IASDIASD
    As cinco piores afirmações escatológicas de Michelson Borges
    Michelson Borges

    As cinco piores afirmações escatológicas de Michelson Borges

    Michelson Borges, pastor e jornalista adventista, tem utilizado um quadro profético histórico‑literal clássico para interpretar os eventos políticos recentes nos Estados Unidos à luz de Apocalipse 13. No entanto, ao transformar a Bíblia em um “mapa geopolítico” do fim do mundo, ele acaba distorcendo o foco bíblico da salvação em Cristo, reforçando a herança teológica de Ellen G. White e criando uma ansiedade escatológica completamente falsa.

    February 17, 202610 min min readBy Rodrigo Custódio

    Michelson Borges, pastor e jornalista adventista, tem utilizado um quadro profético histórico‑literal clássico para interpretar os eventos políticos recentes nos Estados Unidos à luz de Apocalipse 13. No entanto, ao transformar a Bíblia em um “mapa geopolítico” do fim do mundo, ele acaba distorcendo o foco bíblico da salvação em Cristo, reforçando a herança teológica de Ellen G. White e criando uma ansiedade escatológica desbordante.

    • Michelson Borges, pastor e jornalista adventista, tem utilizado um quadro profético histórico‑literal clássico para interpretar os eventos políticos recentes nos Estados Unidos à luz de Apocalipse 13. No entanto, ao transformar a Bíblia em um “mapa geopolítico” do fim do mundo, ele acaba distorcendo o foco bíblico da salvação em Cristo, reforçando a herança teológica de Ellen G. White e criando uma ansiedade escatológica desbordante.

      Abaixo estão as cinco das piores afirmações contidas em sua exposição atual, seguidas de refutações bíblicas objetivas, mostrando como cada ponto não se sustenta à luz de Escritura, mesmo que se alinhe com a visão de Ellen White.


    1. Identificação dogmática dos Estados Unidos como a besta de dois chifres de Apocalipse 13.11

    Ideia de Michelson Borges (reconstituição fiel):
    Ele afirma que o “poder de dois chifres que parece cordeiro, mas fala como dragão” (Ap 13.11) é, sem dúvida, a nação dos Estados Unidos: uma República nascida com liberdade religiosa e separação entre Igreja e Estado, mas que, conforme a profecia, ganhará destaque central nos eventos finais, unindo fé e política.

    Refutação bíblica contundente:

    • Apocalipse não identifica a segunda besta com um país específico, nem sequer menciona “Estados Unidos”, “paz mundial”, “poder político moderno” ou “democracia”. O texto fala de um poder que “parece cordeiro, mas fala como dragão” (Ap 13.11), que exerce autoridade em nome da primeira besta e obriga a adoração à imagem dela (Ap 13.14–15).

    • O foco aqui é um poder religioso‑político, mas não nacionalista moderno como se entende hoje “EUA”. A Bíblia apresenta a besta de dois chifres como um sistema religioso‑político que exerce falsos sinais (versículos 13–14), e não uma “democracia cristã” específica.

    • Jesus, em Mateus 24, falando da “abominação da desolação” e de sinais de fim, não dá um “mapa de potências”, mas adverte: “Não creiais, nem sejais enganados” (Mt 24.4,5) e “o fim não é ainda” (v. 6). A Bíblia não dá um “decode” geopolítico, mas chama à fidelidade, oração e vigilância.

    Portanto, transformar uma nação moderna em símbolo profético obrigatório é um passo além do que o texto bíblico exige, e cria um esquema que pode ser facilmente desmontado pela história política. [Mt 24.4–14; Ap 13.11–15]


    2. A união governamental e religiosa como sinal de aproximação de Apocalipse 13

    Ideia de Michelson Borges:
    Ele afirma que, em apenas 12 meses, o governo de Trump criou ou reforçou três órgãos federais ligados à fé, o que caracteriza uma institucionalização clara entre governo e religião. A partir disso, conclui:
    “Quando governo e religião se aproximam institucionalmente, quando a linguagem espiritual se torna instrumento de mobilização política, quando o discurso de proteção pode, em determinado momento, converter-se em pressão moral e legislativa, é prudente vigiar. À luz de Apocalipse 13, é impossível ignorar que a união progressiva entre poder civil e autoridade religiosa sempre antecedeu períodos de coerção de consciência.”

    Refutação bíblica contundente:

    • A Bíblia não liga a chegada da besta ou do fim a um “pêndulo político” entre esquerda e direita, woke vs conservador, ou liberdade religiosa vs perseguição.

