravos "serão como se nunca tivessem existido" contradiz ensino bíblico explícito sobre universalidade do julgamento e culpabiliza vítimas por degradação infligida por opressores.

    1. O aconselhamento contra casamentos inter-raciais não foi meramente prudencial mas estabeleceu princípio baseado em "herança" racial como desvantagem, internalizando lógica segregacionista.

    2. O caso Lucy Byard expôs racismo institucional adventista, resultando não em integração mas em estrutura segregada (Regional Conferences) que persiste.

    B. Inadequação das Defesas Apologéticas

    As estratégias de Leandro Quadros, Eleazar Domini e outros apologistas adventistas fracassam porque:

    1. Contextualização histórica, embora necessária, não absolve conteúdo moralmente problemático. Muitos contemporâneos de Ellen White (Frederick Douglass, William Lloyd Garrison, Sojourner Truth) articularam posições anti-racistas mais radicais.

    1. Reinterpretação linguística ("brancos" = glória; "amalgamação" = cruzamento animal) contradiz uso contemporâneo documentado e interpretações oficiais adventistas do século XIX.

    2. Destaque de trabalho abolicionista (James Edson White) não cancela declarações escritas problemáticas. Indivíduos contêm contradições; Ellen White pode ter inspirado trabalho anti-racista enquanto perpetuava ideias racistas.

    C. Implicações Teológicas para o Adventismo

    Para adventistas que sustentam inspiração profética contínua de Ellen White, este estudo apresenta dilema teológico:

    Opção 1 - Inerrância: Se Ellen White foi inspirada inerrante em declarações sobre amalgamação, escravos, e casamentos inter-raciais, então Deus revelou conteúdo racista. Esta posição torna Deus moralmente inferior a reformadores humanos contemporâneos.

    Opção 2 - Inspiração Culturalmente Condicionada: Se Ellen White foi inspirada mas culturalmente limitada, então suas declarações devem ser avaliadas criticamente, aceitando verdades espirituais enquanto rejeitando erros culturais. Esta posição preserva dignidade moral de Deus mas requer adventistas a julgarem quais declarações de Ellen White são vinculantes.

    Opção 3 - Não-Inspiração: Ellen White foi autora cristã sincera mas não profetisa no sentido bíblico, logo seus escritos possuem valor histórico e devocional mas não autoridade teológica especial.

    A maioria dos adventistas contemporâneos opera implicitamente em Opção 2, seletivamente descartando declarações sobre saúde (onanismo causa tuberculose; usar perucas causa insanidade), enquanto mantendo autoridade de Ellen White em áreas preferidas. Este estudo argumenta que declarações sobre raça devem similarmente ser categorizadas como erro culturalmente condicionado, não revelação divina.

    D. Chamado à Honestidade Institucional

    A Igreja Adventista do Sétimo Dia enfrentará crescente pressão por honestidade histórica à medida que se expande na África e entre comunidades afro-diaspóricas. Três passos são necessários:

    1. Reconhecimento oficial: Conferência Geral deve formalmente reconhecer que certas declarações de Ellen White sobre raça foram erradas, prejudiciais, e não refletem vontade de Deus.

    1. Integração estrutural: Regional Conferences devem ser integradas em estrutura unificada, eliminando segregação administrativa de 80 anos.

    1. Reparação educacional: Seminários adventistas devem ensinar história completa, incluindo amalgamação, Lucy Byard, e contextualização honesta de Ellen White.

    Somente através desta honestidade a Igreja pode honrar africanos e afrodescendentes que, apesar de herança racista, escolheram permanecer fiéis à teologia adventista central (sábado, estado dos mortos, santuário).

    Agora tenho informação suficiente para gerar o artigo acadêmico completo. Vou começar a escrevê-lo diretamente.


