
13 Declarações de Ellen White Após 1844 Que Desmascaram o “Espírito de Profecia”
Análise bíblica revela 13 declarações de Ellen White após 1844 que desafiam o espírito de profecia adventista.
Introdução
A própria narrativa oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia afirma que Ellen G. White começou seu ministério profético em dezembro de 1844, logo depois do Grande Desapontamento. É justamente esse fato cronológico que se transforma em prova contra ela.
Se Ellen White fosse realmente porta‑voz de Deus, seria de esperar que, após o fracasso de 1843 e 1844, ela:
chamasse o movimento de Guilherme Miller ao arrependimento;
admitisse o erro do método de interpretação profética;
advertisse contra a marcação de data para a volta de Cristo.
Mas o que acontece é o oposto. Em uma série de textos escritos depois do desapontamento, ela:
atribui a origem do movimento milerita à ação direta de Deus e de anjos;
compara Miller com João Batista e Eliseu;
chama de “hipócritas” e “escarnecedores” os que citaram a Bíblia corretamente (“ninguém sabe o dia nem a hora”);
declara que o céu ficou “cheio de indignação” contra os que rejeitaram a mensagem de 1844.
A seguir, 13 declarações fundamentais, em ordem temática, com o texto de Ellen White e a análise correspondente.
1. “Vi que Deus enviou Seu anjo para mover o coração de um fazendeiro”
“Vi que Deus enviou Seu anjo para mover o coração de um fazendeiro que não cria na Bíblia, e o conduziu a examinar as profecias. Anjos de Deus visitaram repetidas vezes aquele escolhido, guiaram a sua mente e abriram o seu entendimento para as profecias que sempre haviam sido obscuras para o povo de Deus.”
Fonte: Ellen G. White, Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22, “William Miller”, p. 128 (1SG 128.1), edição em inglês; reimpresso em Early Writings, seção “William Miller”.
Aqui Ellen White diz que viu em visão Deus enviando um anjo para despertar William Miller (o “fazendeiro”), e que anjos repetidamente o visitaram para abrir seu entendimento às profecias.
Isso significa que, segundo ela:
o impulso central do movimento milerita não veio de um erro humano, mas de uma iniciativa sobrenatural de Deus;
os cálculos proféticos que levaram às datas de 1843 e 1844 nasceram de mente “guiada” por anjos.
Se essa visão fosse verdadeira, o Grande Desapontamento deixaria de ser responsabilidade de interpretação equivocada e passaria a ser, na prática, um projeto divino fracassado. Atribuir um erro escatológico dessa magnitude à direção explícita de Deus e de anjos contradiz frontalmente o caráter bíblico de Deus, que não mente e não induz Seu povo a datas falsas.
2. “Deus chamou‑o a deixar sua fazenda, como chamou Eliseu”
“Ele via hipocrisia, trevas e morte por toda parte. Seu espírito se comoveu dentro dele. Deus o chamou a deixar a sua fazenda, assim como chamou Eliseu a deixar os bois e o campo do seu trabalho para seguir a Elias. Com temor, Guilherme Miller começou a desdobrar ao povo os mistérios do reino de Deus.”
Fonte: Ellen G. White, Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22, “William Miller”, p. 128–129; Early Writings, “William Miller”, EW 229.2.
Aqui Miller é colocado lado a lado com Eliseu, como se fosse um profeta do mesmo tipo, chamado diretamente por Deus para uma obra especial.
Em vez de tratar Miller como um pregador sincero, porém errado, Ellen White o eleva à categoria de instrumento profético cujo chamado vem diretamente de Deus. Em outras palavras: quem questiona Miller está, indiretamente, questionando o próprio Deus que o chamou.
3. “Assim como João Batista … assim também William Miller”
“À medida que seguia pelas profecias, ele via que os habitantes da Terra viviam nas cenas finais da história deste mundo e não o sabiam. (…) Com cada esforço ganhava forças. Assim como João Batista proclamou o primeiro advento de Jesus e preparou o caminho para Sua vinda, assim também Guilherme Miller e os que com ele se uniram proclamaram o segundo advento do Filho de Deus.”
