
Deus Definiu o Sábado como “Sinal” da Aliança com Israel e não com Brasileiros e Gentios
Deus definiu o sábado como sinal da aliança com Israel e não com brasileiros ou gentios. Descubra por que isso desafia a doutrina adventista.
O sábado bíblico foi dado por Deus como um sinal específico da aliança com Israel, não como um sinal universal entre Deus e todos os povos em todos os tempos. O cristão brasileiro, assim como qualquer gentio sob a Nova Aliança, não está sob esse sinal mosaico, mas sob o sinal do Espírito Santo e da fé em Cristo.
1. Deus definiu o sábado como “sinal” da aliança com Israel
1.1 A quem Deus dirigiu o mandamento?
Os textos centrais sobre o sábado sempre o colocam no contexto de Israel como povo:
Êxodo 31:13: “Fala tu aos filhos de Israel, dizendo: Certamente guardareis os meus sábados; porque isto é sinal entre mim e vós nas vossas gerações, para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica.”
Êxodo 31:16-17: “Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre…”
Observe:
Deus não diz “entre mim e todas as nações”, mas “entre mim e os filhos de Israel”.
O sábado é explicitamente “sinal” da aliança mosaica com Israel.
1.2 Sinal de que tipo de aliança?
O contexto é a aliança firmada no Sinai:
Entregue a Moisés para um povo específico, recém-liberto do Egito.
Com leis cerimoniais, civis e morais organizando a vida de uma nação teocrática (Israel).
Assim como:
A circuncisão era sinal da aliança abraâmica,
O sangue do cordeiro na Páscoa era sinal de livramento do Egito,
o sábado semanal era sinal de que Israel:
Reconhecia YHWH como Criador e Redentor,
Estava sob a Torá como Constituição nacional.
Esse vínculo é com Israel como etnia e nação, não com “Brasil”, “gregos”, “romanos” ou qualquer outro povo gentio.
2. O sábado como sinal é repetido em Ezequiel para Israel, não para as nações
Ezequiel reforça a mesma ideia:
Ezequiel 20:12: “Também lhes dei os meus sábados, para servirem de sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o Senhor que os santifica.”
Ezequiel 20:20: “Santificai os meus sábados, e servirão de sinal entre mim e vós, para que saibais que eu sou o Senhor vosso Deus.”
“Eles”, “vós” = Casa de Israel, os mesmos a quem Deus tirou da terra do Egito (ver contexto do capítulo).
Outra vez:
Nada é dito sobre gentios ou nações distantes.
O “sinal” é interno à identidade israelita e à aliança mosaica.
3. O que muda com a Nova Aliança em Cristo
3.1 A lei do Sinai foi cumprida e superada em Cristo
O Novo Testamento ensina que:
A lei mosaica foi cumprida em Cristo (Mateus 5:17).
A velha aliança tornou-se “antiga” e “prestes a desaparecer” (Hebreus 8:13).
A cédula de ordenanças que nos era contrária foi “cravada na cruz” (Colossenses 2:14).
Paulo aplica isso diretamente a dias:
Colossenses 2:16-17: “Ninguém, pois, vos julgue… por causa de sábados, porque tudo isto são sombra das coisas que haviam de vir; o corpo é de Cristo.”
Romanos 14:5: “Um faz diferença entre dia e dia, outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.”
Logo:
O sábado, como sinal da antiga aliança, é parte de um sistema que apontava para Cristo e foi cumprido nEle.
Cristãos gentios (como brasileiros) não entram na aliança de Sinai; entram na Nova Aliança, selada com o sangue de Cristo.
3.2 O novo “selo”/“sinal” na Nova Aliança não é um dia
Na Nova Aliança:
O “selo” de pertença não é um dia da semana, mas o Espírito Santo:
Efésios 1:13: “Fostes selados com o Espírito Santo da promessa.”
Efésios 4:30: “Pelo qual estais selados para o dia da redenção.”
A marca dos que são de Cristo é o Espírito e o fruto que Ele produz (Gálatas 5:22-23), não o calendário judaico.
Então:
O judeu sob a antiga aliança podia apontar para o sábado como sinal de que pertencia ao povo da Torá.
O cristão brasileiro sob a Nova Aliança aponta para a obra do Espírito e para a fé em Cristo como marca de pertença.
