Erros Teológicos

Zombando do tormento eterno na cara de Cristo

O jornal zomba do tormento eterno como imortal-soulismo chegado à semente: doutrina bíblica? Nunca, nunca!. Mas foi o próprio Cristo quem ensinou o castigo eterno em Mateus 25:46.

Por Rodrigo Custódio ·

Zombando do tormento eterno na cara de Cristo

O momento

Na quinta-feira, 21 de outubro de 1880, o Signs of the Times de Oakland, na Califórnia — vol. 6, nº 39 — trazia na página 461 o artigo "A doutrina horrível", assinado pelo ancião D. T. Taylor. O título já anuncia o programa: tratar a doutrina do tormento eterno não como erro a refutar, mas como horror a expor ao ridículo.

O método do artigo é a caricatura. Taylor transcreve longos trechos de "Visão do Inferno", livro do padre Furniss recomendado para crianças em escolas dominicais católicas: "Um vestido de fogo" — uma moça com vestido, touca e corpo em chamas; "Um menino fervendo" — o sangue fervendo nas veias, o cérebro borbulhando na cabeça; "Bebê assado" — um bebê num forno em brasa, batendo os pezinhos no chão do forno, com o desespero estampado no rosto. Descrições grotescas, feitas para assustar crianças.

Depois de exibir as cenas, o artigo encerra com uma citação do periódico Bible Banner, adotada como veredito final: "Mas basta. Aqui temos o imortal-soulismo e o sofrimento sem fim chegados à semente. Isso é doutrina bíblica? Nunca, nunca!" A zombaria é selada com duplo "nunca" — sem exegese, sem texto bíblico, apenas escárnio apresentado como argumento.

Note-se com honestidade: o "Nunca, nunca!" é frase do Bible Banner, não de Taylor. Mas Taylor a cita aprovando-a como fecho do seu artigo, e o Signs of the Times a publica como sua. A zombaria é endossada pela publicação — o jornal ri junto, e o riso é a refutação.

Aquarela do interior abandonado de uma capela com bancos vazios

Interior abandonado de capela de madeira com bancos vazios — ilustração atmosférica.

O absurdo

Zombar da doutrina do castigo eterno atacando a sua caricatura mais grotesca. Em vez de enfrentar as palavras de Cristo sobre o juízo, o artigo exibe as fantasias mórbidas de um livro infantil católico — e ri. O "chegados à semente" trata o tormento eterno como relíquia apodrecida, coisa de que gente esclarecida já não fala. E o duplo "Nunca, nunca!" dispensa a prova: o escárnio substitui a Escritura. Eis o fecho do artigo, com as palavras exatas do impresso — o método inteiro do texto: trocar a exegese pelo escárnio:

"Mas basta. Aqui temos o imortal-soulismo e o sofrimento sem fim chegados à semente. Isso é doutrina bíblica? Nunca, nunca! — Bible Banner."

Fonte: Signs of the Times, vol. 6, nº 39, 21 de outubro de 1880 — p. 461.

Recorte grifado da página impressa com o trecho citado

Recorte grifado da página impressa com o trecho citado, edição de 21 de outubro de 1880, p. 461.

Por que isso é grave

A tática é desonesta: ridicularizar a versão mais tosca para derrubar a doutrina verdadeira. Ninguém defende o "bebê assado" do padre Furniss como teologia — mas o artigo finge que, rindo do livro infantil, refutou o castigo eterno. É o espantalho clássico: constrói-se um inferno de desenho animado, incendeia-se o boneco e declara-se vitória sobre a doutrina. As palavras de Cristo sobre o juízo sequer entram em cena — o jornal prefere brigar com o padre.

O rótulo "imortal-soulismo" é o segundo truque. Transformar a doutrina num "-ismo" de nome estrangeiro faz o leitor sentir que se trata de filosofia importada, não de ensino bíblico. Mas o castigo eterno não nasceu de nenhum "-ismo": nasceu dos lábios de Jesus. Rotular não refuta; apenas desqualifica por associação, dispensando o trabalho de abrir a Bíblia.

E o duplo "Nunca, nunca!" revela o vazio do argumento. Uma refutação séria mostraria textos, contexto, exegese. O artigo mostra cenas de terror infantil e encerra com uma gargalhada tipográfica. Quando o escárnio substitui a Escritura, o leitor não foi convencido — foi apenas treinado a rir no lugar de examinar. Rir é mais fácil que estudar; o jornal escolheu o caminho fácil.

O mais grave, porém, é o alvo real da zombaria. O artigo não ri apenas do padre Furniss — ri da doutrina que Cristo ensinou com solenidade. "Nunca, nunca!" é doutrina bíblica, diz o jornal. Mas foi o próprio Jesus quem disse: "irão estes para o castigo eterno" (Mt 25:46). Zombar do tormento eterno é zombar na cara de Cristo — e o "Nunca, nunca!" do jornal colide de frente com o "em verdade vos digo" do Senhor.

Gravura de assoalho de madeira coberto de sementes secas

Assoalho de madeira coberto de sementes secas num prédio abandonado — ilustração atmosférica.

O veredito das Escrituras

Mateus 25:46 registra as palavras do próprio Cristo: "E irão estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna". O mesmo adjetivo — "eterno" — qualifica o castigo e a vida, na mesma frase, na mesma boca. Quem nega a eternidade do castigo, pela lógica do versículo, nega a eternidade da vida. Não há como manter uma e descartar a outra sem rasgar a frase de Jesus ao meio.

Apocalipse 20:10 confirma: os condenados "serão atormentados dia e noite para todo o sempre". E Apocalipse 14:11: "a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite". Dia e noite, sem repouso, para todo o sempre — a Bíblia não deixa margem para o "nunca" do jornal. A doutrina não depende do padre Furniss nem de nenhum "-ismo": está escrita em preto e branco no último livro da Bíblia.

Jesus repetiu o ensino com solenidade em Marcos 9:43-48: "onde o seu verme não morre, e o fogo nunca se apaga" — três vezes na mesma passagem, como quem grava a verdade na memória dos ouvintes. Não é descrição de livro infantil; é o Senhor descrevendo o destino dos que rejeitam a Deus. Diante disso, o "chegados à semente" do jornal soa como o que é: escárnio diante da solenidade de Cristo.

A pergunta do Bible Banner — "Isso é doutrina bíblica?" — tem resposta, e ela vem da boca de Jesus: sim. Sim, o castigo é eterno; sim, o tormento é consciente; sim, foi Cristo quem o ensinou. O "Nunca, nunca!" do jornal é, portanto, um "nunca" dito contra o "em verdade vos digo" do Filho de Deus. Entre os dois, o crente escolhe: ou ri com o jornal, ou treme com a Palavra — e crê no que Cristo disse.

Leia o próximo absurdo da série →