
Visagismo, Mentiras, Vaidade e a Contradição de Ellen White
A recente palestra promovida no contexto adventista, onde se afirma que Ellen Gould White seria "precursora do visagismo" e defensora da imagem alinhada feminina, representa um dos mais graves exemplos de revisionismo histórico e manipulação hermenêutica dentro do adventismo do sétimo dia.
A recente palestra promovida no contexto adventista, onde se afirma que Ellen Gould White seria "precursora do visagismo" e defensora da imagem alinhada feminina, representa um dos mais graves exemplos de revisionismo histórico e manipulação hermenêutica dentro do adventismo do sétimo dia. A palestrante, utilizando joias, maquiagem, unhas pintadas e brincos — adornos explicitamente condenados por Ellen White em centenas de páginas de seus escritos — apresenta uma versão edulcorada e fundamentalmente desonesta do que White efetivamente ensinou sobre vestuário, adornos e aparência feminina. Este artigo refutará sistematicamente essas distorções, utilizando fontes primárias adventistas que demonstram a incompatibilidade absoluta entre o que foi apresentado e o que Ellen White verdadeiramente escreveu.
A Alegação: Ellen White como Precursora do Visagismo
A palestrante afirma que Ellen White ensinou mulheres a "ter qualidade nas roupas ao invés de quantidade", a manter "imagem alinhada" que gera "respeito" do marido e filhos, e a praticar "naturalidade" similar à de Gisele Bündchen. Essa narrativa, embora superficialmente atraente, contradiz frontalmente o corpus literário de White sobre vestuário e adornos femininos.
Ellen White dedicou seções inteiras de seus Testemunhos à condenação do que ela denominava "amor ao vestuário" e "escravidão da moda". Em Testemunhos Seletos, volume 1, capítulo 109 intitulado "Simplicidade no Vestuário", White escreveu: "Foi-me mostrado que a principal causa de vossa apostasia é o amor que tendes ao vestuário. Isto leva à negligência de sérias responsabilidades, e mal vos achais possuidoras de uma centelha do amor de Deus no coração". A afirmação de que White defendia "imagem alinhada" que geraria admiração contraria sua própria definição de apostasia — abandono de Deus causado por preocupação com aparência.
Primeira Condenação Explícita: Joias, Ouro e Anéis
A palestrante usa joias visíveis em sua apresentação. Esta prática viola diretamente o ensino mais explícito de Ellen White sobre adornos. White escreveu:
"O apóstolo deu mui explícitas direções sobre esse ponto: 'Quero pois que ... as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, mas (como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus) com boas obras.' 1 Timóteo 2:8-10. Aqui o Senhor, por meio de Seu apóstolo, fala expressamente contra o uso de ouro. Que os que têm tido experiência cuidem em não fazer com que outros se desviem nesse ponto por causa de seu exemplo. Aquele anel que vos cerca o dedo, talvez seja muito simples, mas é inútil, e seu uso exerce errônea influência sobre outros" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 593, ênfase adicionada).
A linguagem não poderia ser mais clara: qualquer anel, por mais simples que seja, é "inútil" e exerce "errônea influência". White não deixou margem para interpretações subjetivas. Ela enfatizou que adventistas do sétimo dia deveriam ser reconhecidos pela ausência de joias: "Foi-lhe ensinado que os adventistas do sétimo dia não usavam joias, ouro, prata ou pedras preciosas, e que não se sujeitavam às modas mundanas em seu vestuário" (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 241-255).
White foi ainda mais incisiva ao classificar joias como ídolos que deveriam ser vendidos: "Seria melhor que aqueles que têm braceletes e usam ouro e ornamentos tirassem esses ídolos de sua pessoa e os vendessem, mesmo que fosse por muito menos do que deram por eles, praticando assim a abnegação" (Carta 110, 1896). O uso de joias pela palestrante não representa mera "liberdade cristã" — representa violação direta da autoridade profética que o adventismo reivindicou durante 150 anos.
Segunda Condenação Explícita: Maquiagem e Adornos Exteriores
A palestrante apresenta maquiagem evidente. Ellen White condenou explicitamente qualquer forma de adorno exterior que atraísse atenção ou demonstrasse vaidade. Ela escreveu: "Os que se apegam aos adornos proibidos na Palavra de Deus, nutrem orgulho e vaidade no coração. Desejam atrair a atenção. Seu vestuário diz: Olhem para mim; admirem-me. Assim cresce decididamente a vaidade inerente ao coração humano" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 599, ênfase adicionada).