4. Por que o sábado não é “sinal” com brasileiros (ou qualquer gentio) como foi com Israel
4.1 Porque brasileiros nunca estiveram sob a aliança do Sinai
O sábado foi sinal da aliança mosaica com:
Um povo étnico específico (Israel),
Numa configuração nacional específica (teocracia em Canaã),
Com um pacote legal completo (sacrifícios, festas, pureza ritual, etc.).
Brasileiros:
São, em sua esmagadora maioria, gentios por descendência.
Nunca estiveram sob a aliança de Sinai como nação.
Vêm a Deus pela Nova Aliança, não pela Torá nacional de Israel.
Exigir que o brasileiro adote o sábado como “sinal” da relação com Deus é:
Misturar alianças diferentes,
Exigir de gentios um marcador de identidade que Deus nunca colocou sobre eles.
4.2 Porque o Novo Testamento não impõe sábado a gentios
O Concílio de Jerusalém (Atos 15):
Debatiu se gentios convertidos deveriam ser circuncidados e obrigados a guardar a lei de Moisés.
Concluiu que não deveriam ser postos sob esse jugo, exceto por algumas recomendações mínimas ligadas à comunhão com judeus (abstenção de sangue, de coisas sacrificadas a ídolos e de imoralidade sexual).
Notável:
Nada é dito ali sobre impor sábado a gentios.
Se o sábado fosse “sinal universal”, era o momento perfeito de aclará-lo — mas o texto é silencioso.
Assim:
A igreja apostólica, ao lidar com gregos, romanos, sírios, etc., não impôs sábado como sinal, porque via esse sinal como próprio da antiga aliança com Israel.
5. O sábado continua com valor, mas não como “sinal” obrigatório universal
Reconhecer que:
O sábado foi sinal específico com Israel,
E não é sinal obrigatório para brasileiros ou demais gentios,
não implica dizer que:
O descanso é sem importância,
Ou que o mandamento carece de qualquer sabedoria moral.
Há princípios perenes:
Deus criou o ser humano com necessidade de ritmo entre trabalho e descanso.
O descanso semanal aponta para descanso mais profundo em Deus.
Há valor em separar tempo para culto, adoração, família.
Mas:
O cristão brasileiro é livre, em Cristo, para viver esses princípios sem estar preso à moldura legal da antiga aliança.
Pode cultuar no domingo, na quarta à noite, em qualquer dia, sabendo que o que o marca como povo de Deus não é o dia, mas o Espírito que habita nele e a fé no Cordeiro.
Conclusão
O sábado é, sim, chamado na Bíblia de “sinal” — mas Deus especifica que é sinal “entre mim e os filhos de Israel” na aliança de Sinai. Brasileiros e demais gentios, na Nova Aliança, não são introduzidos nessa aliança mosaica, mas em Cristo, e recebem como selo o Espírito Santo, não um dia da semana. Por isso:
O sábado foi sinal com os judeus,
Mas não é, nem nunca foi, sinal obrigatório de aliança entre Deus e o Brasil ou qualquer outra nação gentílica.
Segue uma lista em formato acadêmico (estilo próximo a ABNT/Chicago) apenas com fontes verificáveis citadas ou implícitas no artigo anterior sobre o sábado como sinal para Israel.
1. Bíblia
BÍBLIA.
Êxodo 20:8-11; 31:13-17; 35:2-3.
Deuteronômio 5:12-15.
Ezequiel 20:10-20.
Mateus 5:17.
Atos 15.
Romanos 14:5-6.
Colossenses 2:16-17.
Hebreus 8:6-13.
Efésios 1:13; 4:30.
Gálatas 5:22-23.
(Usar a tradução de preferência: ARA, ARC, NVI, etc.)
2. Estudos sobre sábado, aliança e criação
BOGGEMANN, Jan; KINDER, Kimberly. “Creation Rest: Exodus 20:8–11 and the First Creation Account.” Old Testament Essays, v. 31, n. 1, 2018.
FACTOR, R. “Cultural Evolution of an Institution: The Sabbath.” eScholarship, University of California. (Estudo histórico-cultural sobre o desenvolvimento da instituição do sábado.)
Artigos gerais sobre sábado e prática cristã primitiva em comentários e dicionários bíblicos padrão (Anchor Bible Dictionary, New Bible Dictionary, etc., não listados nominalmente nos resultados, mas relevantes para aprofundamento).
