
Joshua Vaughan Himes: O Propulsor Milerita e a Doutrina do Segundo Advento
Descubra a trajetória de Joshua Vaughan Himes, sua influência no milerismo e o impacto nas doutrinas adventistas. Leia uma análise crítica aprofundada.
O Início E Imersão nas Reformas Sociais
Joshua Vaughan Himes, nascido em 19 de maio de 1805, em Wickford, Rhode Island, estava destinado a uma vida no ministério episcopal. No entanto, uma crise financeira que assolou sua família quando tinha apenas 12 ou 13 anos interrompeu seus estudos na Universidade Brown. O pai de Joshua foi "fraudado por um parceiro", resultando no colapso de seu negócio e em dívidas imensas, levando sua mãe a pedir divórcio em 1824. A tragédia forçou Joshua a um aprendizado de marceneiro por oito anos.
Aos 18 anos, em 1823, Himes ingressou na igreja Christian Connexion em New Bedford, um movimento restauracionista que fundamentava sua fé exclusivamente na Bíblia. Ele encontrou "a Bíblia aberta e liberdade de pensamento, e fez bom uso delas", (Encyclopédia Adventista). Sua capacidade como orador levou-o a se tornar um "exortador" ou pregador leigo.
Após sua ordenação em 1827 e casamento com Mary Thompson Hardy em 1826, Himes pastoreou igrejas em Plymouth e Fall River, Massachusetts, antes de ser chamado para a Primeira Igreja Cristã de Boston em 1830. A congregação, então com apenas sete famílias, floresceu sob sua liderança, alcançando a capacidade máxima em dois anos. Em Boston, Himes se tornou um defensor fervoroso de causas sociais, como temperança, direitos das mulheres, paz e, notavelmente, a abolição da escravidão. A Encyclopédia Adventista o descreve como "um radical e entusiasta por temperamento" e "entre os mais radicais dos radicais". Himes apoiou William Lloyd Garrison e seu periódico abolicionista "Liberator", afirmando que "em um período muito inicial declarou-se abolicionista, e tem sido um fiel apoiador do movimento antiescravista..." [Encyclopédia Adventista]. Sua dedicação às reformas causou atritos com sua congregação. Demitido em 1836, ele fundou a Segunda Igreja Cristã, que rapidamente lotou a Capela Chardon Street, um novo local de adoração que se tornou um centro para reformistas radicais.
A Parceria Transformadora: Miller e Himes
O destino do movimento milerita mudou radicalmente em novembro de 1839, quando Himes conheceu William Miller em uma conferência da Christian Connexion em Exeter, New Hampshire. Himes havia convidado Miller para falar em Boston em outubro, e finalmente convenceu Miller a realizar uma série de palestras na Capela Chardon Street, começando em 8 de dezembro de 1839. Ao ouvir Miller, Himes ficou seriamente impressionado com a mensagem e perguntou: "Você realmente acredita nesta doutrina?" [Encyclopédia Adventista].
Himes percebeu a urgência de levar a mensagem de Miller a um público mais amplo. A conversa entre eles, conforme relatado pelo Lineage Journey, foi decisiva: Miller suspirou: "O que você espera, Joshua? Sou apenas um fazendeiro. Fiz o melhor que pude." Himes, no entanto, visualizou a escala da necessidade: "Mas e quanto às grandes cidades? E quanto a Baltimore, Rochester, Nova York, Filadélfia? Na verdade, e quanto ao território da Flórida e além? Pai Miller, você não deu pensamento aos dezessete milhões de pessoas que compõem estes Estados Unidos? Eles não devem ter a mesma oportunidade que cada pequena aldeia e vila que já o ouviu pregar?". Essa conversa selou a parceria: Miller seria o líder espiritual e teológico, enquanto Himes se tornaria o gênio organizacional e promocional, com o lema "o que devemos fazer deve ser feito rapidamente".
Estratégias Promocionais e de Comunicação
Himes utilizou a tecnologia emergente de impressão e transporte a vapor para expandir o alcance da mensagem milerita. Apenas dois meses após seu encontro com Miller, Himes lançou o periódico quinzenal "Signs of the Times" em 20 de março de 1840. Ele trabalhou sem remuneração, recrutou agentes para vendas e, até o final de 1840, já contava com 1.500 assinantes. Em 15 de janeiro de 1842, o "Signs of the Times" alcançou 5.000 assinantes, significando 50.000 leitores (Himes, "Signs of the Times"). Este periódico foi crucial para estabelecer uma rede paraeclesiástica que unia cristãos de diferentes denominações em torno da mensagem do Segundo Advento.
Em Nova York, Himes e Nathaniel Southard editaram o "Midnight Cry", com 10.000 cópias diárias, que circulou a partir de 17 de novembro de 1842, e mais tarde se tornou semanal. Além dos jornais, Himes publicou uma "biografia de campanha" de Miller em 1841 e a "Biblioteca do Segundo Advento", uma série de quase 50 tratados, e os "Words of Warning", 36 panfletos distribuídos aos centenas de milhares. Ele também publicou o hinário "The Millennial Harp" em 1842.
