
O Caso Stewart: Examinando as Contradições de Ellen White
O Caso Stewart revela contradições nos escritos de Ellen White. Analise criticamente sua autoridade no adventismo com embasamento bíblico. Descubra mais!
O Desafio Pessoal de Ellen White: Um Convite à Crítica?
“Pastores Adventistas dizem que os escritos de Ellen White são tão 'inspirados quanto a Bíblia', mas as questões que o Dr. Charles Stewart levantou em sua carta de 1907 ecoavam em sua mente. Como lidar com tais contradições aparentes naquilo que era proclamado como 'luz especial'?”
Em 30 de março de 1906, Ellen G. White, a figura central do movimento Adventista do Sétimo Dia, emitiu uma declaração urgente e notável: um convite aberto para que aqueles que tivessem “perplexidades e coisas graves em suas mentes” a respeito de seus testemunhos expressassem suas objeções e críticas por escrito. Ela prometeu que “o Senhor [a] ajudaria a responder a essas objeções, e a tornar claro o que parece ser intrincado” (Ellen G. White, Sanitarium, Cal., 30 de março de 1906, para aqueles que estão perplexos em relação aos testemunhos relacionados ao trabalho médico-missionário). Esse apelo foi dirigido especificamente a líderes e associados que discutiam essas "objecções aos testemunhos".
O Dr. Charles Stewart, respondendo a este convite direto, compilou uma série de perguntas e comparações de seus escritos, enviando-os em 8 de maio de 1907. Stewart expressou que, embora hesitante em sobrecarregá-la inicialmente, a urgência de seu pedido o motivou. Suas perguntas não eram de pouca importância; elas apontavam para o que ele percebia como “muitas coisas em seus testemunhos e outros escritos que [lhe] pareciam contraditórias e não em concordância com os fatos como [ele as via]” (Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907). A carta de Stewart torna-se, assim, um documento histórico crucial, desafiando a consistência e a autoridade dos escritos de Ellen White em várias frentes teológicas e práticas.
O Título e o Papel Profético de Ellen White: "Mensageira" ou "Profetisa"?
A questão sobre a autoidentificação de Ellen White como "profeta" ou "mensageira" gerou uma das primeiras perplexidades levantadas por Stewart. Ela afirmou publicamente: “Eu não sou, como eu disse ontem, uma profeta. Eu não afirmo ser uma líder. Eu afirmo ser simplesmente uma mensageira de Deus, e isso é tudo o que eu sempre afirmei” (Ellen G. White, Discurso no Tabernáculo, 2 de outubro de 1904). Esta declaração foi capturada por taquígrafos e confirmada por testemunhas.
No entanto, em um artigo posterior, ela comentou suas próprias palavras, tentando clarificar sua intenção: "Quando estive pela última vez em Battle Creek, disse diante de uma grande congregação que não me declarava profetisa. Duas vezes me referi a este assunto, pretendendo todas as vezes fazer a declaração: 'Não me declaro profetisa.' Se falei de outra forma, que todos compreendam agora que o que eu tinha em mente para dizer era que não reivindico o título de profeta ou profetisa" [Ellen G. White, A Messenger – Review and Herald, 27 de julho de 1906].
Stewart confrontou essa clarificação com outra declaração anterior de White, onde ela afirmava ter "o poder especial de Deus" ao testemunhar perante as pessoas (Ellen G. White, Testemunho, 14 de fevereiro de 1901). A questão do Dr. Stewart era incisiva: “Are we to understand from this that on this occasion the special power of God was not with you when you said, 'I am not, as I said yesterday, a prophet,' or is the statement in the Review incorrect?” (Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907). Ele questionava se a presença do "poder especial de Deus" garantiria precisão em suas declarações, tornando a aparente necessidade de retificação problemática para a autoridade de suas palavras.
Contratos e Filiação Denominacional: Mudanças de Instrução e Doutrina
As orientações de Ellen White sobre a assinatura de contratos por trabalhadores médico-missionários e a natureza denominacional das instituições adventistas também apresentavam contradições notáveis.
