O Plano da Redenção em Confusão: As Contradições de Ellen White

Exponha as contradições de Ellen White sobre o plano da redenção à luz da Bíblia. Descubra os riscos do ensino adventista e fortaleça sua fé cristã.

Por Rodrigo Custódio · Publicado em 30/12/2025 · 8 min

Categoria: Lei e Nova Aliança

O Plano da Redenção em Confusão: As Contradições de Ellen White

“Evidentemente alguns estão perturbando vocês, querendo perverter o evangelho de Cristo.” (Gl 1:7)

Nada é mais central ao evangelho do que o plano da redenção. A Escritura é cristalina: o sacrifício de Cristo não foi improviso após a queda, mas algo determinado “antes da fundação do mundo”. Quando se coloca ao lado disso a narrativa de Ellen White (visão de 1854 e declarações posteriores), surge um quadro de confusão doutrinária, que contradiz diretamente o testemunho bíblico e até a própria alegada inspiração da autora.

Este estudo mostra:

  1. O que Ellen White viu e pregou sobre a formulação do plano da redenção

  2. Como isso contradiz frontalmente o ensino bíblico

  3. Como, ao tentar “consertar” o problema, ela criou versões incompatíveis entre si

  4. Por que isso é incompatível com um verdadeiro dom profético


1. A visão de 1854: um Deus pego de surpresa

Na visão publicada em 1854 (e depois em Early Writings), Ellen White descreve o que teria acontecido no céu após o pecado de Adão:

  • “Foi percebido que não havia escape para o ofensor”

  • “A família toda de Adão tinha de morrer”

  • Jesus então se aproxima do Pai, entra na luz que O circunda, e:

    • Três vezes fica “encerrado” na glória do Pai

    • As hostes angélicas ficam em “intensa ansiedade”

    • Na terceira vez, Jesus sai com o rosto calmo e alegre e anuncia que “obteve o consentimento do Pai” para dar a sua vida em resgate.

Em resumo, segundo a visão:

  • Não havia plano algum “disponível” no momento da queda

  • Jesus “apresenta” um plano ao Pai

  • Ele precisa pleitear e persuadir o Pai

  • O Pai finalmente cede e consente

Teologicamente, isso implica:

  • Um Deus que não havia planejado a queda

  • Uma corte celeste tomada de pânico e incerteza

  • Um Filho que precisa convencer o Pai a salvar o homem

Isso é exatamente o oposto da revelação bíblica.


2. O ensino bíblico: plano determinado antes da fundação do mundo

A Bíblia ensina que o sacrifício de Cristo não foi um remendo emergencial, mas parte do decreto eterno de Deus.

  • “Ele [Cristo] foi conhecido, na verdade, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós.” (1Pe 1:20)

  • “O Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.” (Ap 13:8)

  • “Jesus, varão aprovado por Deus… este, entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus.” (At 2:22–23)

  • “Senhor… tens feito maravilhas, e os teus designios, formados de antemão, são fiéis e verdadeiros.” (Is 25:1, em sentido)

Isso significa:

  1. Deus não foi surpreendido pela queda

  2. O sacrifício de Cristo estava determinando no conselho eterno

  3. Não houve “reunião de emergência” no céu para cobrir um buraco no plano de Deus

Quando se coloca lado a lado a visão de Ellen White (Jesus implorando três vezes para o Pai permitir a redenção) e esses textos, vê-se que ambos não podem ser verdade ao mesmo tempo. Um dos dois lados está errado. E a Escritura é o padrão.


3. 1886: “O plano foi avançado depois da queda”

Em 1886, num sermão em Grimsby, Inglaterra, Ellen White reforça a mesma ideia, em linguagem ainda mais clara:

“Depois da queda de Adão e Eva… foi então que esse grande plano da redenção foi avançado. Foi então que o Filho de Deus consentiu em deixar o trono do Pai…”

O verbo “consentir” implica:

  • O plano não tinha ainda o consentimento dEle

  • O “sim” de Cristo à encarnação só é dado depois da queda

Isso entra em choque direto com 1 Pedro 1:20 e Apocalipse 13:8, que situam o “Cordeiro” e a sua obra antes da fundação do mundo.


4. 1890: Patriarcas e Profetas tenta “consertar” – e cria outro problema

Em 1890, na publicação de Patriarcas e Profetas, Ellen White altera drasticamente o quadro:

  • Diz que o plano já havia sido concebido

  • Cita Ap 13:8: “O Cordeiro morto desde a fundação do mundo”

  • Reconhece que “o plano de salvação fora estabelecido antes da criação da Terra

Contudo, para não abandonar o cenário da “reunião no céu” com Jesus pleiteando diante do Pai (já publicado), ela reconfigura a cena:

  • O Pai e o Filho não estariam decidindo se salvar, mas se vão, de fato, executar o plano já concebido

  • Fala de uma “luta” com o Rei do universo para “aceitar” a entrega do Filho

Teologicamente, isso gera outro absurdo:

  1. Se, como ela afirma em outro lugar, os termos da redenção estavam ajustados desde a eternidade, por que haveria “luta” entre o Pai e o Filho?

  2. Por que um Deus onisciente e imutável, que decretou tudo “desde a eternidade”, teria de “lutar” com a própria decisão eterna?

Ou havia plano previamente estabelecido e plenamente aceito em perfeita unidade intratrinitária, ou havia drama e negociação pós-queda. As duas coisas juntas não se sustentam.