A proibição se estende a qualquer forma de embelezamento artificial. White citou aprovadoramente as palavras do apóstolo Pedro: "O enfeite delas não seja o exterior, no frisado dos cabelos, no uso de jóias de ouro, na compostura de vestidos; mas o homem encoberto no coração; no incorruptível trajo de um espírito manso e quieto, que é precioso diante de Deus" (1 Pedro 3:3-5, citado em Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 598).
O adventismo moderno argumenta que maquiagem na TV Novo Tempo é necessária devido às "luzes do estúdio que desfiguram o rosto". Esta justificativa técnica contradiz o próprio princípio de White: "O vestuário simples fará com que uma mulher sensata se apresente sob o melhor aspecto" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 597). Se White estava correta sobre a simplicidade natural sendo o "melhor aspecto", então as "luzes do estúdio" não justificam maquiagem — representam apenas desculpa pragmática para violar princípios inconvenientes.
Terceira Condenação Explícita: Vestuário que Atrai Atenção
A alegação de que Ellen White defendia "imagem alinhada" que geraria admiração inverte completamente seu ensino. White condenou qualquer vestuário destinado a atrair atenção: "Acautelamos nossas irmãs em Cristo contra a tendência de fazerem seus vestidos de acordo com os estilos mundanos, atraindo assim a atenção. A casa de Deus é profanada pelo vestuário de mulheres professamente cristãs, hoje em dia. O vestuário extravagante, a exibição de correntes de ouro e rendas aparatosas, é uma clara indicação de cabeça fraca e coração orgulhoso" (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 241-255, ênfase adicionada).
O objetivo do vestuário cristão, segundo White, não era gerar admiração, mas demonstrar modéstia: "O vestuário simples fará com que uma mulher sensata se apresente sob o melhor aspecto. Julgamos o caráter de uma pessoa pelo estilo do seu traje. O vestuário pomposo indica um espírito fraco e vaidoso. A mulher modesta e piedosa trajar-se-á modestamente" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 597, ênfase adicionada). A distinção é fundamental: White defendia simplicidade que passasse despercebida, não "alinhamento" que atraísse olhares admiradores.
Quarta Condenação Explícita: Seguir Modas Mundanas
A palestrante compara Ellen White com Gisele Bündchen, supermodelo brasileira e ícone global de moda. Esta comparação constitui blasfêmia teológica dentro do sistema adventista. Gisele Bündchen representa precisamente o que White condenou com veemência: adoração à moda, ao corpo, e à imagem exterior.
Ellen White escreveu: "É uma vergonha para nossas irmãs, esquecerem tanto seu santo caráter e o dever que têm para com Deus, que imitem as modas do mundo. Não há desculpas para nós, senão na perversidade de nosso coração" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 595). Ela identificou Satanás como autor das modas: "Satanás é admiravelmente bem-sucedido em fascinar a mente com estilos de vestuário em constante mutação. Ele sabe que enquanto a mente das mulheres estiver continuamente cheia do febricitante desejo de seguir a moda, suas sensibilidades morais serão fracas, e elas não poderão ser despertadas para compreenderem sua verdadeira condição espiritual. São mundanas, sem Deus, sem esperança" (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 241-255, ênfase adicionada).
Gisele Bündchen dedica sua carreira inteira ao que White denominou "altar da moda". White foi incisiva: "Os adoradores do altar da moda são dotados de pequena resistência de caráter e pouca energia física. Não vivem para qualquer objetivo elevado, e sua existência não preenche nenhum digno fim" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 598). Comparar Ellen White a Gisele Bündchen equivale a comparar um asceta medieval a um modelo de passarela — a contradição é absoluta.
Quinta Condenação Explícita: Moda como Apostasia
Ellen White não tratou a questão do vestuário como preferência pessoal ou liberdade cristã — ela a identificou como causa de apostasia. Ela escreveu: "A moda está deteriorando o intelecto e carcomendo a espiritualidade de nosso povo. A obediência à moda está penetrando nossas igrejas adventistas do sétimo dia, e fazendo mais que qualquer outro poder para separar nosso povo de Deus" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 600).
A gravidade da questão para White era tal que ela propôs disciplina eclesiástica: "Todas as manifestações de orgulho no vestuário, proibidas na Palavra de Deus, devem ser motivo suficiente para disciplina na igreja. Caso haja continuação em face de advertências e apelos e ameaças, perseverando a pessoa em seguir sua vontade perversa, isto poderá ser considerado como prova de que o coração não foi absolutamente levado à semelhança com Cristo" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 600).
