
Quando os Pioneiros Adventistas Negaram Paulo: A Batalha Contra Colossenses 2:16-17
Se o sábado semanal fosse mandamento moral, eterno e universal como o "não matarás" ou "não adulterarás", Paulo jamais diria "ninguém vos julgue" por causa dele. Imagine o apóstolo dizendo: "Ninguém vos julgue por causa de adultério ou assassinato". Seria absurdo. O fato de Paulo colocar o sábado na categoria de coisas sobre as quais cristãos não devem ser julgados revela sua natureza cerimonial e temporária.
Colossenses 2:16–17 representa um dos maiores desafios teológicos para a doutrina adventista do sábado. Paulo escreve de forma cristalina: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo."
A fórmula que Paulo usa — "festas, lua nova e sábados" — aparece repetidamente no Antigo Testamento, sempre referindo-se ao ciclo completo de observâncias: anuais (festas), mensais (lua nova) e semanais (sábados). Essa tríade aparece em 1 Crônicas 23:31, 2 Crônicas 2:4, 2 Crônicas 31:3, Neemias 10:33, Isaías 1:13-14, Ezequiel 45:17, Oséias 2:11, e em cada ocorrência inclui o sábado semanal.
Mais devastador ainda é Paulo afirmar que essas coisas "são sombras das coisas futuras". Sombras, por definição, apontam para realidades vindouras. Quando a realidade chega — e Paulo afirma categoricamente que "o corpo é de Cristo" — a sombra cumpriu seu propósito. Hebreus 4:9–10 ensina que há um descanso sabático que resta para o povo de Deus, mas esse descanso não é temporal, é espiritual: "Aquele que entrou no seu repouso, também ele mesmo repousou de suas obras, como Deus das suas."
Se o sábado semanal fosse mandamento moral, eterno e universal como o "não matarás" ou "não adulterarás", Paulo jamais diria "ninguém vos julgue" por causa dele. Imagine o apóstolo dizendo: "Ninguém vos julgue por causa de adultério ou assassinato". Seria absurdo. O fato de Paulo colocar o sábado na categoria de coisas sobre as quais cristãos não devem ser julgados revela sua natureza cerimonial e temporária.
Mas Ellen White e os pioneiros adventistas sabiam que se Colossenses 2:16–17 incluísse o sábado semanal, toda a estrutura teológica adventista desmoronaria. Então fizeram o que toda tradição religiosa faz quando a Escritura contradiz sua doutrina: reinterpretaram o texto para que dissesse o oposto do que afirma.
Ellen White: "Esses São os Sábados Anuais, Não o Sábado Semanal"
Ellen White enfrentou Colossenses 2:16 diretamente em vários de seus escritos, e sua estratégia foi consistente: afirmar sem evidência que Paulo estava falando apenas de sábados cerimoniais anuais, não do sábado do sétimo dia.
Em "Spiritual Gifts" (Dons Espirituais), volume 1, publicado em 1858, Ellen White escreveu:
"Mas os sábados do Senhor, instituídos no Éden, não foram dados para serem abolidos com a lei cerimonial. O sábado semanal permanece imutável, enquanto os sábados anuais foram abolidos com a lei cerimonial."
Ela reafirma essa posição em "O Grande Conflito" (1888), onde escreve:
"Em Colossenses 2:14-17, Paulo descreve claramente a que lei se referia. Ele fala dos 'dias de festa, da lua nova e dos sábados que são sombras das coisas futuras'. O sábado semanal não está incluído nesta lista. Este foi instituído no Éden e não foi sombra de nada, mas memorial da criação de Deus."
O problema é que Paulo não fez essa distinção. Ellen White a inventou.
Tiago White: Reescrevendo a Gramática de Paulo
Tiago White, esposo de Ellen e cofundador da denominação adventista, publicou extensos artigos defendendo que Colossenses 2:16 se referia exclusivamente a sábados cerimoniais.
No periódico "Review and Herald" de 3 de junho de 1852, Tiago White argumentou:
"A palavra 'sábados' em Colossenses 2:16 é plural e refere-se aos muitos sábados cerimoniais do sistema levítico, não ao único sábado do quarto mandamento. Se Paulo quisesse incluir o sábado semanal, teria usado o singular."
Este argumento é linguisticamente falso. O grego "sabbaton" (σάββατον) é usado tanto no singular quanto no plural para referir-se ao sábado semanal em todo o Novo Testamento. Em Mateus 28:1, a frase "no fim dos sábados" (opse sabbaton, plural) claramente refere-se ao sábado semanal, não a festivais anuais. Em Atos 17:2, Paulo "por três sábados" (sabbata tria, plural) discutiu com judeus na sinagoga — obviamente sábados semanais.
A gramática não sustenta a distinção que Tiago White tentou criar.