Em 1893, ela havia declarado: "Before persons are admitted to our Missionary Training School, let there be a written agreement that after receiving their education they will give themselves to the work for a specified time. This is the only way our missions can be made what they should be" [Ellen G. White, General Conference Bulletin de 1893, pp. 162, 163]. E em um testemunho de 1888, ela reiterou: "The Sanitarium at Battle Creek has been built up under a pressure of difficulties. There have had to be decisive measures taken, contracts signed by those who were engaged as helpers that they would remain a certain number of years. This has been a positive necessity..." [Ellen G. White, Testemunho, 1888].
No entanto, em 1903, as instruções mudaram radicalmente: "No man or woman is to bind him- self or herself to serve for a certain number of years under the control of a medical association.... I know that some have thought it is advisable for the workers in our sanitarium to sign certain contracts. But I know also that it is not in accordance with God's plan for the workers to sign these contracts" [Ellen G. White, Testemunho em St. Helena, Cal., 3 de agosto de 1903, p. 4]. Stewart questionou: "Under the circumstances what was the duty of the managers of the Sanitarium Medical Missionary Training School? Which instruction should they follow -- that given in 1888 and that published in the General Conference Bulletin in 1893, or that given to Elders [nome não publicado] in 1903?" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
Similarmente, no que diz respeito à natureza denominacional do Sanatório de Battle Creek, existem declarações conflitantes. Em 1899, ela afirmou: "Our brethren in America who are engaged in medical missionary work, can, by appealing to the outside people, obtain help because theirs is not a denominational work" [Ellen G. White, Testemunho a --- e Sanitarium Board, 11 de janeiro de 1899]. Essa ideia foi reforçada na obra "Life Sketches of James White and Ellen G. White", que declarava: "Though founded and managed by Seventh-day Adventists, the Sanitarium is not conducted on a denominational basis" [Life Sketches of James White and Ellen G. White, p. 382].
No entanto, em 1902, White escreveu: "It has been stated that the Battle Creek Sanitarium is not denominational. But if ever an institution was established to be denominational in every sense of the word, this Sanitarium was" [Ellen G. White, Testemunho, 21 de agosto de 1902]. Stewart, com razão, perguntou: "How can the work of the Sanitarium Board be “not a denominational work” in any sense of the word whatever, since the institution which it conducts as is stated, “was established to be denominational in every sense of the word”? What do these statements mean?" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
Essas contradições não eram meras questões de terminologia, mas impactavam diretamente a governança, a ética e a compreensão da missão das instituições adventistas, colocando em dúvida a clareza e a consistência das "luzes" recebidas.
A Questão da Crença do Dr. Kellogg e a Reforma de Saúde de Ellen White
A carta de Stewart também expôs aparentes oscilações na percepção de Ellen White sobre a crença do Dr. Kellogg em seus testemunhos e inconsistências em suas próprias práticas e ensinamentos sobre a reforma de saúde.
Sobre o Dr. Kellogg: Em fevereiro de 1899, Ellen White escreveu de forma positiva sobre o Dr. Kellogg: "I know that when admonition and warnings have been given, Dr. Kellogg has not despised these warnings and set them aside. He has not worked in order to get rich" [Ellen G. White, Testemunho a Elders [nome não publicado] em 21 de fevereiro de 1899, p. 7].
No entanto, em agosto de 1902, o tom mudou drasticamente: "I was instructed I have a message for you to bear to Dr. Kellogg. I thought, It will do no good. He does not accept the messages that I bear to him unless these harmonize with his plans and devisings" [Ellen G. White, Testemunho [nome não publicado], 5 de agosto de 1902]. Três meses depois, em novembro de 1902, numa carta ao próprio Kellogg, ela afirmou: "You tell me that you do not believe the messages I send you, but I know that this is not true" [Ellen G. White, Testemunho ao Dr. Kellogg, Elmshaven, Sanitarium, Cal., 12 de novembro de 1902].
A inconsistência continuou em 1904: "Thus it has been for years, and message after message has the Lord sent in warning, but the one to whom they have been sent has refused to hear" [Ellen G. White, Series B, No. 7, Sanitarium, Cal., 1 de janeiro de 1904]. E em maio de 1905: "When Dr. Kellogg receives the messages of warning given during the past twenty years ... then we may have confidence that he is seeking the light" [Ellen G. White, Tacoma Park, Washington, 30 de maio de 1905].
