As cinco piores afirmações escatológicas de Michelson Borges
Michelson Borges, pastor e jornalista adventista, tem utilizado um quadro profético histórico‑literal clássico para interpretar os eventos políticos recentes nos Estados Unidos à luz de Apocalipse 13. No entanto, ao transformar a Bíblia em um “mapa geopolítico” do fim do mundo, ele acaba distorcendo o foco bíblico da salvação em Cristo, reforçando a herança teológica de Ellen G. White e criando uma ansiedade escatológica completamente falsa.
Michelson Borges, pastor e jornalista adventista, tem utilizado um quadro profético histórico‑literal clássico para interpretar os eventos políticos recentes nos Estados Unidos à luz de Apocalipse 13. No entanto, ao transformar a Bíblia em um “mapa geopolítico” do fim do mundo, ele acaba distorcendo o foco bíblico da salvação em Cristo, reforçando a herança teológica de Ellen G. White e criando uma ansiedade escatológica desbordante.
Michelson Borges, pastor e jornalista adventista, tem utilizado um quadro profético histórico‑literal clássico para interpretar os eventos políticos recentes nos Estados Unidos à luz de Apocalipse 13. No entanto, ao transformar a Bíblia em um “mapa geopolítico” do fim do mundo, ele acaba distorcendo o foco bíblico da salvação em Cristo, reforçando a herança teológica de Ellen G. White e criando uma ansiedade escatológica desbordante.
Abaixo estão as cinco das piores afirmações contidas em sua exposição atual, seguidas de refutações bíblicas objetivas, mostrando como cada ponto não se sustenta à luz de Escritura, mesmo que se alinhe com a visão de Ellen White.
1. Identificação dogmática dos Estados Unidos como a besta de dois chifres de Apocalipse 13.11
Ideia de Michelson Borges (reconstituição fiel):
Ele afirma que o “poder de dois chifres que parece cordeiro, mas fala como dragão” (Ap 13.11) é, sem dúvida, a nação dos Estados Unidos: uma República nascida com liberdade religiosa e separação entre Igreja e Estado, mas que, conforme a profecia, ganhará destaque central nos eventos finais, unindo fé e política.
Refutação bíblica contundente:
Apocalipse não identifica a segunda besta com um país específico, nem sequer menciona “Estados Unidos”, “paz mundial”, “poder político moderno” ou “democracia”. O texto fala de um poder que “parece cordeiro, mas fala como dragão” (Ap 13.11), que exerce autoridade em nome da primeira besta e obriga a adoração à imagem dela (Ap 13.14–15).
O foco aqui é um poder religioso‑político, mas não nacionalista moderno como se entende hoje “EUA”. A Bíblia apresenta a besta de dois chifres como um sistema religioso‑político que exerce falsos sinais (versículos 13–14), e não uma “democracia cristã” específica.
Jesus, em Mateus 24, falando da “abominação da desolação” e de sinais de fim, não dá um “mapa de potências”, mas adverte: “Não creiais, nem sejais enganados” (Mt 24.4,5) e “o fim não é ainda” (v. 6). A Bíblia não dá um “decode” geopolítico, mas chama à fidelidade, oração e vigilância.
Portanto, transformar uma nação moderna em símbolo profético obrigatório é um passo além do que o texto bíblico exige, e cria um esquema que pode ser facilmente desmontado pela história política. [Mt 24.4–14; Ap 13.11–15]
2. A união governamental e religiosa como sinal de aproximação de Apocalipse 13
Ideia de Michelson Borges:
Ele afirma que, em apenas 12 meses, o governo de Trump criou ou reforçou três órgãos federais ligados à fé, o que caracteriza uma institucionalização clara entre governo e religião. A partir disso, conclui:
“Quando governo e religião se aproximam institucionalmente, quando a linguagem espiritual se torna instrumento de mobilização política, quando o discurso de proteção pode, em determinado momento, converter-se em pressão moral e legislativa, é prudente vigiar. À luz de Apocalipse 13, é impossível ignorar que a união progressiva entre poder civil e autoridade religiosa sempre antecedeu períodos de coerção de consciência.”
Refutação bíblica contundente:
A Bíblia não liga a chegada da besta ou do fim a um “pêndulo político” entre esquerda e direita, woke vs conservador, ou liberdade religiosa vs perseguição.