J. N. Andrews: Criando Categorias Não-Bíblicas
J. N. Andrews, considerado o teólogo mais erudito entre os pioneiros adventistas, publicou em 1873 o livro "History of the Sabbath and First Day of the Week" (História do Sábado e do Primeiro Dia da Semana), onde dedicou capítulos inteiros a refutar a ideia de que Colossenses 2:16 incluía o sábado semanal.
Andrews escreveu:
"Há dois tipos de sábados na Bíblia: o sábado do Senhor do quarto mandamento, que é perpétuo e moral; e os sábados das festas anuais, que eram sombras cerimoniais. Paulo em Colossenses 2:16 claramente se refere apenas aos últimos, pois ele os chama de 'sombras'. O sábado semanal não é sombra de nada, mas memorial perpétuo."
Mas Paulo não criou essa divisão. Ela é teologicamente artificial. Se o sábado semanal "não é sombra de nada", por que Êxodo 31:13 afirma que o sábado é "sinal entre mim e vós... para que saibais que eu sou o SENHOR que vos santifica"? Um sinal aponta para algo além de si mesmo. Por que Êxodo 31:17 diz que o sábado é "sinal para sempre... porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra"? O sábado aponta para Deus como Criador e Santificador.
Além disso, a fórmula usada por Paulo — "festas, lua nova, sábados" — aparece textualmente em 2 Crônicas 2:4, onde Salomão descreve as ofertas contínuas do templo: "Eis que estou para edificar uma casa ao nome do SENHOR meu Deus... para os holocaustos da manhã e da tarde, dos sábados, das luas novas e das festividades do SENHOR nosso Deus."
Essa tríade não separa sábados "cerimoniais" de sábados "morais". É uma fórmula litúrgica que abrange todo o sistema de tempos sagrados de Israel: festivais anuais, observâncias mensais e o sábado semanal.
Uriah Smith: Ignorando o Contexto de Colossenses
Uriah Smith, editor de longa data da "Review and Herald" e prolífico escritor adventista, defendeu em 1897 no livro "Looking Unto Jesus" (Olhando para Jesus):
"Colossenses 2:16 não pode incluir o sábado semanal porque Paulo está discutindo a lei cerimonial que foi 'cravada na cruz' (v. 14). O sábado do quarto mandamento não foi cravado na cruz, pois pertence à lei moral dos Dez Mandamentos."
Mas Paulo não faz essa separação em Colossenses 2. Quando ele fala de "riscando a cédula que era contra nós nas suas ordenanças" (v. 14), adventistas assumem que isso se refere apenas à lei cerimonial. Mas Paulo usa a palavra grega "dogmasin" (ordenanças, decretos), que em Efésios 2:15 ele aplica à "lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças" — referindo-se à totalidade da lei mosaica.
O contexto de Colossenses 2 é claro: Paulo está combatendo falsos mestres que estavam impondo observâncias judaicas aos cristãos gentios. Ele declara que esses regulamentos — incluindo alimentos, bebidas, festivais, luas novas e sábados — são sombras, e que a realidade (o corpo) é Cristo.
A Fórmula do Antigo Testamento: Evidência Inegável
A defesa adventista de que "sábados" em Colossenses 2:16 refere-se apenas a festivais anuais desmorona quando examinamos como essa fórmula é usada consistentemente no Antigo Testamento.
1 Crônicas 23:31 — "E para cada oferta dos holocaustos do SENHOR, nos sábados, nas luas novas e nas solenidades."
2 Crônicas 31:3 — "Também estabeleceu a parte da fazenda do rei para os holocaustos, para os holocaustos da manhã e da tarde, e para os holocaustos dos sábados, das luas novas e das festividades."
Neemias 10:33 — "Para os pães da proposição, e para a contínua oferta de manjares, e para o contínuo holocausto dos sábados, das luas novas, para as festividades."
Isaías 1:13-14 — "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das congregações... As vossas luas novas e as vossas solenidades a minha alma as odeia."
Oséias 2:11 — "E farei cessar todo o seu gozo, as suas festas, as suas luas novas, e os seus sábados, e todas as suas solenidades."
Em cada passagem, a tríade "festas/luas novas/sábados" inclui o sábado semanal como parte do sistema litúrgico de Israel. Não há uma única passagem no Antigo Testamento onde essa fórmula exclua o sábado do sétimo dia.
Paulo, judeu educado aos pés de Gamaliel, conhecia perfeitamente essa linguagem. Quando ele usa a mesma fórmula em Colossenses 2:16, não está criando uma categoria nova. Está citando a terminologia padrão do Antigo Testamento.
A Verdadeira Questão: Sombra Versus Realidade
O argumento central de Paulo em Colossenses 2 não é sobre qual tipo de sábado está sendo discutido. É sobre a relação entre sombra e realidade.
Paulo escreve: "Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo" (v. 17).