Stewart resumiu a situação questionando: "These five statements seemingly represent a very peculiar state of affairs as regards Dr. Kellogg's views of the testimonies. In 1899 he believed them; in August, 1902, he did not accept them; in November, 1902, three months later, Dr. Kellogg said that he did not believe, but you said that he did; and only one year after this you said that for years he has refused to hear; and in 1905 you infer that he has not received your messages for twenty years. Please explain what is meant by these seemingly contradictions." [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
Sobre a Reforma de Saúde e o Uso de Laticínios: A reforma de saúde, fundamental para o Adventismo, também foi objeto de análise crítica. Em 1870, White deu "testemunho positivo contra ... carne, manteiga, etc.", classificando manteiga com carnes (Ellen G. White, Testimonies for the Church, Vol. 3, Nos. 21-25, p. 21). Declarações de 1868 e 1869 reforçaram sua prática pessoal de abster-se de carne e manteiga (Ellen G. White, Testimonies for the Church, Vol. 2, No. 18, p. 487; Testimonies for the Church, Vol. 2, No. 18, p. 371). Ela chegou a afirmar em 1869: "I have not changed my course a particle since I adopted the health reform. I have not taken one back step since the light from heaven upon this subject first shone upon my pathway" [Testimonies for the Church, Vol. 2, No. 18, p. 371].
No entanto, Stewart apresentou evidências anedóticas, mas pertinentes, de que White consumia carne e ostras anos após supostamente ter "rompido com tudo de uma vez" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907]. Ele citou relatos de terceiros que a viram comer ostras até 1890. Isso a levou a questionar se ela estava praticando "dissimulação, uma espécie de hipocrisia, na medida em que estava defendendo uma posição com sua caneta que não colocou em xeque prático em sua própria família e em sua própria mesa" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
Mais surpreendente foi a declaração posterior de 1902, que reclassificava a manteiga: "Milk, eggs, and butter should not be classed with flesh meat. Let diet reform be progressive. Let the people be taught how to prepare food without the use of milk or butter. Tell them that the time will soon come when there will be no safety in using eggs, milk, cream, or butter, because disease in animals is increasing" [Ellen G. White, Testimonies for the Church, Vol. 7, No. 35, p. 135]. Isso gerou uma nova confusão para Stewart: "Over thirty years ago your testimony states: 'We bear positive testimony against ... flesh meats, butter,' etc., which seems to clearly indicate that butter as well as meat must not be used. In several other testimonies, parts of which are quoted, butter and flesh meats are classed together but in a testimony written more than thirty years later, when butter was certainly much more liable to disease, you state: 'Butter should not be classed with flesh meat,' and give the impression that it can be used with some degree of safety at least. There is seemingly a mistake of some sort here. Please inform me as to the facts with reference to the matter." [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
A Questão da Originalidade e o Impacto do Plágio
Uma das maiores críticas de Stewart referia-se à originalidade dos escritos de Ellen White, especificamente sua obra "Sketches from the Life of Paul" e "Great Controversy."