    Ellen White e as Acusações de Racismo: Uma Refutação Acadêmica às Defesas de Leandro Quadros e Eleazar Domini

    Resumo

    Este artigo examina criticamente as declarações racialmente problemáticas de Ellen G. White (1827-1915), cofundadora da Igreja Adventista do Sétimo Dia, refutando as tentativas apologéticas contemporâneas de pastores adventistas como Leandro Quadros e Eleazar Domini. Através de análise textual rigorosa, contextualização histórica e confronto com fontes primárias verificáveis, demonstra-se que: (1) a declaração "todos serão brancos como Cristo" não pode ser adequadamente explicada apenas como referência à glória celestial; (2) as afirmações sobre amalgamação revelam assimilação de pseudociência racial do século XIX; (3) a doutrina de que certos escravos "serão como se nunca tivessem existido" contradiz princípios bíblicos fundamentais (Romanos 14:12; 2 Coríntios 5:10); (4) o aconselhamento contra casamentos inter-raciais perpetuou segregação; e (5) o caso Lucy Byard (1943) expôs o racismo institucional adventista. Embora Ellen White tenha contribuído para trabalho abolicionista através de seu filho James Edson White, suas declarações escritas contêm elementos inegavelmente racistas que não podem ser adequadamente contextualizados ou explicados pelas defesas apologéticas contemporâneas.

    Palavras-chave: Ellen White; racismo religioso; adventismo; amalgamação; segregação racial; Lucy Byard


    Introdução

    A questão do racismo nos escritos de Ellen Gould White permanece uma das controvérsias mais persistentes e perturbadoras no estudo do adventismo do sétimo dia. Como cofundadora e "mensageira" profética de uma denominação que hoje conta com mais de 21 milhões de membros globalmente, sendo significativa parcela composta por africanos e afrodescendentes, as implicações teológicas e éticas de suas declarações sobre raça exigem escrutínio rigoroso.

    Recentemente, apologistas adventistas como o professor Leandro Quadros e o pastor Eleazar Domini têm produzido conteúdo em português destinado a defender Ellen White contra acusações de racismo. Seus argumentos seguem padrões estabelecidos pela White Estate e seguem estratégias hermenêuticas que enfatizam contextualização histórica, reinterpretação de linguagem problemática, e destaque seletivo de declarações anti-escravagistas.

    Este artigo submete essas defesas a análise crítica, demonstrando que, embora Ellen White tenha feito contribuições ao movimento abolicionista e inspirado trabalho missionário entre africanos-americanos, seus escritos contêm declarações que, mesmo quando contextualizadas, revelam assimilação de ideologias raciais científicas e religiosas do século XIX incompatíveis tanto com princípios bíblicos quanto com padrões éticos contemporâneos.

    Metodologia

    Esta pesquisa utiliza análise textual de fontes primárias em inglês e português, exame de contexto histórico do século XIX americano, e confronto sistemático entre declarações de Ellen White e defesas apologéticas contemporâneas. Fontes consultadas incluem:

    1. Textos originais de Ellen White (Spiritual Gifts vol. 3, 1864; Primeiros Escritos, 1858; Selected Messages Book 2; The Gospel Herald, 1901)

    2. Documentação histórica da segregação adventista (arquivo Lucy Byard, Regional Conferences)

    3. Literatura científica e religiosa do século XIX sobre amalgamação

    4. Transcrições de vídeos apologéticos de Leandro Quadros e Eleazar Domini


    I. "Todos Serão Brancos Como Cristo": Análise da Declaração Mais Controversa

    A. O Texto e Seu Contexto Imediato

    A declaração mais amplamente citada como evidência de racismo nos escritos de Ellen White aparece em sermão publicado em The Gospel Herald, 1º de março de 1901:

    "Vocês são filhos de Deus. Ele adotou vocês e deseja que desenvolvam aqui um caráter que lhes garantirá entrada na família celestial. Ao se lembrarem disso, vocês deverão suportar as provações que encontrarem aqui. No céu não haverá linhas de cor, pois todos serão brancos como o próprio Cristo. Agradecemos a Deus por podermos ser membros da família real."​

    Leandro Quadros e outros apologistas argumentam que: (1) o sermão foi pregado para audiência negra em Vicksburg, Mississippi; (2) o contexto é abolição da segregação celestial; (3) "brancos" refere-se à glória descrita em Apocalipse 1:14.​

    B. Problemas com a Interpretação Apologética

    Três objeções fundamentais refutam esta defesa:

    Primeiro, a justaposição sintática é reveladora. Ellen White diz explicitamente: "não haverá linhas de cor, pois todos serão brancos". A conjunção causal "pois" (for) estabelece relação lógica: a ausência de linhas de cor resulta de todos serem brancos. Se Ellen White pretendesse comunicar apenas glória radiante, a construção lógica seria: "não haverá linhas de cor, pois todos serão gloriosos como Cristo" ou "todos brilharão como Cristo". A escolha específica do termo racial "brancos" (white) em contexto discutindo "linhas de cor" (color line) não pode ser acidental ou meramente simbólica.