Fonte: Ellen G. White, Early Writings, seção “William Miller”, EW 229.2; também em Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22.
Depois do fracasso de 1844, Ellen White não apenas desculpa o movimento: ela o exalta. Compara Miller a João Batista, o maior dos profetas (Mateus 11:11).
João Batista anunciou uma vinda real, no tempo certo, conforme as Escrituras.
William Miller anunciou uma vinda com data marcada errada, desmentida pelos fatos.
A equiparação é teologicamente insustentável. Um profeta verdadeiro não coloca um pregador fracassado no mesmo nível daquele que preparou o caminho para o próprio Cristo.
4. “Deus moveu sobre Seu servo escolhido”
“Se as visões de Daniel tivessem sido compreendidas, o povo poderia ter entendido melhor as visões de João. Mas, no tempo certo, Deus moveu sobre Seu servo escolhido, o qual, com clareza e no poder do Espírito Santo, abriu as profecias e mostrou a harmonia entre as visões de Daniel e João e outras porções da Bíblia, pressionando sobre o coração do povo as solenes advertências da Palavra, para os preparar para a vinda do Filho do homem.”
Fonte: Ellen G. White, Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22, p. 131–132; Early Writings, “William Miller”.
Aqui, “Seu servo escolhido” é William Miller. Ellen White afirma que:
Deus o escolheu;
Deus moveu sobre ele;
Deus, pelo Espírito Santo, deu‑lhe “grande luz” sobre Daniel e Apocalipse.
Se isso fosse verdade, Cristo teria dado luz especial para que Seu servo proclamasse uma data errada para Sua própria volta. A conclusão lógica é devastadora: ou Deus falhou, ou Ellen White falseia a origem espiritual do movimento.
5. “Anjos de Deus acompanharam Guilherme Miller em sua missão”
“Anjos de Deus acompanharam Guilherme Miller em sua missão. Ele era firme e destemido, proclamando destemidamente a mensagem que lhe fora confiada. Um mundo jazendo na impiedade e uma igreja fria e mundana foram suficientes para pôr em ação todas as suas energias e levá‑lo a suportar de bom grado trabalho, privações e sofrimento.”
Fonte: Ellen G. White, Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22, p. 132; Early Writings, “William Miller”, EW 229.2–232.
Novamente, Ellen White atribui ao céu a responsabilidade pelo movimento milerita. Os anjos não apenas o “protegiam”, mas “acompanhavam sua missão”, como se toda a campanha de datas marcadas fosse um projeto aprovado nas cortes celestiais.
Dizer isso depois do desastre de 1844 significa transformar um erro humano em obra oficial do céu. A doutrina falha deixa de ser simples equívoco e passa a ser, na pena de Ellen White, um capítulo santo da história da salvação.
6. “Anjos foram enviados para protegê‑lo… um deles, na forma de homem, tomou‑lhe o braço”
“Anjos de Deus foram enviados para protegê‑lo. (…) A oposição manifestada pelos membros de igreja contra a sua mensagem encorajou as classes mais baixas a irem ainda mais longe; e inimigos tramaram tirar‑lhe a vida quando ele saísse do local de reunião. Mas anjos santos estavam na multidão, e um deles, na forma de um homem, tomou o braço desse servo do Senhor e o conduziu em segurança para fora da turba irada. Seu trabalho não estava terminado, e Satanás e seus emissários ficaram desapontados em seu propósito.”
Fonte: Ellen G. White, Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22, p. 132–133; comp. Early Writings, “William Miller”; resumido em análises posteriores.
Ellen White descreve um anjo materializado “em forma de homem” pegando no braço de Miller para tirá‑lo de uma multidão hostil. Não se trata apenas de cuidado providencial genérico, mas de uma operação especial para preservar o pregador de uma mensagem datada.
A pergunta é inevitável:
por que o céu empregaria esse tipo de intervenção miraculosa para garantir a continuidade de um movimento cuja mensagem principal – a data de 1844 – era falsa?