Stewart destacou a semelhança entre "Sketches from the Life of Paul" [1883] de Ellen White e "The Life and Epistles of the Apostle Paul" [1855] de Conybeare e Howson. Ele relatou ter encontrado "mais de duzentos lugares em seu livro que correspondem muito de perto a passagens do livro de Conybeare e Howson" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907]. Suas comparações lado a lado demonstraram coincidências textuais significativas, indo muito além de referências Tabela 1: Esboços da Vida de Paulo vs. A Vida e Epístolas do Apóstolo Paulo
Tabela: Grande Conflito vs. História dos Valdenses
GRANDE CONFLITO (E. G. White) | HISTÓRIA DOS VALDENSES (J. A. Wylie) |
|---|---|
p. 83: "A bula convidava todos os católicos a pegarem em armas contra hereges. Para estimulá-los neste trabalho cruel, absolveu-os de todas as penas e penalidades eclesiásticas, liberou todos os que se juntaram à cruzada de quaisquer juramentos que pudessem ter feito; legitimou seu título a qualquer propriedade que pudessem ter ilegalmente adquirido, e prometeu remissão de todos os seus pecados aos que matassem qualquer herege. Anulou todos os contratos feitos em favor dos Valdenses, ordenou que seus domésticos os abandonassem, proibiu que qualquer pessoa lhes desse qualquer ajuda e capacitou todas as pessoas a tomar posse de suas propriedades." | p. 28: "A bula convidava todos os católicos a pegarem em armas contra os hereges e para estimulá-los nesta obra piedosa absolveu-os de todas as penas e penalidades eclesiásticas, gerais e particulares, liberou todos os que se juntaram à cruzada de quaisquer juramentos que pudessem ter feito; legitimou seu título a qualquer propriedade que pudessem ter ilegalmente adquirido; e prometeu remissão de todos os seus pecados aos que matassem qualquer herege. Anulou todos os contratos feitos em favor dos Valdenses, ordenou que seus domésticos os abandonassem, proibiu que qualquer pessoa lhes desse qualquer ajuda e capacitou todas as pessoas a tomar posse de suas propriedades." |
p. 91-92: "Na escuridão de seu calabouço, João Huss tinha previsto o triunfo da verdadeira fé. Voltando, em seus sonhos à humilde paróquia onde ele tinha pregado o evangelho, viu o papa e seus bispos apagando as imagens de Cristo que ele tinha pintado nas paredes de sua capela. A visão causou-lhe grande angústia; mas no dia seguinte ele estava cheio de alegria ao ver muitos artistas ocupados em repor as figuras em maior número e cores mais brilhantes. Quando o trabalho foi concluído, os pintores exclamaram para as multidões imensas ao redor deles, "Agora que venham os papas e bispos! Nunca mais as apagarão!" Disse o reformador enquanto relatava seu sonho, "Tenho certeza de que a imagem de Cristo nunca será apagada. Desejaram destruí-la, mas será pintada em todos os corações por pregadores muito melhores do que eu mesmo."" | p. 3: "Uma noite o santo mártir viu em imaginação das profundezas de seu calabouço as imagens de Cristo que ele tinha pintado nas paredes de seu oratório, apagadas pelo papa e seus bispos. A visão o perturbou; mas no dia seguinte viu muitos pintores ocupados em restaurar essas figuras em maior número e em cores mais brilhantes. Assim que sua tarefa foi concluída, os pintores, que eram cercados por uma multidão imensa, exclamaram, "Agora que venham os papas e bispos! eles nunca mais as apagarão!" ... "Eu não sou um sonhador," respondeu Huss, "mas eu afirmo isto com certeza que a imagem de Cristo nunca será apagada. Desejaram destruí-la, mas será pintada de novo em todos os corações por pregadores muito melhores do que eu mesmo."" |