3. Documentos adventistas e análise de Ellen White (citados indiretamente nos debates)
Embora o artigo anterior não tenha usado diretamente Ellen White como fonte positiva, ela foi citada em respostas anteriores para mostrar contradições entre a visão adventista e a Bíblia. Seguem referências verificáveis importantes nesse contexto:
WHITE, Ellen G. The Desire of Ages. Mountain View, CA: Pacific Press. (Ver especialmente capítulo “Tradition”, onde ela comenta requisitos sabáticos judaicos.)
WHITE, Ellen G. Evangelism. Washington, D.C.: Review and Herald, 1946. (Declarações sobre “trio celestial” e “plenitude da Divindade”.)
“Saved or Not.” Ellen G. White® Estate – Issues: Out of Context. (Discussão de citações de Ellen White sobre salvação de pessoas fora do adventismo.)
FORTIN, Denis. “Ellen G. White and Hermeneutics, Part IV – Principles.” Andrews University (online). (Analisa princípios de leitura bíblica em Ellen White, incluindo aplicação de leis do AT.)
“Ellen White’s View of Other Christians.” Adventist Review, online. (Apresenta citações de Ellen White sobre verdadeiros cristãos em outras igrejas, inclusive chamadas de “Babilônia”.)
“Ellen G. White’s Statements on the Heathen Being Saved.” Perspective Digest, v. 27, n. 1. (Compila declarações sobre pagãos que nunca ouviram a lei nem o evangelho, mas podem ser salvos segundo a luz que têm.)
4. Fontes históricas e contextuais gerais
Para aprofundar o pano de fundo histórico-teológico usado no artigo (mesmo quando não explicitamente citado em cada frase):
CAIRNS, Earle E. Christianity Through the Centuries: A History of the Christian Church. Grand Rapids, MI: Zondervan, 1981. (Panorama da história da igreja, mostrando que a grande maioria dos cristãos históricos não guardou o sábado mosaico.)
KNIGHT, George R. A Search for Identity: The Development of Seventh-day Adventist Beliefs. Hagerstown, MD: Review and Herald, 2000. (História do desenvolvimento doutrinário adventista, incluindo sábado, lei e identidade.)
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Bibliographic References
Mateus 5:17. Bíblia.
Colossenses 2:16-17. Bíblia.
Efésios 1:13. Bíblia.
Efésios 4:30. Bíblia.
Gálatas 5:22-23. Bíblia.
Atos 15. Bíblia.
Êxodo 20:8-11. BÍBLIA.
Êxodo 31:13-17. BÍBLIA.
Êxodo 35:2-3. BÍBLIA.
Deuteronômio 5:12-15. BÍBLIA.
Ezequiel 20:10-20. BÍBLIA.
Romanos 14:5-6. BÍBLIA.
Hebreus 8:6-13. BÍBLIA.
BOGGEMANN, Jan; KINDER, Kimberly (2018). “Creation Rest: Exodus 20:8–11 and the First Creation Account.”. Old Testament Essays.
FACTOR, R. “Cultural Evolution of an Institution: The Sabbath.”. eScholarship, University of California.
WHITE, Ellen G. The Desire of Ages. Pacific Press.
WHITE, Ellen G. (1946). Evangelism. Review and Herald.
“Saved or Not.”. Ellen G. White® Estate – Issues: Out of Context.
FORTIN, Denis “Ellen G. White and Hermeneutics, Part IV – Principles.”. Andrews University (online).
“Ellen White’s View of Other Christians.”. Adventist Review, online.
“Ellen G. White’s Statements on the Heathen Being Saved.”. Perspective Digest.
Êxodo 31:13. Bíblia.
Êxodo 31:16-17. Bíblia.
Ezequiel 20:12. Bíblia.
Ezequiel 20:20. Bíblia.
Hebreus 8:13. Bíblia.
Colossenses 2:14. Bíblia.
Romanos 14:5. Bíblia.
Babilônia.
Ellen G. White’s Statements on the Heathen Being Saved. Perspective Digest.
CAIRNS, Earle E. (1981). Christianity Through the Centuries: A History of the Christian Church. Zondervan.
KNIGHT, George R. (2000). A Search for Identity: The Development of Seventh-day Adventist Beliefs. Review and Herald.