    • Em vez disso, Jesus alerta contra o perigo de falso profeta, falsa paz, falsos sinais e falsos cristos, que surgem antes da vinda gloriosa, mas não num modelo de “governo religioso dos EUA”.

      • “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor… Se o dono da casa soubesse a que hora da noite havia de vir o ladrão, vigiaria” (Mt 24.42,43).

      • O perigo é o falso cristianismo, que aparece com sinais e maravilhas (Mt 24.24), não a mera aproximação de política e religião.

    • A união de fé e poder tem sido um tema histórico desde Babilônia, Roma, Bizâncio e outros reinos, o que mostra que união de fé e Estado não é um sinal exclusivo de fim de mundo, mas de condição humana caída.

    • A Bíblia chama a testemunhar Jesus com clareza, sem buscar “decifrar o tempo” por meio de manchetes (Ap 1.2,9).

    Assim, transformar a aliança governamental religiosa atual em “sinal claro de Apocalipse 13” é uma leitura que depende de pressupostos historicistas, e não de um texto bíblico claro e inequívoco. [Mt 24.4–28; Ap 1.1–9]


    3. A ideia de “decreto dominical” como marco escatológico obrigatório

    Ideia de Michelson Borges (reconstituição de sua herança teológica):
    Ele reforça, em outros vídeos e artigos, a ideia de que, antes da volta de Cristo, haverá um decreto religioso dominical, impulsionado por alianças religiosas e civis, que levará ao controle de quem compra e vende (Ap 13.16–17) e à perseguição aos que não adoram o sistema da besta, especialmente os guardadores do sábado.

    Refutação bíblica contundente:

    • Apocalipse não menciona “domingo” nem “sábado” em Apocalipse 13. O texto fala de marca na mão ou na fronte, de negociação, de adoração à imagem da besta, mas não vincula explicitamente a marca ao dia de Deus ou a uma lei de descanso civil.

    • A Bíblia apresenta a marca da besta como símbolo de lealdade apostásica ao sistema de poder anticristão, não como um “teste de obediência a um dia específico”.

      • A atenção central é a fidelidade a Cristo (Ap 14.12).

    • A instituição do dia de descanso, para o Novo Testamento, é um princípio, mas não uma lei de identidade de salvação, como o Antigo Testamento a via para Israel.

      • O próprio Cristo: “o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27).

    • O texto bíblico mais claro sobre a marca da besta insiste na lealdade ao Cordeiro versus adoração ao dragão, e não num código civil de dias de adoração. [Ap 13.11–18; Ap 14.9–12; Mc 2.27; Cl 2.16–17]

    Por isso, eleva‑se a um tema secundário (guardar o sábado versus decreto dominical) a um lugar central na salvação, algo que a Bíblia não faz. A marca da besta torna‑se uma questão de lealdade ao sistema de poder anticristão, e não de calendário litúrgico.


    4. A perseguição religiosa como “ponto de virada” profético

    Ideia de Michelson Borges (reconstrução a partir de sua linha teológica geral):
    Ele apresenta a perseguição aos cristãos, especialmente os que resistem ao sistema dominical, como um marco inevitável antes da volta de Cristo, quando leis são impostas, direitos civis revogados e a morte legalizada para quem desobedece a um decreto religioso.

    Refutação bíblica contundente:

    • A Bíblia anuncia que haverá perseguição, mas não a vincula a um decreto dominical específico, nem a um calendário de “antes do fim, depois de 1922, depois de 1798, depois de 1844, etc.”

      • “Bem‑aventurados sois, quando por minha causa vos aperceberem de vitupérios, de perseguições e de toda sorte de calúnia” (Mt 5.11).

      • “Naquele tempo, o que estiver sobre o eirado, não desça para tirar coisa alguma de sua casa” (Mt 24.17) – isso descreve perseguição, não decreto dominical.

    • O texto sobre a segunda besta (Ap 13.11–17) fala de morte para quem não adora a imagem da besta, mas não vincula essa morte a um mandamento de Dia de Descanso.

    • A Bíblia mostra que a perseguição é uma realidade contínua, não apenas um sinal de fim de mundo, senão muitos cristãos que já morreram em perseguição viviam “fora de tempo”.

    • O texto bíblico final sobre a perseguição destaca a fé, a perseverança e a fé em Cristo, não um código de dias de culto. [Rm 8.36–39; Ap 12.11; Ap 13.7–17]

    Portanto, transformar a perseguição religiosa em um cenário dominical‑sábado‑decreto é uma construção teológica adicional, não um dado bíblico claro.