p. 76: "Os Valdenses sentiram que Deus exigia mais deles do que simplesmente manter a verdade em suas próprias montanhas; que uma responsabilidade solene repousava sobre eles para deixar sua luz brilhar para aqueles que estavam na escuridão; que pelo poderoso poder da palavra de Deus eles deveriam quebrar o cativeiro que Roma tinha imposto. Era uma lei entre eles que todos os que entravam no ministério deveriam, após tomar cargo de uma igreja em casa, servir três anos no campo missionário. Enquanto as mãos dos homens de Deus eram colocadas sobre suas cabeças, os jovens viam diante deles não a perspectiva de riqueza ou glória terrena, mas possivelmente o destino de um mártir. Os missionários começaram seus trabalhos ao pé de suas próprias montanhas, indo dois a dois, como Jesus enviou seus discípulos. Estes companheiros de trabalho nem sempre estavam juntos, mas frequentemente se reuniam para oração e conselho, fortalecendo uns aos outros na fé. Tornar conhecida a natureza de sua missão teria assegurado sua derrota; portanto, eles esconderam seu verdadeiro caráter sob a aparência de alguma profissão secular, mais comumente a de comerciantes ou mascates. Eles ofereciam para venda sedas, joias e outros artigos valiosos, e eram recebidos como comerciantes onde teriam sido rejeitados como missionários. O tempo todo seus corações eram elevados a Deus pela sabedoria de apresentar um tesouro mais precioso do que ouro ou gemas. Eles carregavam consigo porções das Santas Escrituras escondidas em suas roupas ou mercadorias, e sempre que podiam fazer com segurança, eles chamavam a atenção dos habitantes da moradia para esses manuscritos. Quando viam que um interesse era despertado, eles deixavam alguma porção com eles como um presente." | p. 28: "Manter a verdade em suas próprias montanhas não era o único objeto deste povo. Eles sentiram suas relações com o resto da Cristandade. Procuravam impedir a escuridão e reconquistar o reino que Roma tinha oprimido. Eles eram uma igreja evangelística assim como evangélica. Era uma lei antiga entre eles que todos os que tomaram ordens em sua igreja deveriam, antes de serem elegíveis a uma carga em casa, servir três anos no campo missionário. O jovem sobre cuja cabeça os bardos reunidos colocaram suas mãos, viu em perspectiva não um benefício rico, mas um possível martírio. O oceano eles não cruzaram. Seu campo missionário eram os reinos que se estendiam aos pés de suas próprias montanhas. Eles saíram dois a dois, encobrindo seu verdadeiro caráter sob a aparência de uma profissão secular, mais comumente a de comerciante ou mascates. Eles carregavam sedas, joias e outros artigos, que naquela época não eram facilmente comprados senão em mercados distantes, e foram bem-vindos como comerciantes onde teriam sido rejeitados como missionários. A porta da cabana e o portal do castelo do barão estavam igualmente abertos para eles. Mas sua habilidade era principalmente mostrada em vender sem dinheiro e sem preço, mercadorias mais raras e valiosas do que as gemas e sedas que tinham assegurado sua entrada. Eles tiveram o cuidado de carregar consigo escondido entre suas mercadorias ou sobre suas pessoas, porções da Palavra de Deus, sua própria transcrição comumente, e para isso eles chamavam a atenção dos habitantes. Quando eles viam um desejo de possuí-la, eles a ofereceriam livremente como um presente onde os meios de uma compra estavam ausentes." |
Dízimos, Reconstrução e Julgamento: Falibilidade Humana e "Luz Especial"
A carta do Dr. Stewart não se restringiu a questões de autoria ou práticas médicas, mas também adentrou tópicos sensíveis como a distribuição dos dízimos, a reconstrução do Sanatório de Battle Creek e a própria falibilidade da profetisa.
A Questão dos Dízimos: Ellen White havia instruído que ela mesma destinava seu dízimo para "ajudar os ministros brancos e de cor que eram negligenciados e não recebiam o suficiente para sustentar adequadamente suas famílias", afirmando que "foi-me instruído a fazer isso" [Ellen G. White, Montain View, Cal., 22 de janeiro de 1906, carta a Elder ---]. Sua instrução era clara: "No man should give notoriety to the fact that in special cases the tithe was used in that way. I commend those sisters who have placed their tithe where it is most needed to help do a work that is being left undone; and if this matter is given publicity, it will create a knowledge which would better be left as it is" [Ellen G. White, Mountain View, Cal., 22 de janeiro de 1906, carta ao Elder ---].
