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    Jacó Lutou em Silêncio? Ellen White Contradiz a Si Mesma e à Doutrina do Perdão Divino
    Ellen White

    Jacó Lutou em Silêncio? Ellen White Contradiz a Si Mesma e à Doutrina do Perdão Divino

    January 24, 202611 min min readBy Rodrigo Custódio

    Introdução

    A Bíblia relata uma noite memorável em que Jacó lutou com um homem durante toda a noite:

    "Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares."

    (Gênesis 32:24-26)

    A Bíblia registra apenas as palavras que foram faladas quando o dia estava raiando. Não temos registro de qualquer discussão durante a luta noturna. Portanto, não sabemos se eles conversaram durante a noite ou não.

    Falando sobre a noite em que Jacó lutou com o anjo, Ellen White nos conta sobre uma luta silenciosa. Mas em outro escrito, ela nos diz que Jacó e o Anjo conversaram a noite inteira. Estas descrições contraditórias não apenas se excluem mutuamente—uma delas também contradiz a doutrina bíblica fundamental do perdão divino.


    I. Primeira Versão de Ellen White: Luta Completamente Silenciosa

    Em dois de seus escritos, Ellen White descreve a luta entre Jacó e o anjo como completamente silenciosa, sem uma única palavra pronunciada durante toda a noite:

    "De repente, uma mão forte foi colocada sobre ele. Ele pensou que um inimigo estava buscando sua vida, e tentou se livrar do aperto de seu assaltante. Na escuridão, os dois lutaram pelo domínio. Nem uma palavra foi falada, mas Jacó empregou toda a sua força, e não relaxou seus esforços por um momento."

    (Ellen White, Patriarchs and Prophets, p. 179)

    "A luta é severa; nenhum dos dois profere uma palavra; mas Jacó emprega toda a sua força, e não relaxa seus esforços por um momento. Assim a luta continua, até quase o raiar do dia, quando o estranho coloca seu dedo sobre a coxa de Jacó e ele fica aleijado instantaneamente."

    (Ellen White, Historical Sketches, p. 131)

    Estas descrições são claras e inequívocas:

    • "Nem uma palavra foi falada" (Not a word was spoken)

    • "Nenhum dos dois profere uma palavra" (neither utters a word)

    • A luta continua em silêncio "até quase o raiar do dia"

    • Apenas quando o dia está raiando é que palavras são trocadas (conforme Gênesis 32:26)


    II. Segunda Versão de Ellen White: Conversação Durante Toda a Noite

    Mas em outro escrito, Ellen White apresenta versão completamente diferente e contraditória, na qual Jacó e o anjo conversaram extensivamente durante toda a noite:

    "Um anjo foi representado a mim como estando diante de Jacó, apresentando seu erro diante dele em seu verdadeiro caráter. Quando o anjo se vira para deixá-lo, Jacó o segura, e não o deixará ir. Ele faz súplicas com lágrimas. Ele alega que se arrependeu profundamente de seus pecados, e dos erros contra seu irmão, que foram o meio de separá-lo da casa de seu pai por vinte anos. Ele se atreve a alegar as promessas de Deus, e os sinais de Seu favor para com ele de tempos em tempos, em sua ausência da casa de seu pai. Durante toda a noite Jacó lutou com o anjo, fazendo súplicas por uma bênção. O anjo parecia estar resistindo à sua oração, continuamente chamando seus pecados à sua lembrança, ao mesmo tempo tentando se livrar dele. Jacó estava determinado a segurar o anjo, não apenas pela força física, mas pelo poder da fé viva. Em sua angústia, Jacó se referiu ao arrependimento de sua alma, à profunda humildade que havia sentido por seus erros."