    Segundo, Ellen White demonstra em outro texto que estabelece equação entre preparação para o céu e tratamento de "irmãos de cor":

    "Temos sido muito negligentes com nossos irmãos de cor e ainda não estamos preparados para a vinda de nosso Senhor."​

    Como corretamente observa o interlocutor crítico no vídeo analisado, se negligenciar pessoas de cor torna alguém despreparado para o céu, então afirmar que "todos serão brancos" no céu constitui contradição lógica insustentável. A preparação para o céu exige aceitação de pessoas de cor na Terra, mas o estado celestial final seria homogeneização racial para brancura?​

    Terceiro, o argumento de que Apocalipse 1:14 ("cabelos brancos como lã, brancos como neve") justifica a linguagem ignora que: (a) o texto apocalíptico descreve o Cristo glorificado com múltiplos elementos simbólicos (olhos como chama de fogo, pés como bronze polido, voz como águas), nenhum dos quais deve ser tomado literalmente; (b) Ellen White não usa "radiantes" ou "gloriosos" mas especificamente "brancos" (white) em contexto racial explícito.

    C. A Audiência Negra Não Absolve o Conteúdo

    Quadros e Domini enfatizam repetidamente que Ellen White pregou este sermão para congregação negra. Este argumento é falacioso por três razões:​

    1. Precedente histórico: senhores de escravos frequentemente pregavam para escravos conteúdo que reforçava subordinação (Efésios 6:5; Colossenses 3:22). Pregar para audiência oprimida não garante ausência de conteúdo opressivo.

    2. Resposta da audiência não documentada: não possuímos registro de como a congregação negra interpretou estas palavras. O silêncio não é assentimento.

    3. Publicação posterior: o sermão foi publicado e circulado amplamente, tornando-se texto normativo independente de seu contexto de entrega original.


    II. Amalgamação: Pseudociência Racial nos Escritos Inspirados

    A. Os Textos Problemáticos

    Em Spiritual Gifts, volume 3 (1864), Ellen White fez duas declarações que causaram escândalo imediato:

    "Mas se houve um pecado acima de outro que chamou pela destruição da raça pelo dilúvio, foi o crime base de amalgamação de homem e besta que desfigurou a imagem de Deus e causou confusão por toda parte."​

    "Toda espécie de animal que Deus criou foi preservada na arca. As espécies confusas que Deus não criou, que eram resultado de amalgamação, foram destruídas pelo dilúvio. Desde o dilúvio tem havido amalgamação de homem e besta, como pode ser visto nas quase infinitas variedades de espécies de animais e em certas raças de homens."​

    B. Contexto Histórico: Amalgamação como Terminologia Racial

    Contrariamente às reinterpretações modernas da White Estate (que desde 1947 tenta argumentar que "amalgamação" refere-se a cruzamento entre espécies animais), o termo "amalgamation" no contexto americano da década de 1860 possuía significado racial específico e inconfundível.​

    Evidência lexical contemporânea:

    1. Josiah Nott e George Gliddon, Types of Mankind (1854): "Nenhuma causa física exceto amalgamação jamais transformou uma raça em outra", usando o termo exclusivamente para mistura racial humana.​

    2. Buckner H. Payne ("Ariel"), The Negro: What is His Ethnological Status? (1867): "O crime de amalgamação trouxe o dilúvio sobre a terra", equiparando amalgamação a casamento inter-racial.​

    3. Jornais americanos da década de 1860 usavam "amalgamation" e "miscegenation" sinonimamente para casamento inter-racial.​

    C. A Biblioteca Pessoal de Ellen White

    Evidência material conclusiva: Ellen White possuía em sua biblioteca pessoal:

    1. John Campbell, Negro-Mania (1851): afirma que negros não foram criados por Deus, mas amaldiçoados em existência; usa "amalgamation" para casamento inter-racial; declara: "A natureza inteira proíbe amalgamação entre eles [negros] e caucasianos".​

    2. O.S. Fowler, Sexual Science (1870): adverte que "amalgamação universal arruinaria tudo", pois priva mulatos de "resistência Negra" e "inteligência Caucasiana".​

    A presença destes livros racistas na biblioteca pessoal de Ellen White não é acidental. Como historiador Ronald Numbers documenta, Ellen White e seus assistentes regularmente copiavam material de obras em sua biblioteca.​