Stewart questionou a discrição sobre tal prática: "It is quite difficult to understand why you should be so solicitous lest your manner of distributing the tithe should be made public, especially when the Lord instructed you that it was the proper way." [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907]. Ele sugeriu que, se essa prática fosse amplamente conhecida, as pessoas poderiam sentir o privilégio de fazer o mesmo, o que poderia "tornar impossível a manutenção de uma grande 'máquina denominacional'" e reduzir "tantos oficiais a fazerem viagens frequentes para terras distantes e ao redor do mundo" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
A Reconstrução do Sanatório de Battle Creek: A questão da reconstrução do Sanatório de Battle Creek após o incêndio de 1902 foi complexa. Ellen White afirmou que o sanatório havia sido erguido "contra a vontade expressa de Deus" [Ellen G. White, Series B, No. 6, 1904]. No entanto, o Dr. Stewart revelou que a "mensagem crucial" desaconselhando a construção de uma "instituição gigantesca" não havia sido distribuída aos líderes médicos até anos após a reconstrução já estar completa. Ele citou uma carta de uma "ajudante de confiança" de White, datada de 16 de março de 1906, que afirmava que a mensagem "The Burning of the Sanitarium" [datada de 20 de fevereiro de 1902] não foi copiada do manuscrito de White até agosto de 1903 e "nunca foi enviada a ninguém até ser enviada aos impressores para publicação em dezembro de 1905" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
Stewart confrontou essa ocultação: "It is difficult to comprehend why such a vital message as this should have been withheld, and since it was withheld, it is still quite difficult to imagine what good purpose was served by publishing it three years later in Series B, No. 6, especially when a false impression has been created by its appearance in this connection." [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907]. Ele questionou a justiça de criticar os líderes médicos por desconsiderar uma "vontade expressa de Deus" que lhes era desconhecida.
Ele também apontou para a sua própria ignorância sobre o assunto de construções em Chicago: “In the visions of the night a view of a large building was presented to me. I thought that it had been erected and wrote you immediately in regard to the matter. I learned afterwards that the building which I saw had not been put up” (Ellen G. White, Elmshaven, Sanitarium, Cal., 28 de outubro de 1903). Stewart então perguntou: "Since you yourself were ignorant of the facts how can the medical leaders be so severely criticized for failing to recognize a statement so plain as "The Lord has shown me that you have taken money from the Battle Creek Sanitarium to erect buildings in Chicago," when it was known beyond any question of doubt that no building had been erected, and consequently that no money was taken from the Battle Creek Sanitarium for its erection." [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907].
A Falibilidade Pessoal: Por fim, Stewart chamou a atenção para a própria admissão de White sobre sua falibilidade: "My health was poor, and my mental sufferings were beyond description. Under these circumstances, I yielded my judgment to that of others, and wrote what appeared in No. 11 in regard to the Health Institute, being unable then to give all I had seen. In this I did wrong" [Ellen G. White, Testimonies for the Church, Vol. 1, Nos. 1-14, p. 563].
Com base nisso, Stewart questionou: "Since on one occasion, as is stated in Volume 1 of your Testimonies, page 563, you yielded your judgment to that of others and in so doing did wrong, is it not possible that some of your other writings contain matter written while your judgment was influenced by that of others?" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907]. Ele também se perguntou se muitas das "contradições e inconsistências" em seus escritos poderiam ser "devido ao fato de que eles surgem sem sua cuidadosa supervisão" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907], especialmente considerando seus frequentes relatos de exaustão.
Essas observações de Stewart levantam questões fundamentais sobre a natureza da inspiração de Ellen White, a confiabilidade de suas revelações e a responsabilidade que recai sobre quem as aceita como "a voz de Deus".
Implicações e Consequências das Contradições
As questões levantadas pelo Dr. Charles Stewart não eram meras disputas acadêmicas, mas tinham profundas implicações para a vida e a fé dos membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Stewart articulou essas consequências de forma perspicaz, mostrando como a falta de clareza ou a presença de contradições nos "Testemunhos" de Ellen White poderiam minar a confiança dos fiéis e a própria estrutura da denominaçao.
A Liderança Denominacional em Xeque: As instruções contraditórias sobre a obrigatoriedade de contratos ou a natureza denominacional das instituições médicas colocaram os líderes em uma posição impossível. Deviam seguir a instrução anterior ou a mais recente? A qual "luz" divina deveriam aderir? Stewart perguntou: "Under the circumstances what was the duty of the managers of the Sanitarium Medical Missionary Training School? Which instruction should they follow -- that given in 1888 and that published in the General Conference Bulletin in 1893, or that given to Elders ------, ------, ------, in 1903?" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907]. Tais dilemas não apenas criaram confusão, mas também expuseram a liderança a críticas, independentemente de sua decisão.