7. “Vi que Deus estava na proclamação do tempo em 1843”
“Vi que Deus estava na proclamação do tempo em 1843. (…) A pregação do tempo definido, em 1843 e 1844, foi ordenada pelo Senhor.”
Fonte: Ellen G. White, Early Writings, cap. “The First Angel’s Message”, EW 232–233, edição em inglês.
Aqui não há espaço para mal‑entendido: Ellen White diz que Deus estava na proclamação do tempo (ou seja, do ano) de 1843, e que a pregação do “tempo definido” foi “ordenada pelo Senhor”.
Mas:
1843 não viu a volta de Cristo;
1844 também não.
Se Deus “estava” nessas proclamações, então Deus estaria envolvido em marcação de data errada para um evento que Ele mesmo, em Sua Palavra, disse que ninguém conhece. Se Deus não estava nisso, então quem errou foi Ellen White – e não se trata de detalhe, mas do coração da mensagem milerita.
8. “Os mais devotos receberam a mensagem com alegria”
“Os mais devotos receberam a mensagem com alegria. Sabiam que vinha de Deus, e que fora dada em tempo certo para despertar o povo e levá‑lo a buscar um preparo para encontrar‑Se com o Senhor.”
Fonte: Ellen G. White, Early Writings, cap. “The First Angel’s Message”, EW 232–233.
Depois do fracasso, Ellen White reescreve a história: quem aceitou a mensagem de data marcada eram “os mais devotos” e “sabiam que vinha de Deus”.
Ou seja:
Aceitar 1843/1844 como data da volta de Cristo = prova de devoção.
Rejeitar o sistema de datação = sinal de frieza espiritual.
Mas à luz do resultado histórico, foi exatamente o contrário: os verdadeiramente fiéis à Bíblia foram os que não aceitaram a marcação de datas, e pagaram por isso o preço de serem ridicularizados pela própria “profetisa”.
9. “Ministros hipócritas” e “escarnecedores audaciosos”
“A pregação do tempo definido em 1844 provocou grande oposição de todas as classes, desde o ministro no púlpito até o mais imprudente e ousado pecador. ‘Ninguém sabe o dia nem a hora’ era ouvido do ministro hipócrita e do escarnecedor audacioso.”
Fonte: Ellen G. White, Early Writings, cap. “The First Angel’s Message”, EW 233.
Observe a inversão:
Aqueles que simplesmente abriram a Bíblia e lembraram o texto de Mateus 24:36 (“ninguém sabe o dia nem a hora”) são chamados de “ministro hipócrita” e “escarnecedor audacioso”.
Os que insistiram em marcar data contra a Palavra são defendidos por ela.
Esse trecho por si só já derruba qualquer tentativa de pintar Ellen White como profetisa equilibrada. Ela ataca precisamente quem estava do lado do texto bíblico.
10. “Satanás e seus anjos triunfaram… trabalhavam em união com Satanás”
“Satanás e seus anjos triunfaram sobre eles [os que rejeitaram a mensagem]. E aqueles que não quiseram receber a mensagem se congratularam, dizendo que não havia nada de verdadeiro nela; chamaram‑na de ilusão. Não perceberam que estavam rejeitando o conselho de Deus contra si mesmos e estavam trabalhando em união com Satanás e seus anjos para perplexar o povo de Deus, que vivia a mensagem enviada do Céu.”
Fonte: Ellen G. White, Early Writings, cap. “The First Angel’s Message”, EW 234–235.
Aqui ela dá um passo além. Não basta chamar de hipócritas; agora:
Quem não aceitou 1844 estaria “trabalhando em união com Satanás e seus anjos”;
A mensagem de 1844 é descrita como “mensagem enviada do Céu”.
Logo: rejeitar uma data falsa passa a ser, na teologia de Ellen White, o mesmo que rejeitar o conselho de Deus e cooperar com o diabo.