    D. A Defesa Oficial de Uriah Smith (1866)

    Quando as declarações de amalgamação causaram escândalo, a Igreja Adventista respondeu oficialmente através de Uriah Smith, editor da Review and Herald. Em artigo revisado e aprovado pela Conferência Geral e por James e Ellen White, Smith identificou as "raças de homens" resultantes de amalgamação:

    "Evidência [de amalgamação] poderia facilmente ser fornecida por referência a casos como os Bushmen selvagens da África, algumas tribos dos Hotentotes, e talvez os índios Digger de nosso próprio país".​

    James e Ellen White não apenas aprovaram esta explicação - venderam 2.000 cópias do livro de Smith em reuniões campais. Este endosso material é incontornável: Ellen White permitiu que a interpretação oficial de suas palavras identificasse africanos como parcialmente animais.​

    Ironia histórica devastadora: pesquisa genética moderna demonstra que os Bushmen (San) da África são ancestrais de toda humanidade, portadores dos marcadores genéticos mais antigos (Homo sapiens). A raça que adventistas do século XIX identificaram como "amalgamação de homem e besta" são, geneticamente, os humanos mais puros do planeta.​

    E. Por Que Ellen White Removeu as Declarações?

    As declarações de amalgamação apareceram em Spiritual Gifts vol. 3 (1864) mas foram silenciosamente removidas quando o material foi republicado em Patriarchs and Prophets (1890). W.C. White, filho de Ellen, ofereceu esta explicação:

    "Elas foram deixadas de fora por Ellen G. White. Ninguém conectado com seu trabalho tinha autoridade sobre tal questão... Sister White não apenas tinha bom julgamento baseado em compreensão clara e abrangente de condições... mas teve muitas vezes instrução direta do anjo do Senhor quanto ao que deveria ser omitido e o que deveria ser adicionado em novas edições."​

    Esta explicação levanta questão teológica devastadora: Por que o "anjo do Senhor" não instruiu Ellen White a omitir as declarações racistas ANTES da publicação original? Por que permitir que declarações identificando africanos como subumanos fossem publicadas, endossadas oficialmente, amplamente distribuídas por 26 anos, e apenas então removidas?

    A resposta mais parcimoniosa: as declarações foram removidas não por revelação divina, mas por constrangimento institucional crescente à medida que a Igreja expandia para África.


    III. A Soteriologia dos Escravos: "Como Se Nunca Tivessem Existido"

    A. O Texto Completo e Sua Contradição Bíblica

    Em Primeiros Escritos, página 276, Ellen White apresenta doutrina soteriológica sem precedente bíblico:

    "Vi que o senhor de escravos terá de responder pela salvação de seus escravos a quem ele tem conservado em ignorância; e os pecados dos escravos serão visitados sobre o senhor. Deus não pode levar para o Céu o escravo que tem sido conservado em ignorância e degradação, nada sabendo de Deus ou da Bíblia, nada temendo senão o açoite do seu senhor, e conservando-se em posição mais baixa que a dos animais. Mas Deus faz por ele o melhor que um Deus compassivo pode fazer. Permite-lhe ser como se nunca tivesse existido, ao passo que o senhor tem de enfrentar as sete últimas pragas e então passar pela segunda ressurreição e sofrer a segunda e mais terrível morte."​

    B. Contradição Bíblica Direta

    Esta doutrina contradiz frontalmente dois textos paulinos fundamentais citados pelo crítico no vídeo transcrito:

    1. Romanos 14:12: "De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus" (ênfase adicionada).

    2. 2 Coríntios 5:10: "Porque todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal" (ênfase adicionada).

    O termo "todos" (pantes) em 2 Coríntios 5:10 é inclusivo sem qualificação. Paulo não escreve: "todos exceto aqueles mantidos em ignorância invencível". A doutrina de Ellen White cria categoria soteriológica extrabiblica: seres humanos que existiram mas não comparecerão perante o tribunal de Cristo.