Sombras existem enquanto a luz não atingiu diretamente o objeto. Quando o sol nasce completamente, a sombra desaparece. Paulo está dizendo que todas essas observâncias — alimentos, bebidas, festivais, luas novas, sábados — eram sombras projetadas por uma realidade vindoura: Cristo.
Hebreus 10:1 confirma: "Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam."
Ellen White tentou resolver esse dilema teológico afirmando que o sábado semanal "não era sombra de nada, mas memorial". Mas Paulo não faz essa exceção. Ele coloca o sábado na mesma categoria que festivais e luas novas: coisas que eram sombras.
Se o sábado era perpétuo, moral e obrigatório para cristãos, Paulo cometeu um erro grave ao dizer "ninguém vos julgue" por causa dele. Seria como dizer "ninguém vos julgue por causa de adultério ou assassinato".
Mas se o sábado era sombra — apontando para o descanso verdadeiro que viria em Cristo — então faz perfeito sentido Paulo libertar cristãos gentios da obrigação de observá-lo.
O Descanso Verdadeiro: Não um Dia, Mas uma Pessoa
Jesus ofereceu o convite mais claro sobre o verdadeiro descanso em Mateus 11:28: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei."
O descanso não está em guardar um dia específico. O descanso está em vir a Cristo.
Hebreus 4:9–10 ensina: "Portanto, resta um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no seu repouso, também ele mesmo repousou de suas obras, como Deus das suas."
O autor de Hebreus não está dizendo que cristãos devem guardar o sábado semanal. Ele está dizendo que há um descanso espiritual — cessar de confiar em obras humanas e descansar na obra consumada de Cristo — que é a realidade para a qual o sábado apontava.
Quando Jesus disse "está consumado" na cruz (João 19:30), a obra de salvação foi completada. Não há mais sombras a observar. Não há mais dias a guardar para merecer favor divino. Não há mais rituais a cumprir para provar lealdade.
Paulo sabia disso. É por isso que ele escreveu em Romanos 14:5–6: "Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz."
A Tragédia do Legalismo Sabático
Ellen White e os pioneiros adventistas fizeram algo trágico: transformaram um memorial de descanso em um jugo de escravidão. Pegaram o que Paulo declarou ser sombra e o tornaram teste de salvação. Converteram o que Cristo cumpriu em obrigação perpétua.
Em "O Grande Conflito", Ellen White chegou a afirmar que a observância do domingo no fim dos tempos seria a "marca da besta", enquanto a observância do sábado seria o "selo de Deus". Ela transformou dias da semana em questões de vida eterna ou morte eterna.
Isso não é evangelho. É legalismo.
Paulo advertiu os gálatas que estavam voltando a observar dias especiais: "Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco" (Gálatas 4:10–11).
A insistência adventista no sábado como mandamento obrigatório é exatamente o tipo de ensino que Paulo combateu veementemente no primeiro século. É trocar a obra consumada da cruz por uma sombra que já cumpriu seu papel.
Conclusão: Abraçando a Liberdade que Cristo Oferece
Colossenses 2:16–17 é claro, direto e libertador: "Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo."
Ellen White e os pioneiros adventistas negaram a clareza de Paulo porque aceitá-la significaria desmantelar a doutrina central de sua denominação. Mas a verdade permanece: em Cristo, o descanso não é um dia. É uma Pessoa.
Você não precisa guardar o sábado para ser salvo. Você não precisa observar dias especiais para ter favor divino. Você não precisa carregar o jugo de regulamentos que Paulo declarou serem sombras.
Cristo é sua realidade. Cristo é seu descanso. Cristo é suficiente.
"Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão" (Gálatas 5:1).
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Referências Bibliográficas
Colossenses 2:16–17. Bíblia.
Colossenses 2:16. Bíblia.
Colossenses 2. Bíblia.
1 Crônicas 23:31. Bíblia.
2 Crônicas 2:4. Bíblia.
2 Crônicas 31:3. Bíblia.
Neemias 10:33. Bíblia.
Isaías 1:13-14. Bíblia.
Ezequiel 45:17. Bíblia.
Oséias 2:11. Bíblia.
Hebreus 4:9–10. Bíblia.
WHITE, Ellen (1858). Spiritual Gifts.
WHITE, Ellen (1888). O Grande Conflito.
Colossenses 2:14. Bíblia.
Mateus 28:1. Bíblia.
Atos 17:2. Bíblia.
ANDREWS, J. N. (1873). History of the Sabbath and First Day of the Week.
Colossenses 2:17. Bíblia.
Êxodo 31:13. Bíblia.
Êxodo 31:17. Bíblia.
Smith, Uriah (1897). Looking Unto Jesus.
Efésios 2:15. Bíblia.
Hebreus 10:1. Bíblia.
Mateus 11:28. Bíblia.
João 19:30. Bíblia.
Romanos 14:5–6. Bíblia.
Gálatas 4:10–11. Bíblia.
Gálatas 5:1. Bíblia.