11. “Todo o Céu ficou cheio de indignação”
“Todo o Céu ficou cheio de indignação ao ver que Jesus havia sido desprezado por Seus seguidores professos, que não queriam receber a luz que lhes fora enviada do Céu.”
Fonte: Ellen G. White, Early Writings, cap. “The First Angel’s Message”, EW 235–236.
O “desprezo” aqui não é incredulidade contra Cristo; é a recusa em aceitar a datação milerita reinterpretada pela ala que viria a se tornar adventista do sétimo dia.
Segundo Ellen White, portanto:
O Céu se indigna não com quem marca data para a volta de Cristo,
mas com quem não embarca na data.
Mais uma vez, a responsabilidade é invertida. O peso da culpa não cai sobre quem violou Mateus 24:36, mas sobre quem ousou lembrar o que o próprio Jesus ensinou.
12. “Serão visitados com a ira de Deus”
“De maneira semelhante, aqueles que zombaram e escarneceram da ideia de os santos subirem ao Céu [na expectativa de 1844] serão visitados com a ira de Deus e sentirão que não é coisa leve zombar de seu Criador.”
Fonte: Ellen G. White, Early Writings, cap. “The First Angel’s Message”, EW 236–237.
Depois da decepção, havia quem olhasse para trás e dissesse, com razão: “Aquilo foi loucura, ilusão, exagero”. Em vez de reconhecer a crítica sincera, Ellen White responde com ameaça de juízo: quem zombou dessa ideia seria alvo especial da ira divina.
Profetas bíblicos chamam ao arrependimento baseado na verdade de Deus. Ellen White, aqui, chama ao temor baseado na defesa obstinada de uma data que já tinha se revelado falsa.
13. A soma das evidências
Colocando lado a lado esses textos, todos pós‑desapontamento, o quadro é claro:
Ellen White atribui o surgimento e desenvolvimento do movimento milerita a anjo enviado por Deus, direção do Espírito Santo e escolha soberana do céu.
Declara que a pregação do “tempo definido” (1843–1844) foi “ordenada pelo Senhor”.
Compara William Miller com Eliseu e João Batista, elevando‑o à categoria de profeta preparador do caminho.
Chama de “ministros hipócritas”, “escarnecedores audaciosos” e aliados de Satanás aqueles que, antes e depois de 1844, citaram a Bíblia corretamente contra a marcação de datas.
Afirma que todo o Céu ficou indignado não com o erro, mas com os que rejeitaram a mensagem milerita.
Nenhuma dessas declarações harmoniza com o padrão bíblico de um verdadeiro profeta. O que se vê é:
uma defesa teimosa de um movimento comprovadamente errado;
uma tentativa de rebatizar o desastre como se fosse plano de Deus;
um ataque pesado contra os que apenas se apegaram ao texto bíblico.
Conclusão
Depois de ler com calma esses trechos, não é honesto continuar dizendo que a crítica a Ellen White é “má vontade” ou “perseguição”. Os próprios escritos dela, especialmente após 1844, bastam para demonstrar:
compromisso em santificar um erro histórico grave;
inversão moral, chamando de devotos os que abraçaram a data falsa e de hipócritas os que permaneceram fiéis à Bíblia;
uso do nome de Deus, de anjos e do Céu para blindar um sistema doutrinário construído sobre um engano.
Não se trata de detalhe; é o fundamento do “espírito de profecia” adventista. Quem leva a Bíblia e a verdade a sério precisa decidir se está disposto a chamar esse conjunto de declarações de voz de Deus – ou se terá a coragem de reconhecer nelas exatamente o que são: a defesa apaixonada de um erro humano transformado, à força, em narrativa sagrada.
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Referências Bibliográficas
WHITE, Ellen G. Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22, “William Miller”.
WHITE, Ellen G. Early Writings, “William Miller”.
WHITE, Ellen G. Early Writings, seção “William Miller”.
Mateus 11:11. Bíblia.
WHITE, Ellen G. Early Writings, cap. “The First Angel’s Message”.
WHITE, Ellen G. Spiritual Gifts, vol. 1, cap. 22.
Mateus 24:36. Bíblia.