    C. A Defesa de Quadros e Domini: Misericórdia ou Injustiça?

    No vídeo analisado, Eleazar Domini argumenta que a doutrina representa "misericórdia" divina, pois estes escravos não serão ressuscitados "nem para se perder e nem para ir para o céu". Leandro Quadros concorda, caracterizando a não-existência como melhor destino do que julgamento.​

    Esta defesa é teologicamente insustentável por três razões:

    Primeiro, aniquilação não é misericórdia mas negação de agência. Um escravo que sofreu vida inteira sem oportunidade de escolher Deus é então negado até mesmo a ressurreição para ver seus opressores julgados? Como observa Jürgen Moltmann, soteriologia autêntica exige "justiça para as vítimas, não sua obliteração".​

    Segundo, Ellen White explicitamente contrasta estes escravos com "escravos piedosos" que serão salvos:

    "Vi o escravo piedoso levantar-se com vitória e triunfo, e sacudir as cadeias que o ligavam, enquanto seu ímpio senhor estava em confusão" (Primeiros Escritos, p. 286).​

    Esta justaposição demonstra que Ellen White não está descrevendo todos escravos, mas criando categoria soteriológica baseada em nível de degradação sofrida. Escravos "suficientemente degradados" são aniquilados; escravos "piedosos" (presumivelmente aqueles que, apesar da opressão, mantiveram alguma consciência de Deus) são salvos. Mas quem define o limiar? Quanto sofrimento é "demais" para salvação?

    Terceiro, a doutrina culpabiliza vítimas implicitamente. Se um escravo foi tão brutalizado que perdeu toda racionalidade, Ellen White argumenta que Deus "não pode" salvá-lo. Mas por que onipotência divina seria limitada por dano infligido por opressores humanos? Esta é precisamente a lógica que Paulo refuta em Romanos 5:20: "onde o pecado abundou, superabundou a graça".


    IV. Casamentos Inter-raciais: Pragmatismo ou Racismo?

    A. O Aconselhamento de 1896

    Em manuscrito de 1896, posteriormente publicado em Selected Messages Book 2, página 343, Ellen White escreveu:

    "Mas há uma objeção ao casamento de brancos com negros. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem, não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que o sujeitaria a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança por toda a vida... Por essa razão, caso não houvesse outras, não deveria haver casamentos entre brancos e negros."​

    B. A Defesa Contextualista: Jim Crow Como Justificativa

    Leandro Quadros e Eleazar Domini argumentam extensamente que Ellen White escreveu em contexto de segregação Jim Crow (1890s-1960s) onde casamentos inter-raciais resultariam em: (1) filhos mestiços rejeitados por ambas comunidades; (2) violência contra a família; (3) filhos sem acesso a escolas segregadas.​

    Este argumento contextualista, embora contenha verdade histórica, falha por três razões:

    Primeiro, Ellen White não aconselha contra casamentos inter-raciais temporariamente até reforma social, mas estabelece princípio teológico permanente: "não têm o direito" (have no right). A linguagem é deôntica, não prudencial.

    Segundo, a lógica se aplica apenas se aceitarmos segregação como inevitável. Profetas bíblicos confrontaram estruturas injustas (Amós 5:24; Isaías 58:6), não aconselharam adaptação a elas. Ellen White poderia ter escrito: "Casamentos inter-raciais são legítimos perante Deus, mas em nossa sociedade racista causarão sofrimento; trabalhemos para derrubar o racismo". Em vez disso, ela escreve: "não deveria haver" tais casamentos.

    Terceiro, Ellen White identifica a "herança" (heritage) e "patrimônio hereditário" (hereditary) como problema. Que "herança" um filho mestiço recebe que o "coloca em desvantagem"? A resposta inevitável: sangue negro. Ellen White não está apenas reconhecendo racismo externo; está internalizando a lógica racial que trata negritude como desvantagem biológica.

    C. Comparação com Posições Contemporâneas

    Ellen White viveu contemporaneamente a Frederick Douglass (1818-1895), abolicionista afro-americano cujos escritos ela conhecia. Douglass casou-se com mulher branca (Helen Pitts) em 1884, defendendo casamentos inter-raciais publicamente:​

    "Essa mistura racial... está de acordo com as leis mais elevadas de desenvolvimento humano e é inevitavelmente necessária para o aperfeiçoamento da raça."​

    Outros abolicionistas brancos, como William Lloyd Garrison, defenderam casamentos inter-raciais como direito humano fundamental. Ellen White tinha acesso a estes discursos progressistas, mas escolheu posição conservadora indistinguível de segregacionistas moderados.​


    V. O Caso Lucy Byard e Racismo Institucional Adventista

    A. Os Fatos Históricos

    Em 1943, evento catalisador expôs racismo institucional adventista dramaticamente:

    Lucille Spence Byard (1877-1943), adventista afro-americana de 66 anos residente em Nova York, desenvolveu câncer hepático com caquexia. Seu marido James, "repentinamente impressionado" a procurar o Washington Sanitarium (hospital adventista em Takoma Park, Maryland), escreveu através do Pastor Jeter Cox solicitando internação.​

    22 de setembro de 1943: Os Byard chegam de trem ao Washington Sanitarium. São recusados na porta devido à raça de Lucy.