As "conferências gerais" foram outra inovação organizacional de Himes. A primeira, realizada em Boston de 14 a 15 de outubro de 1840, buscava "edificar e unificar" os crentes no "evangelho eterno do reino próximo". Estas conferências fomentaram o estudo bíblico, conectaram crentes e líderes, arrecadaram fundos e coordenaram a disseminação da mensagem. Além disso, Himes liderou a construção da "Grande Tenda", alegadamente a maior da nação, capaz de acomodar entre 3.000 e 6.000 pessoas, servindo como uma atração e um local de reunião para as crescentes multidões mileritas.
1843-1844: A Grande Expectativa e o Desapontamento
Em janeiro de 1843, William Miller, sob pressão, estimou que Jesus retornaria "em algum momento entre 21 de março de 1843 e 21 de março de 1844". Himes expandiu a evangelização em todas as direções, do Canadá ao sul. Embora inicialmente cético sobre a data exata, Himes aceitou a nova data de 22 de outubro de 1844, o "décimo dia do sétimo mês", relatando a Miller que esta ideia "passou pelo país como um relâmpago" e que "quase todo palestrante entrou nisso e está pregando com zelo e com grande sucesso" [Himes, carta a Miller, 30 de setembro de 1844, citada na Encyclopédia Adventista]. Ele cancelou uma viagem à Inglaterra, declarando sua "esperança de ir para o Novo mundo, em vez do Velho" [Encyclopédia Adventista].
Contudo, a data passou sem o retorno de Cristo, resultando no "Grande Desapontamento". Himes e Miller foram alvo de intenso escrutínio e acusações de fraude. Himes defendeu-se vigorosamente contra as acusações de venalidade, publicando sua defesa no "Boston Post" e oferecendo uma investigação pública de seus registros financeiros. Ele se responsabilizou pelo cuidado dos adventistas empobrecidos pelo desapontamento e viajou para exortar os crentes a cumprirem essa responsabilidade para que não recorressem à caridade pública.
Pós-Desapontamento e os Caminhos Diversos do Adventismo
O Grande Desapontamento de 22 de outubro de 1844 gerou um golpe devastador ao movimento milerita. Himes desempenhou um papel crucial na reorganização dos desapontados na Conferência de Albany em abril de 1845. A conferência buscou restaurar um senso de coerência e propósito, focando na proclamação de um Segundo Advento iminente sem a fixação de datas. Himes dedicou as três décadas seguintes a liderar o movimento adventista nessa direção, embora com crescentes conflitos faccionais.
Em 1846, Himes levou a mensagem adventista para o exterior, estabelecendo um escritório de publicação e lançando o "European Advent Herald" no Reino Unido. Sua dedicação às causas sociais persistiu; em Londres, Himes opôs-se à aceitação de proprietários de escravos na Aliança Evangélica, qualificando a proposta de "um miserável compromisso de princípios". Essa ação reforçou sua posição de que a preparação para o Reino de Deus envolvia a consagração em todos os aspectos da vida.
A Conferência de Albany não uniu todos os adventistas, e Himes se tornou um líder da Igreja Adventista Evangélica e sua Associação Milenar Americana (1858), opondo-se ao adventismo sabatista e à doutrina da imortalidade condicional. Em 1863, Himes aceitou a doutrina da imortalidade condicional e uniu-se à Igreja Cristã Adventista. Ele se mudou para Buchanan, Michigan, tornou-se presidente fundador da Sociedade de Missão Adventista Americana em 1865, e lançou o jornal "The Voice of the West" [mais tarde "Advent Christian Times"]. Joshua Vaughan Himes faleceu de câncer em 27 de julho de 1895, em Elk Point, Dakota do Sul, aos 90 anos, sendo sepultado no Cemitério Mount Pleasant em Sioux Falls.
O Legado Duradouro de um Visionário
Joshua Vaughan Himes foi, sem dúvida, o motor do movimento milerita. Sua energia implacável, seu gênio promocional e organizacional, e sua vasta rede de contatos nos círculos de reforma social foram essenciais para transformar a mensagem de William Miller de uma crença regional em um fenômeno nacional e até internacional. Himes foi uma figura de notável contraste: um radical social que abraçava causas impopulares, mas também um organizador pragmático que dominava as mais recentes tecnologias de comunicação e mantinha registros financeiros meticulosos.
Sua profunda convicção na causa do Segundo Advento permeou sua vida inteira. À Miller, ele prometeu: "Estou vindo – e quando eu vier – cuidado – toda a minha alma estará nisso" [Himes, carta a Miller]. Ele cumpriu essa promessa por mais de 50 anos. Mesmo após o Grande Desapontamento de 1844, Himes não apenas persistiu, mas redirecionou sua energia para as diversas formas de adventismo que surgiram, desempenhando um papel crucial na Igreja Cristã Adventista.
A história do milerismo não pode ser contada sem reconhecer a centralidade de Joshua Vaughan Himes, "o principal promotor, gerente e financiador" [Encyclopédia Adventista] do movimento do Segundo Advento. Seu legado perdura nas denominações adventistas que emergem dos remanescentes do milerismo, testemunhando sua dedicação inabalável à proclamação da vinda de Cristo.
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Referências Bibliográficas
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