    (Ellen White, Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 118)

    Esta segunda versão contradiz completamente a primeira em múltiplos aspectos:

    Aspecto

    Primeira Versão

    Segunda Versão

    Comunicação verbal

    "Nem uma palavra foi falada"

    "Durante toda a noite" fazendo "súplicas"

    Duração da conversa

    Silêncio total até o amanhecer

    "Toda a noite" conversando

    Conteúdo da conversa

    Nenhum

    Anjo "continuamente chamando seus pecados à sua lembrança"

    Súplicas de Jacó

    Nenhuma mencionada

    "Súplicas com lágrimas", alegando arrependimento

    Resposta do anjo

    Nenhuma até o amanhecer

    "Resistindo à sua oração" verbalmente


    III. Análise: Uma das Duas Versões é Mentira

    Como observado corretamente na análise original: Uma destas duas versões é uma mentira descarada!

    A Bíblia não nos diz se Jacó e o anjo conversaram durante a noite ou não. O texto bíblico é silencioso sobre o assunto. Mas Ellen White não apenas preenche o silêncio bíblico—ela preenche de duas maneiras mutuamente exclusivas:

    Versão 1: Silêncio Absoluto

    • Nenhuma palavra pronunciada

    • Luta física intensa

    • Silêncio até o amanhecer

    Versão 2: Conversação Contínua

    • Súplicas vocais durante toda a noite

    • Diálogo teológico sobre pecados passados

    • Anjo verbalmente resistindo e lembrando pecados

    Ambas não podem ser verdadeiras. Se nem uma palavra foi falada, então Jacó não fez súplicas vocais a noite toda. Se Jacó fez súplicas vocais a noite toda, então palavras foram faladas. É logicamente impossível que ambas as descrições sejam precisas.


    IV. Contradição Mais Grave: Ellen White Contra a Doutrina do Perdão Divino

    A segunda versão de Ellen White não apenas contradiz a primeira—ela contradiz a própria doutrina bíblica do perdão de Deus. Ellen White ensinou que antes do anjo aparecer, Jacó já havia orado e se arrependido de seu pecado:

    "Se Jacó não tivesse previamente se arrependido de seu pecado ao obter a primogenitura por fraude, Deus não teria ouvido sua oração e misericordiosamente preservado sua vida."

    (Ellen White, Great Controversy , p. 620)

    Segundo Ellen White, portanto:

    1. Jacó já havia se arrependido de seu pecado antes da luta

    2. Deus já havia ouvido sua oração e aceitado seu arrependimento

    3. Deus misericordiosamente preservou sua vida como resultado

    O Ensino Bíblico Sobre o Perdão de Deus

    A Bíblia ensina claramente que quando Deus perdoa nossos pecados, Ele também os esquece:

    "Porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados."

    (Jeremias 31:34)

    Deus até promete que nunca mencionará o pecado perdoado novamente:

    "Nenhum de todos os seus pecados que cometeu lhe será lembrado; juízo e justiça fez, certamente viverá."

    (Ezequiel 33:16)

    "Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro."

    (Isaías 43:25)

    "Quanto está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões."

    (Salmo 103:12)

    A Contradição Teológica de Ellen White

    Mas Ellen White nos diz que, mesmo depois de Jacó ter se arrependido e Deus ter aceitado seu arrependimento, Deus enviou Seu anjo para "continuamente chamar seus pecados à sua lembrança":

    "O anjo parecia estar resistindo à sua oração, continuamente chamando seus pecados à sua lembrança..."

    (Ellen White, Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 118)

    Isto contradiz diretamente a promessa de Deus:

    O Que Deus Prometeu

    O Que Ellen White Diz Que Deus Fez

    "Nunca mais me lembrarei dos seus pecados"

    O anjo "continuamente chamava seus pecados à sua lembrança"

    "Nenhum de seus pecados lhe será lembrado"

    O anjo continuamente mencionava os pecados de Jacó

    "Dos teus pecados não me lembro"

    O anjo forçava Jacó a lembrar de seus pecados

    "Afasta de nós as nossas transgressões"

    O anjo mantinha os pecados presentes diante de Jacó


    V. O Caráter de Deus em Questão

    A descrição de Ellen White não apenas contradiz a doutrina do perdão—ela distorce o caráter de Deus de maneira profunda:

    1. Deus Como Acusador, Não Consolador

    Segundo Ellen White, mesmo após arrependimento genuíno, Deus envia Seu anjo não para confortar ou abençoar, mas para "continuamente chamar pecados à lembrança". Isto transforma Deus em acusador perpétuo.