    Política do hospital: Até 1943, negros eram tratados "de forma inconspícua no porão" por funcionários fora de turno. Em 1943, política mudou: nenhum negro seria admitido.​

    30 de outubro de 1943: Lucy Byard morre no Freedman's Hospital, 38 dias após recusa. Causa da morte: câncer hepático com caquexia (literalmente "definhando").​

    B. A Resposta Institucional: Conferências Regionais Segregadas

    A morte de Lucy Byard catalisou o "Comitê para Avanço do Trabalho Mundial Entre Adventistas do Sétimo Dia de Cor". Este comitê apresentou à Conferência Geral proposta de integração total de adventistas negros na estrutura eclesiástica existente.​

    A Conferência Geral rejeitou integração. Em vez disso, em 1944-1945, criou Regional Conferences - conferências administrativas segregadas para negros, com território sobreposto às conferências "brancas".​

    Esta estrutura persiste até hoje. Como documenta scholar Calvin Rock, a decisão de criar conferências segregadas em vez de integrar foi "compromisso" que "deu autoridade real a líderes negros, mas apenas através de estruturas paralelas", sustentando "realidade dolorosa de que igualdade ainda era negada".​

    C. Conexão com Ellen White

    Defensores argumentam que Ellen White morreu em 1915, 28 anos antes do caso Byard, logo não pode ser responsabilizada. Este argumento ignora:​

    1. Precedente estabelecido: O Washington Sanitarium foi fundado em 1907, durante a vida de Ellen White. Não há registro de ela confrontar políticas raciais da instituição.

    2. Silêncio profético: Ellen White teve "visões" sobre questões menores (reforma de vestuário, dieta), mas nenhuma visão registrada confrontando segregação em instituições adventistas.

    3. Continuidade ideológica: As Conferências Regionais refletem lógica de separação racial consistente com aconselhamento de Ellen White contra casamentos inter-raciais.


    VI. O Trabalho de James Edson White: Exceção Que Confirma a Regra?

    A. Os Fatos Positivos

    Quadros e Domini corretamente enfatizam que James Edson White (1849-1928), filho de Ellen White, realizou trabalho missionário significativo entre afro-americanos:

    1. O Barco Morning Star (1894): Edson construiu riverboat de 72 pés equipado com capela, escola, biblioteca, gráfica e alojamento, navegando rio Mississippi de Michigan a Vicksburg, Mississippi.​

    2. Investimento pessoal: Edson gastou $6.000 (equivalente a $224.000 em 2024) de recursos próprios e de doações, sem subsídio institucional inicial.​

    3. Risco pessoal: Trabalho no "Deep South" pós-Guerra Civil era extremamente perigoso para abolicionistas brancos. Edson foi conhecido como "o homem sem medo" e "o homem sem limite".​

    4. Resultados: Estabeleceu aproximadamente 50 escolas para afro-americanos, fundou Southern Missionary Society, publicou Gospel Herald e Gospel Primer (livro de alfabetização).​

    B. Limitações da Narrativa Heroica

    No entanto, três fatores complexificam a narrativa heroica:

    Primeiro, Ellen White não enviou Edson espontaneamente. Ela teve "visão" apenas após Edson descobrir acidentalmente manuscrito descartado (Our Duty to the Colored People, 1891) no chão de sala sendo pintada. A "revelação divina" seguiu descoberta acidental.​

    Segundo, o trabalho de Edson foi segregado desde início. Ele não integrou negros em igrejas adventistas existentes, mas fundou igrejas e escolas exclusivamente para negros. Esta foi precisamente a estratégia que culminou em Conferências Regionais segregadas.

    Terceiro, testemunho de Ellen White sobre o trabalho de Edson é revelador:

    "Através do trabalho do vapor 'Morning Star' muito foi realizado que de outra forma não poderia ter sido feito. Os trabalhadores foram capazes de alcançar lugares que de outra forma não poderiam alcançar. O barco serviu como lar para eles [os trabalhadores brancos]..."​

    O barco era primariamente infraestrutura para missionários brancos ministrarem a negros, não plataforma de liderança negra emergente.