Em vez disso, Jesus alerta contra o perigo de falso profeta, falsa paz, falsos sinais e falsos cristos, que surgem antes da vinda gloriosa, mas não num modelo de “governo religioso dos EUA”.
“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor… Se o dono da casa soubesse a que hora da noite havia de vir o ladrão, vigiaria” (Mt 24.42,43).
O perigo é o falso cristianismo, que aparece com sinais e maravilhas (Mt 24.24), não a mera aproximação de política e religião.
A união de fé e poder tem sido um tema histórico desde Babilônia, Roma, Bizâncio e outros reinos, o que mostra que união de fé e Estado não é um sinal exclusivo de fim de mundo, mas de condição humana caída.
A Bíblia chama a testemunhar Jesus com clareza, sem buscar “decifrar o tempo” por meio de manchetes (Ap 1.2,9).
Assim, transformar a aliança governamental religiosa atual em “sinal claro de Apocalipse 13” é uma leitura que depende de pressupostos historicistas, e não de um texto bíblico claro e inequívoco. [Mt 24.4–28; Ap 1.1–9]
3. A ideia de “decreto dominical” como marco escatológico obrigatório
Ideia de Michelson Borges (reconstituição de sua herança teológica):
Ele reforça, em outros vídeos e artigos, a ideia de que, antes da volta de Cristo, haverá um decreto religioso dominical, impulsionado por alianças religiosas e civis, que levará ao controle de quem compra e vende (Ap 13.16–17) e à perseguição aos que não adoram o sistema da besta, especialmente os guardadores do sábado.
Refutação bíblica contundente:
Apocalipse não menciona “domingo” nem “sábado” em Apocalipse 13. O texto fala de marca na mão ou na fronte, de negociação, de adoração à imagem da besta, mas não vincula explicitamente a marca ao dia de Deus ou a uma lei de descanso civil.
A Bíblia apresenta a marca da besta como símbolo de lealdade apostásica ao sistema de poder anticristão, não como um “teste de obediência a um dia específico”.
A atenção central é a fidelidade a Cristo (Ap 14.12).
A instituição do dia de descanso, para o Novo Testamento, é um princípio, mas não uma lei de identidade de salvação, como o Antigo Testamento a via para Israel.
O próprio Cristo: “o sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Mc 2.27).
O texto bíblico mais claro sobre a marca da besta insiste na lealdade ao Cordeiro versus adoração ao dragão, e não num código civil de dias de adoração. [Ap 13.11–18; Ap 14.9–12; Mc 2.27; Cl 2.16–17]
Por isso, eleva‑se a um tema secundário (guardar o sábado versus decreto dominical) a um lugar central na salvação, algo que a Bíblia não faz. A marca da besta torna‑se uma questão de lealdade ao sistema de poder anticristão, e não de calendário litúrgico.
4. A perseguição religiosa como “ponto de virada” profético
Ideia de Michelson Borges (reconstrução a partir de sua linha teológica geral):
Ele apresenta a perseguição aos cristãos, especialmente os que resistem ao sistema dominical, como um marco inevitável antes da volta de Cristo, quando leis são impostas, direitos civis revogados e a morte legalizada para quem desobedece a um decreto religioso.
Refutação bíblica contundente:
A Bíblia anuncia que haverá perseguição, mas não a vincula a um decreto dominical específico, nem a um calendário de “antes do fim, depois de 1922, depois de 1798, depois de 1844, etc.”
“Bem‑aventurados sois, quando por minha causa vos aperceberem de vitupérios, de perseguições e de toda sorte de calúnia” (Mt 5.11).
“Naquele tempo, o que estiver sobre o eirado, não desça para tirar coisa alguma de sua casa” (Mt 24.17) – isso descreve perseguição, não decreto dominical.
O texto sobre a segunda besta (Ap 13.11–17) fala de morte para quem não adora a imagem da besta, mas não vincula essa morte a um mandamento de Dia de Descanso.
A Bíblia mostra que a perseguição é uma realidade contínua, não apenas um sinal de fim de mundo, senão muitos cristãos que já morreram em perseguição viviam “fora de tempo”.
O texto bíblico final sobre a perseguição destaca a fé, a perseverança e a fé em Cristo, não um código de dias de culto. [Rm 8.36–39; Ap 12.11; Ap 13.7–17]
Portanto, transformar a perseguição religiosa em um cenário dominical‑sábado‑decreto é uma construção teológica adicional, não um dado bíblico claro.