Integridade Teológica e Ética: A questão do plágio levantada por Stewart era particularmente grave. Se as obras de White continham material extensivamente copiado de outros autores sem devido crédito, a reivindicação de "luz especial de Deus" estava em jogo. A implicação era que a "inspiração" de Ellen White poderia, em parte, vir de suas leituras e não apenas de revelação divina direta, como a apresentação de "Sketches from the Life of Paul" como "luz preciosa dada através do 'Espírito de Profecia'" [L. Johnson, Aurora, 25 de julho, 1883] faria parecer. Isso não só afetava a autoridade de seus escritos, mas também a integridade intelectual da denominação.
Fidelidade às Escrituras versus "Testemunhos": Talvez a implicação mais crítica fosse o impacto na prática da fé. Stewart observou que, entre os Adventistas do Sétimo Dia na época, a pergunta "Você crê nos testemunhos?" havia suplantado "Você crê no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal?" [Dr. Charles Stewart, Carta a Ellen G. White, 8 de maio de 1907]. Ele argumentou que essa mudança tornava a Bíblia "não mais a fundação da fé da maioria dos Adventistas do Sétimo Dia" e resultava na "desassociação" daqueles que não podiam dar uma resposta afirmativa incondicional aos "Testemunhos". Isso representa uma clara advertência contra qualquer fonte de autoridade que rivalize ou suplante a primazia da Palavra de Deus em João 5:39 e 2 Timóteo 3:16.
Romanos 13:1 adverte: "Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas." Stewart utilizou essa passagem para questionar a ordem de White de que o Sanatório de Battle Creek enviasse fundos para a Austrália, especialmente quando a carta constitutiva do Sanatório estipulava que "todos os fundos da dita Corporação serão fiel e exclusivamente usados para seus propósitos, conforme estabelecido em seus artigos, e o mesmo será totalmente usado dentro do Estado [de Michigan]" [4595 --- --- Sec. 6. 3303]. A obediência à "luz especial" de White poderia ter levado à violação da lei.
Uma Cháve para o Entendimento da Inspiração
A carta do Dr. Charles Stewart a Ellen White, datada de 8 de maio de 1907, é um documento notável que oferece um vislumbre das tensões intelectuais e teológicas dentro do Adventismo do Sétimo Dia no início do século XX. Respondendo a um convite direto de White para que as "perplexidades" fossem apresentadas, Stewart compilou uma série de perguntas incisivas que apontavam para aparentes contradições em seus escritos, bem como para a questão da originalidade de suas obras.
Stewart questionou a autoidentificação de White como "mensageira" em vez de "profetisa" em contraste com sua reivindicação de ter o "poder especial de Deus", a inversão de instruções sobre contratos de trabalho e a natureza denominacional das instituições, e as mudanças na posição de White sobre a fé do Dr. Kellogg e o uso de produtos lácteos. Mais importante, ele apresentou evidências de extensa semelhança textual entre as obras de White e as de outros autores contemporâneos, levantando a questão do plágio não creditado e como isso se alinhava com a fonte de sua "luz especial".
As implicações dessas "perplexidades" eram profundas. Elas desafiavam a consistência da orientação divina, a integridade teológica da denominação, e a autoridade que os escritos de White exerciam sobre os crentes. A observação de Stewart de que a pergunta "Você crê nos testemunhos?" havia substituído "Você crê no Senhor Jesus Cristo como seu Salvador pessoal?" na igreja de seu tempo é uma crítica poderosa, lembrando que nenhuma fonte de sabedoria deve ofuscar a primazia de Cristo e da Escritura (Colossenses 2:8; 1 Coríntios 2:5).
Embora Stewart concluísse que White era uma "mensageira falível do Senhor" que havia fornecido "coisas que são completa e genuinamente saudáveis e boas", ele buscou clareza e honestidade. Sua carta se mantém como um testemunho da importância de submeter todas as declarações, mesmo as que se dizem "inspiradas", ao escrutínio da verdade e da razão, em conformidade com as Escrituras, a Palavra inerrante de Deus. A verdade revelada na Bíblia João 14:6: "Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim." deve ser nosso único fundamento.
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