    VII. Conclusão: Para Além da Apologética

    A. Síntese das Evidências

    A análise apresentada demonstra cinco conclusões:

    1. A declaração "todos serão brancos", mesmo em contexto de sermão para audiência negra, utiliza linguagem racial que não pode ser adequadamente explicada apenas como referência à glória celestial.

    2. As declarações sobre amalgamação assimilaram pseudociência racial do século XIX identificando africanos como parcialmente animais, interpretação oficialmente endossada por Ellen e James White.

    3. A doutrina de que certos escravos "serão como se nunca tivessem existido" contradiz ensino bíblico explícito sobre universalidade do julgamento e culpabiliza vítimas por degradação infligida por opressores.

    4. O aconselhamento contra casamentos inter-raciais não foi meramente prudencial mas estabeleceu princípio baseado em "herança" racial como desvantagem, internalizando lógica segregacionista.

    5. O caso Lucy Byard expôs racismo institucional adventista, resultando não em integração mas em estrutura segregada (Regional Conferences) que persiste.

    B. Inadequação das Defesas Apologéticas

    As estratégias de Leandro Quadros, Eleazar Domini e outros apologistas adventistas fracassam porque:

    1. Contextualização histórica, embora necessária, não absolve conteúdo moralmente problemático. Muitos contemporâneos de Ellen White (Frederick Douglass, William Lloyd Garrison, Sojourner Truth) articularam posições anti-racistas mais radicais.

    2. Reinterpretação linguística ("brancos" = glória; "amalgamação" = cruzamento animal) contradiz uso contemporâneo documentado e interpretações oficiais adventistas do século XIX.

    3. Destaque de trabalho abolicionista (James Edson White) não cancela declarações escritas problemáticas. Indivíduos contêm contradições; Ellen White pode ter inspirado trabalho anti-racista enquanto perpetuava ideias racistas.

    C. Implicações Teológicas para o Adventismo

    Para adventistas que sustentam inspiração profética contínua de Ellen White, este estudo apresenta dilema teológico:

    Opção 1 - Inerrância: Se Ellen White foi inspirada inerrante em declarações sobre amalgamação, escravos, e casamentos inter-raciais, então Deus revelou conteúdo racista. Esta posição torna Deus moralmente inferior a reformadores humanos contemporâneos.

    Opção 2 - Inspiração Culturalmente Condicionada: Se Ellen White foi inspirada mas culturalmente limitada, então suas declarações devem ser avaliadas criticamente, aceitando verdades espirituais enquanto rejeitando erros culturais. Esta posição preserva dignidade moral de Deus mas requer adventistas a julgarem quais declarações de Ellen White são vinculantes.

    Opção 3 - Não-Inspiração: Ellen White foi autora cristã sincera mas não profetisa no sentido bíblico, logo seus escritos possuem valor histórico e devocional mas não autoridade teológica especial.

    A maioria dos adventistas contemporâneos opera implicitamente em Opção 2, seletivamente descartando declarações sobre saúde (onanismo causa tuberculose; usar perucas causa insanidade), enquanto mantendo autoridade de Ellen White em áreas preferidas. Este estudo argumenta que declarações sobre raça devem similarmente ser categorizadas como erro culturalmente condicionado, não revelação divina.

    D. Chamado à Honestidade Institucional

    A Igreja Adventista do Sétimo Dia enfrentará crescente pressão por honestidade histórica à medida que se expande na África e entre comunidades afro-diaspóricas. Três passos são necessários:

    1. Reconhecimento oficial: Conferência Geral deve formalmente reconhecer que certas declarações de Ellen White sobre raça foram erradas, prejudiciais, e não refletem vontade de Deus.

    2. Integração estrutural: Regional Conferences devem ser integradas em estrutura unificada, eliminando segregação administrativa de 80 anos.

    3. Reparação educacional: Seminários adventistas devem ensinar história completa, incluindo amalgamação, Lucy Byard, e contextualização honesta de Ellen White.

    Somente através desta honestidade a Igreja pode honrar africanos e afrodescendentes que, apesar de herança racista, escolheram permanecer fiéis à teologia adventista central (sábado, estado dos mortos, santuário).

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