    A Bíblia identifica claramente quem é o acusador:

    "Porque o acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite."

    (Apocalipse 12:10)

    O acusador é Satanás, não Deus. Quando Deus perdoa, Ele não acusa mais. Mas segundo Ellen White, o anjo de Deus age como Satanás—acusando continuamente.

    2. Perdão Condicional e Incompleto

    Se após arrependimento, Deus ainda envia anjo para "continuamente chamar pecados à lembrança", então o perdão de Deus é:

    • Condicional: dependente de algo além do arrependimento

    • Incompleto: não remove a memória ou menção do pecado

    • Temporário: pode ser revogado ou relembrado a qualquer momento

    • Inseguro: nunca podemos ter certeza de que pecados perdoados não serão mencionados novamente

    Isto contradiz a doutrina bíblica da justificação pela fé e perdão completo em Cristo.

    3. Deus Como Torturador Psicológico

    A descrição de Ellen White apresenta Deus como torturador psicológico que:

    • Aceita arrependimento

    • Mas então envia anjo para continuamente lembrar o pecador de suas falhas

    • Durante uma noite inteira

    • Enquanto o pecador está em angústia extrema

    Isto não é o Deus revelado em Jesus Cristo, que disse:

    "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei."

    (Mateus 11:28)

    "O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora."

    (João 6:37)


    VI. Outras Contradições no Relato de Ellen White

    Quando Jacó Reconheceu Ser um Anjo?

    Versão 1 (Patriarchs and Prophets, p. 179): "Ele pensou que um inimigo estava buscando sua vida"—implica que Jacó não sabia que era um anjo durante a maior parte da luta.

    Versão 2 (Spirit of Prophecy, vol. 1, p. 118): "Um anjo foi representado a mim como estando diante de Jacó"—e Jacó faz súplicas teológicas específicas ao anjo, implicando que ele sabia desde o início que era um ser celestial.

    A Natureza da Luta

    Versão 1: Luta física intensa, sem palavras, dominada por força física

    Versão 2: Luta espiritual e verbal, dominada por súplicas e argumentação teológica

    O Propósito do Anjo

    Versão 1: Não especificado—parece ser teste de resistência física

    Versão 2: Claramente definido—apresentar pecados de Jacó e resistir às suas orações


    VII. Por Que Ellen White Criou Duas Versões Contraditórias?

    Teoria 1: Fontes Diferentes

    É possível que Ellen White tenha lido ou ouvido diferentes sermões ou comentários sobre Gênesis 32, e simplesmente reproduziu versões diferentes em momentos diferentes, sem perceber a contradição.

    Teoria 2: Evolução Teológica

    Talvez sua compreensão do evento tenha evoluído com o tempo. Mas isto levanta a questão: se ela estava recebendo visões divinas, por que Deus lhe mostraria versões contraditórias do mesmo evento?

    Teoria 3: Preenchimento Imaginativo

    Ellen White pode ter criado detalhes narrativos para tornar a história mais vívida e dramática, sem se preocupar com consistência entre diferentes obras. Isto é comum em escritores de ficção, mas problemático para alguém que afirma receber revelação divina.

    Teoria 4: Falha de Memória

    Se Ellen White realmente recebeu "visões", é possível que sua memória das visões fosse falha, levando a descrições inconsistentes. Mas isto novamente questiona a natureza da suposta inspiração.


    VIII. Implicações para a Doutrina da Inspiração

    Para Adventistas que Sustentam Ellen White Como Profetisa

    Este caso apresenta problemas insolúveis:

    1. Se ambas as versões são inspiradas: Então Deus é autor de contradição (violando 1 Coríntios 14:33)

    2. Se apenas uma versão é inspirada: Qual delas? E como determinar? E por que Deus permitiria que versão não inspirada fosse publicada como se fosse revelação divina?