Pela lógica de White, a palestrante — usando joias, maquiagem e vestuário que atrai atenção — deveria ser disciplinada pela igreja. Ao invés disso, ela é elevada a porta-voz institucional sobre... Ellen White. A ironia é devastadora.
Sexta Condenação Explícita: Conformidade com o Mundo
O adventismo moderno orgulha-se de sua "relevância cultural". White condenava precisamente essa conformidade: "O vestuário mundano entre nosso povo é tão visível que os descrentes comentam freqüentemente: 'Pelo seu vestuário não se pode distingui-los do mundo.' Sabemos que isto é certo" (Mensagens Escolhidas, vol. 3, p. 241-255, ênfase adicionada).
Esta indistinguibilidade não era, para White, sinal de relevância missionária — era evidência de apostasia: "Muitos se têm unido aos mundanos no orgulho, na vaidade, na busca dos prazeres, lisonjeando-se de que podiam fazer tais coisas e ainda serem cristãos. São tais condescendências, no entanto, que os separam de Deus, e os tornam filhos do mundo" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 594).
Sétima Condenação Explícita: Jóias Não Darão Influência
A palestrante argumenta que "imagem alinhada" gera respeito e influência. Ellen White ensinou o oposto: "Não temos tempo para estar ansiosos e preocupados com o que comeremos e beberemos, e com o que nos vestiremos. Vivamos e trabalhemos com simplicidade. Trajemo-nos de um modo tão modesto e decoroso que sejamos recebidos aonde quer que formos. Jóias e vestuário dispendioso não nos darão influência, mas o ornamento de um espírito manso e tranqüilo — o resultado de dedicação ao serviço de Cristo — nos dará poder com Deus" (Manuscrito 83, 1909, ênfase adicionada).
White identificou o verdadeiro ornamento: "Existe um ornamento imperecível, o qual promoverá a felicidade das pessoas que convivem conosco, e manterá seu brilho no futuro. É o adorno de um espírito manso e humilde. Deus nos manda usar na alma o mais precioso vestido" (Testemunhos Seletos, vol. 1, p. 597, ênfase adicionada).
Conclusão: Hipocrisia Institucional e Manipulação Hermenêutica
A palestra analisada representa estratégia institucional deliberada: utilizar porta-vozes que violam explicitamente os escritos de Ellen White para vender uma versão palatável e culturalmente relevante do adventismo. A palestrante usa joias, maquiagem, e vestuário "alinhado" — todas práticas condenadas veementemente por White em centenas de páginas.
Esta contradição não é acidental. É sintomática da tensão fundamental do adventismo contemporâneo: como manter autoridade profética de Ellen White enquanto se rejeita seus ensinos mais inconvenientes? A solução: manipulação hermenêutica. Extraem-se frases isoladas sobre "qualidade de tecidos" (contexto: durabilidade, não moda) e ignora-se o corpus esmagador de condenações.
A comparação com Gisele Bündchen — ícone global de moda, beleza e vaidade — representa o ápice desta desonestidade. Ellen White descreveria Gisele como "adoradora do altar da moda" cuja "existência não preenche nenhum digno fim". Conectar White a Bündchen inverte completamente o ensino histórico adventista.
Para membros adventistas sinceros: Este artigo não ataca você, mas expõe a manipulação institucional que lhe é imposta. Ellen White foi clara, direta e inflexível sobre joias, maquiagem e adornos. Se sua igreja utiliza porta-vozes que violam esses princípios, não é você quem está errado ao questionar — é a instituição que está errada ao enganar.
Um chamado final: A Escritura declara: "Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não procede do Pai, mas procede do mundo" (1 João 2:15-16). O amor ao vestuário, aos adornos, e à imagem exterior representa precisamente essa "concupiscência dos olhos" que João condenou.
Ellen White estava errada em muitas coisas — mas seja coerente: se você reivindica sua autoridade profética, obedeça seus ensinos. Se você rejeita seus ensinos, abandone sua autoridade. Não se pode ter ambos. A hipocrisia de promover Ellen White enquanto se viola Ellen White destrói toda credibilidade institucional.
Distancie-se do adventismo que manipula seus próprios textos sagrados. Busque a Cristo da Escritura, que veio não para adornar corpos mortais, mas para transformar corações pecaminosos. "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie" (Efésios 2:8-9). A salvação não depende de vestuário simples nem de imagem alinhada — depende unicamente de Cristo crucificado e ressurreto. Soli Deo Gloria.
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