    5. O “relógio profético” acelerado e a tensão escatológica permanente

    Ideia de Michelson Borges:
    Em seu texto e vídeo, ele repete a ideia de que o “pêndulo social” entre esquerda e direita, a cultura “woke”, o avanço do conservadorismo religioso, o projeto 2025, o “domingo ecológico”, etc., aceleram o relógio profético. Conclui:
    “O pêndulo social continua se movendo. A pergunta é: para onde ele nos levará? Para quem lê a Bíblia, o desfecho da história já está revelado. Antes da volta de Cristo, haverá um tempo em que fé e política se entrelaçarão de maneira decisiva. O que vemos hoje pode não ser o clímax, mas certamente parece preparação. E preparação é exatamente o que a profecia sempre anunciou.”

    Refutação bíblica contundente:

    • A Bíblia não apresenta um “relógio profético” que é “acelerado” por turnos políticos, pautas de esquerda, dogmas de direita, nem por acordos religiosos‑políticos.

      • Jesus declara: “Do dia e hora ninguém sabe” (Mt 24.36) e “o dia do Senhor virá como o ladrão de noite” (1Ts 5.2).

    • A ênfase bíblica não é saber “em que minuto estamos no relógio profético”, mas viver como se Cristo pudesse voltar a qualquer momento.

      • “Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor” (Mt 24.42).

      • “Ora, o tempo de Deus, que é o da misericórdia, não é para que o homem aproveite” (1Co 6.13; 2Co 6.2).

    • A Bíblia não liga a proximidade do fim a um “pêndulo arco‑flecha”: progressismo hardcore → reação conservadora → conservadorismo religioso dominante → decreto dominical → fim.

      • Nem mesmo o texto de Daniel 11, usado por alguns para “preencher a linha do tempo”, é apresentado por Jesus como um calendário exato, mas como um quadro de guerras e reis.

    • O perigo aqui é transformar a fé em ansiedade profética constante: a ideia de que “cada movimento político é um passo no relógio profético” desvia a atenção da cruz, da santificação, da evangelização, para um clima de medo e especulação. [Mt 24.36–44; 1Ts 5.1–6; 2Pe 3.9–10]


    A Bíblia não é um manual de geopolítica, mas um livro de salvação

    Michelson Borges, ao alinhar seus comentários com a visão historicista de Ellen G. White, apresenta uma leitura coesa, mas excessivamente específica, que transforma a Bíblia em um manual de leitura dos eventos mundiais à luz de um modelo teológico.

    A Bíblia, por outro lado, não:

    • identifica a besta de dois chifres com os EUA,

    • não fala de “domingo” ou “sábado” em Apocalipse 13,

    • não vincula a marca da besta a um decreto dominical,

    • não apresenta um “relógio profético” acelerado por políticas de esquerda ou direita, nem

    • reduz a consumação da história a um cenário religioso civil de sábado vs domingo.

    A Bíblia:

    • apresenta a volta de Cristo como imprevisível,

    • destaca a lealdade ao Cordeiro, o testemunho, a perseverança, a oração e a fé,

    • insiste que a salvação não depende de um calendário geopolítico, mas de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo.

    Portanto, a mensagem de “fieis, testemunhais, evangelizais, orai, sois justiça de Cristo” (1Co 1.30; 2Co 5.21; Ap 14.6–12) permanece firme, ainda que o cenário político e religioso do mundo mude.


    Referências

    • Michelson Borges, artigo blog “Estados Unidos e Apocalipse 13: estamos vendo os primeiros movimentos proféticos?” (blog Outra Leitura, 13/02/2026).

    • Michelson Borges, vídeo “Are we witnessing the first prophetic movements?” (YouTube, 12/02/2026).​

    • Michelson Borges, artigo “Embate esquerda x direita: o relógio profético foi acelerado” (blog Outra Leitura, 16/09/2025).​

    • Michelson Borges, série de estudos sobre Apocalipse 13 (Apocalyptic Doses, “The Beast of the Earth”).​

    • Ellen G. White, texto sobre o poder de dois chifres e os EUA, vide síntese em artigo acadêmico: “Interpretation of Revelation 13 in the writings of Ellen White” (DOAJ).​

    • Ellen G. White, devocional oficial “The United States in Prophecy, July 4”, Ellen White Estate.​

    • Ellen G. White, Last Day Events, White Estate.​

    • Ellen G. White, Early Writings, 282–283.​

    • Ellen G. White, The Great Controversy, 5:451, citado em LDE 129.3.​

    Related Articles

    View all
    Advanced

    Categories