    3. Se nenhuma versão é inspirada: Então Ellen White estava preenchendo o silêncio bíblico com imaginação humana e apresentando como revelação divina

    4. Se a segunda versão é inspirada: Então Deus viola Suas próprias promessas de não lembrar pecados perdoados

    Para a Doutrina do Perdão

    Se a descrição de Ellen White de Deus "continuamente chamando pecados à lembrança" mesmo após arrependimento é verdadeira, então:

    • Jeremias 31:34 é falso ("nunca mais me lembrarei")

    • Ezequiel 33:16 é falso ("nenhum de seus pecados lhe será lembrado")

    • Isaías 43:25 é falso ("dos teus pecados não me lembro")

    • Salmo 103:12 é falso (afastar transgressões)

    Ou Ellen White está errada, ou a Bíblia está errada. Ambas não podem estar certas.


    IX. O Silêncio Bíblico é Proposital

    É importante notar que a Bíblia propositalmente não registra detalhes da conversa (se houve) durante a luta. O foco do texto bíblico é:

    1. A perseverança de Jacó

    2. A bênção que ele buscou

    3. A transformação de seu nome (Jacó → Israel)

    4. O encontro com Deus face a face

    O texto bíblico não nos diz:

    • Se eles conversaram durante a luta

    • Se o anjo mencionou pecados passados

    • Que súplicas específicas Jacó fez

    • Como o anjo "resistiu" (se é que resistiu)

    O silêncio bíblico é sábio. Deus revelou o que precisávamos saber e deixou de fora detalhes desnecessários.

    Ellen White, ao contrário, preencheu o silêncio—não com uma versão, mas com duas versões contraditórias, ambas apresentadas como revelação divina, e uma delas contradizendo a doutrina fundamental do perdão de Deus.


    X. Rejeite Ellen White

    Ellen White produziu duas descrições mutuamente exclusivas da luta de Jacó com o anjo:

    Versão 1: Luta completamente silenciosa—"nem uma palavra foi falada" durante toda a noite.

    Versão 2: Conversa contínua—Jacó fazendo "súplicas com lágrimas" e o anjo "continuamente chamando seus pecados à sua lembrança" durante toda a noite.

    Ambas não podem ser verdadeiras. Uma delas é, nas palavras da análise original, "uma mentira descarada."

    Pior ainda, a segunda versão contradiz não apenas a primeira, mas também a doutrina bíblica fundamental do perdão divino. Se Deus prometeu "nunca mais se lembrar" de pecados perdoados (Jeremias 31:34) e "nenhum de seus pecados lhe será lembrado" (Ezequiel 33:16), então é impossível que Ele enviasse um anjo para "continuamente chamar pecados à lembrança" de alguém que já havia se arrependido.

    Para adventistas que sustentam Ellen White como profetisa inspirada, este caso apresenta dilema insolúvel:

    1. Aceitar ambas as versões como inspiradas = aceitar que Deus se contradiz

    2. Aceitar apenas uma versão = admitir que Ellen White publicou revelação falsa

    3. Aceitar a segunda versão = negar as promessas bíblicas do perdão de Deus

    4. Rejeitar ambas = questionar quantas outras "revelações" eram imaginação humana

    A Bíblia deixa o evento parcialmente envolto em mistério. Ellen White remove o mistério—duas vezes, de formas contraditórias, uma delas blasfemando contra o caráter de Deus ao apresentá-Lo como acusador perpétuo que viola Suas próprias promessas de perdão completo.

    A verdade é simples: Ellen White não estava recebendo revelações divinas. Ela estava criando detalhes narrativos—às vezes de forma contraditória—para embelezar histórias bíblicas. Isto é aceitável em ficção devocional. É inaceitável em alguém que afirma ser porta-voz de Deus.

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    Bibliographic References

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    Gênesis 32:24-26. Bíblia.

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    WHITE, Ellen Patriarchs and Prophets.

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    WHITE, Ellen Spirit of Prophecy.

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    Ezequiel 33:16. Bíblia.

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    João 6:37. Bíblia.

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    1 Coríntios 14:33. Bíblia.

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