5. O “relógio profético” acelerado e a tensão escatológica permanente
Ideia de Michelson Borges:
Em seu texto e vídeo, ele repete a ideia de que o “pêndulo social” entre esquerda e direita, a cultura “woke”, o avanço do conservadorismo religioso, o projeto 2025, o “domingo ecológico”, etc., aceleram o relógio profético. Conclui:
“O pêndulo social continua se movendo. A pergunta é: para onde ele nos levará? Para quem lê a Bíblia, o desfecho da história já está revelado. Antes da volta de Cristo, haverá um tempo em que fé e política se entrelaçarão de maneira decisiva. O que vemos hoje pode não ser o clímax, mas certamente parece preparação. E preparação é exatamente o que a profecia sempre anunciou.”
Refutação bíblica contundente:
A Bíblia não apresenta um “relógio profético” que é “acelerado” por turnos políticos, pautas de esquerda, dogmas de direita, nem por acordos religiosos‑políticos.
Jesus declara: “Do dia e hora ninguém sabe” (Mt 24.36) e “o dia do Senhor virá como o ladrão de noite” (1Ts 5.2).
A ênfase bíblica não é saber “em que minuto estamos no relógio profético”, mas viver como se Cristo pudesse voltar a qualquer momento.
“Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor” (Mt 24.42).
“Ora, o tempo de Deus, que é o da misericórdia, não é para que o homem aproveite” (1Co 6.13; 2Co 6.2).
A Bíblia não liga a proximidade do fim a um “pêndulo arco‑flecha”: progressismo hardcore → reação conservadora → conservadorismo religioso dominante → decreto dominical → fim.
Nem mesmo o texto de Daniel 11, usado por alguns para “preencher a linha do tempo”, é apresentado por Jesus como um calendário exato, mas como um quadro de guerras e reis.
O perigo aqui é transformar a fé em ansiedade profética constante: a ideia de que “cada movimento político é um passo no relógio profético” desvia a atenção da cruz, da santificação, da evangelização, para um clima de medo e especulação. [Mt 24.36–44; 1Ts 5.1–6; 2Pe 3.9–10]
A Bíblia não é um manual de geopolítica, mas um livro de salvação
Michelson Borges, ao alinhar seus comentários com a visão historicista de Ellen G. White, apresenta uma leitura coesa, mas excessivamente específica, que transforma a Bíblia em um manual de leitura dos eventos mundiais à luz de um modelo teológico.
A Bíblia, por outro lado, não:
identifica a besta de dois chifres com os EUA,
não fala de “domingo” ou “sábado” em Apocalipse 13,
não vincula a marca da besta a um decreto dominical,
não apresenta um “relógio profético” acelerado por políticas de esquerda ou direita, nem
reduz a consumação da história a um cenário religioso civil de sábado vs domingo.
A Bíblia:
apresenta a volta de Cristo como imprevisível,
destaca a lealdade ao Cordeiro, o testemunho, a perseverança, a oração e a fé,
insiste que a salvação não depende de um calendário geopolítico, mas de um relacionamento pessoal com Jesus Cristo.
Portanto, a mensagem de “fieis, testemunhais, evangelizais, orai, sois justiça de Cristo” (1Co 1.30; 2Co 5.21; Ap 14.6–12) permanece firme, ainda que o cenário político e religioso do mundo mude.
Referências
Michelson Borges, artigo blog “Estados Unidos e Apocalipse 13: estamos vendo os primeiros movimentos proféticos?” (blog Outra Leitura, 13/02/2026).
Michelson Borges, vídeo “Are we witnessing the first prophetic movements?” (YouTube, 12/02/2026).
Michelson Borges, artigo “Embate esquerda x direita: o relógio profético foi acelerado” (blog Outra Leitura, 16/09/2025).
Michelson Borges, série de estudos sobre Apocalipse 13 (Apocalyptic Doses, “The Beast of the Earth”).
Ellen G. White, texto sobre o poder de dois chifres e os EUA, vide síntese em artigo acadêmico: “Interpretation of Revelation 13 in the writings of Ellen White” (DOAJ).
Ellen G. White, devocional oficial “The United States in Prophecy, July 4”, Ellen White Estate.
Ellen G. White, Last Day Events, White Estate.
Ellen G. White, Early Writings, 282–283.
Ellen G. White, The Great Controversy, 5:451, citado em LDE 129.3.
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