5. 1891–1892: Outra versão – agora alinhada com a Bíblia

Em 1891–1892, Ellen White passa a escrever algo que, em si, está correto biblicamente:

“Os termos dessa unidade… foram ajustados com Cristo desde toda a eternidade… O plano da redenção não foi concebido após a queda… mas um propósito eterno…”

Isso está em harmonia com 1Pe 1:20, At 2:23, Ap 13:8. O problema não é o conteúdo em si, mas o fato de que:

  • Agora ela contradiz seu próprio relato anterior de 1854

  • Contradiz explicitamente seu sermão de 1886 (“foi então que o plano foi avançado”)

  • Obriga o leitor a escolher qual “Ellen White inspirada” crer

Se todas as versões são “inspiradas”, por que se contradizem?


6. 1898: Desejado de Todas as Nações – versão “reformulada”

Em 1898, com forte trabalho editorial de Marian Davis, O Desejado de Todas as Nações apresenta a formulação mais bíblica do tema:

“O plano de nossa redenção não foi um pensamento posterior, um plano formulado após a queda de Adão… Desde o princípio, Deus e Cristo sabiam da apostasia…”

Aqui, a redação abandona explicitamente a ideia de plano surgindo “depois da queda”. Mais uma vez, o texto se aproxima da doutrina bíblica. Mas, inevitavelmente, a pergunta permanece:

  • E a visão de 1854?

  • E o sermão de 1886?

  • E a formulação de 1911?

Não se trata de um pequeno ajuste de ênfase, mas de afirmações contraditórias sobre o próprio momento em que o plano foi concebido.


7. 1911: Grande Conflito volta à linguagem “depois da queda”

Em 1911, na edição final de O Grande Conflito, Ellen White volta a afirmar:

“O reino da graça foi instituído imediatamente após a queda do homem, quando um plano foi elaborado para a redenção da raça culpada.” (GC 347)

Aqui, a formulação volta à lógica original:

  • “Foi elaborado um plano” depois da queda

  • O que entra de novo em rota de colisão com 1Pe 1:20; Ap 13:8; At 2:23

  • E com suas próprias declarações posteriores de que o plano não foi algo “concebido após a queda”

Temos, portanto, dentro do mesmo corpus “inspirado”:

  1. Textos dizendo que o plano foi concebido depois da queda

  2. Textos dizendo que o plano não foi concebido depois da queda, mas era propósito eterno

  3. Textos com narrativa de “negociação” e “luta” entre Pai e Filho

  4. Textos afirmando unidade perfeita e termos ajustados “desde toda a eternidade”

Essa mistura é exatamente o que Paulo chama de confusão. E “Deus não é Deus de confusão, mas de paz” (1Co 14:33).


8. O problema teológico de fundo

Além da contradição histórica e literária, há um problema doutrinário grave:

  1. A visão de 1854 apresenta um Pai relutante e um Filho mais compassivo, como se Jesus tivesse que “dobrar” a vontade do Pai.

    • Isso distorce a unidade da Trindade.

    • Cristo e o Pai não têm vontades concorrentes sobre salvação (Jo 10:30; Jo 5:19-23).

  2. Coloca o plano da redenção como algo reativo, não decretivo:

    • A Bíblia fala de um Deus que “opera todas as coisas segundo o conselho da sua vontade” (Ef 1:11).

    • Em Ellen White, o quadro original é de improviso, “descoberta de solução”, “pleito” e “consentimento”.

  3. Gera um Deus que “pensa depois”, não o Deus que “de antemão determinou” (At 4:27-28).

Isso não é apenas um problema de detalhes narrativos. Toca no coração da soberania, presciência e imutabilidade de Deus.


9. “Barricado por um Assim Diz o Senhor”?

Ellen White escreveu:

“Quero que todos entendam que minha confiança na luz que Deus tem dado permanece firme, porque sei que o poder do Espírito Santo magnificou a verdade… Em meus livros, a verdade é apresentada, barricada por um ‘Assim diz o Senhor’.” (Selected Messages, vol. 3, p. 122)

Aplicando o próprio critério, impõe-se a pergunta:

  • O Espírito Santo barricaria a verdade com versões mutuamente exclusivas sobre o momento e a natureza do plano da redenção?

  • O Espírito inspiraria, ao mesmo tempo:

    • Um relato em que o plano surge após a queda e Jesus “implora” ao Pai

    • E outro em que o plano é eterno, perfeitamente aceito e não é “pensamento posterior”?

Se a resposta é “não”, resta apenas admitir:

  1. Esses textos não são todos inspirados pelo Espírito Santo

  2. Logo, o dom profético reivindicado por Ellen White não passa no teste bíblico


10. Conclusão: quem é o autor da confusão?

O Novo Testamento é claro:

  • Deus decretou o plano de redenção antes de criar o mundo

  • Cristo é o “Cordeiro morto desde a fundação do mundo”

  • O Pai e o Filho estão em plena unidade quanto à salvação

  • O sacrifício de Cristo não foi uma reação, mas expressão eterna dos “planos determinados há muito tempo” de Deus

Já o quadro que emerge dos escritos de Ellen White é outro:

  • Um relato inicial de pânico no céu, ausência de plano, e um Cristo que precisa “pleitear” três vezes

  • Depois, ajustes, recuos, frases que se contradizem, idas e vindas entre “foi depois da queda” e “não foi depois da queda”

Quando se compara:

“Porque Deus não é Deus de confusão...” (1Co 14:33)

com o emaranhado de versões em Ellen White, a conclusão é inevitável: essa confusão não vem de Deus.

E se não vem de Deus, então:

  • Não é “luz menor”

  • Não é “testemunho de Jesus”

  • Não é fundamento seguro para fé nem doutrina

O verdadeiro evangelho não precisa de remendos. O plano da redenção é simples, coerente e eterno:

“Conforme o propósito eterno que fez em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Ef 3:11)

Qualquer “profetisa” cuja narrativa contradiga esse propósito, ou o apresente como improviso pós-queda, está, nas palavras de Paulo, “pervertendo o evangelho de Cristo” (Gl 1:7–8).