Refutando Pastores Adventistas - Parte 2
Refutando pastores adventistas mentindo no púlpito: análise bíblica das marcações de datas e inconsistências doutrinárias do adventismo. Leia agora e descubra.
Introdução
A marcação de datas no adventismo e as tentativas revisionistas de negar esse passado permanecem como questões centrais no debate sobre a integridade doutrinária da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD). Embora apologistas adventistas frequentemente afirmem que após o desapontamento de 1844 seus líderes nunca mais marcaram datas para a volta de Cristo ou eventos escatológicos, uma análise histórica e documental detalhada revela o oposto. Neste artigo, aprofundaremos este tema na parte dois da análise crítica sobre marcações de datas e revisionismo adventista, confrontando as afirmações de líderes como Michelson Borges, relatos históricos dos pioneiros e as contradições internas do movimento adventista. Examinaremos ainda a ligação desse fenômeno com a doutrina do juízo investigativo, o trauma pós-1844 e como essas práticas se perpetuam até o século XX. Convidamos o leitor a analisar, com base bíblica e histórica, se a teologia adventista sobre este ponto resiste ao teste da verdade.
1. Contexto Histórico: Marcação de Datas após 1844 e o Revisionismo Adventista
A marcação de datas no adventismo pós-milerita é frequentemente desmentida por seus atuais líderes e apologistas, que buscam reconfigurar o passado denominacional para adequá-lo ao discurso institucional contemporâneo. O ponto central de crítica é a alegação de que a IASD, institucionalizada, jamais marcou datas depois do fracasso de 1844, restringindo tal prática apenas ao período milerita.
1.1 Revisão Historiográfica e Contradição Interna
George Knight, talvez o mais respeitado historiador adventista, em sua obra Em Busca de Identidade e nas Meditações Diárias: Para Não Esquecer, documenta fartamente que lideranças adventistas continuaram o hábito de marcar datas mesmo depois de Outubro de 1844. Knight afirma explicitamente:
“Os primeiros adventistas guardadores do sábado não estavam imunes à marcação de datas.”
Tal citação desmonta o revisionismo promovido por escritórios oficiais, como a Casa Publicadora Brasileira (CPB), e apologistas midiáticos como Michelson Borges, que reiteram que "a Igreja Adventista nunca marcou datas". Diante das evidências, resta perguntar: quem está mentindo ou tergiversando, os apóstolos do revisionismo institucional ou o próprio historiador “oficial” do adventismo?
1.2 Exemplos Documentados de Marcação após 1844
Tiago White: Em setembro de 1845, White cria que Jesus retornaria no décimo dia do sétimo mês judaico daquele ano, chegando a admoestar casais que planejavam se casar — segundo ele, tal atitude era prova de “negar a fé no segundo advento”.
Joseph Bates: Em 1850, Bates afirma com convicção que, com base nas “sete manchas de sangue” representando sete anos, o juízo terminado em 1851 indicaria a volta de Cristo.
Hiram Edson e Henry Edson: Persistiam em calendário escatológico para 1851, defendendo cálculo baseado nos dias proféticos de Daniel 8:14.
Esses exemplos mostram não apenas a continuidade da obsessão adventista por marcar datas, mas também a contradição entre o discurso institucional contemporâneo e os fatos históricos primários.
2. Exegese Bíblica e o Erro Sistemático da Marcação de Datas
O adventismo recorre frequentemente a uma aplicação alegórica e arbitrária das Escrituras para justificar datas e “novas luzes”. O caso de Tiago White e as quatro vigílias de Marcos 13:35 ilustra como a exegese deficiente fomenta erros teológicos graves.
2.1 O Uso Arbitrário de Marcos 13:35
No artigo publicado no The Day Star de Julho de 1845, Tiago White interpreta as “vigílias” do texto como estágios proféticos para a volta de Jesus:
“Todos os fatos provam que já passamos a terceira vigília e estamos agora na quarta, ou vigília da manhã. Deve, então, terminar no décimo dia do sétimo mês ou ao final de outubro.”
Essa leitura ignora o contexto claro das palavras de Cristo:
“Vigiai, pois, porque não sabeis quando virá o senhor da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se pela manhã.” (Marcos 13:35)
A ordem de Jesus é inequívoca: “não sabeis quando virá”, reforçando a impossibilidade e a proibição de cálculos escatológicos precisos. A teologia reformada e a tradição evangélica veem nestas palavras um alerta contra o tipo de especulação praticado por White e seus seguidores.
2.2 História da Exegese Bíblica sobre a Volta de Cristo
A tradição cristã afirma que nenhum homem pode saber o dia ou a hora do retorno de Cristo (Mateus 24:36). O próprio Jesus é categórico ao ensinar que o tempo pertence ao Pai – não ao cálculo humano.
A igreja histórica vê a marcação de datas como heresia recorrente, refutada ao longo dos séculos.
O erro adventista está não apenas na ação, mas no método: aplicar alegorias arbitrárias, ignorando o claro ensino bíblico.
3. O Trauma de 1844, o Ciclo do Fanatismo Escatológico e o Papel dos Pioneiros
A psicologia do desapontamento de 1844 e o subsequente fanatismo escatológico formam o pano de fundo para a teologia adventista dos primeiros anos. Após a grande decepção, a energia não foi convertida em revisão doutrinária bíblica, mas numa busca ainda mais obstinada por justificar erros proféticos anteriores e marcar novas datas.
3.1 O “Trauma Redirecionado” dos Pioneiros Adventistas
Ao invés de abandonar a especulação, os principais líderes transformam o trauma em fanatismo escatológico — sistematizando novos esquemas, cálculos e visões.
José Bates exemplifica esse mecanismo ao propor os sete anos das “manchas de sangue”.
Ellen White atribui visões e experiências místicas à confirmação das datas e do fechamento da “porta da graça”, traduzindo o trauma em revelação particular.
Esse ciclo vicioso revela não apenas um problema teológico, mas psicológico: a recusa em lidar com o fracasso levando à formação de novas doutrinas e esquemas evasivos.
3.2 Testemunhos Históricos e a Contradição nas Origens
Diversos registros apontam que a própria Ellen White, em visões datadas de 1844–1851, sustentava a ideia do fechamento da porta da graça — declarando não haver mais salvação para os ímpios enquanto aguardava-se a volta iminente de Cristo:
“Eu vi que os ímpios não poderiam mais ser beneficiados por nossas orações.” (Ellen White, visão registrada por Uriah Smith, 1851)
Este tipo de testemunho, corroborado por registros como The True Sabbath de Miles Grant, demonstra que até mesmo aspectos essenciais da soteriologia adventista estavam ancorados em expectativas datadas, e não em um entendimento bíblico sólido.
4. Marcação de Datas e Continuidade Pós-Ellen White: Século XX e Revisionismo Contemporâneo
A crítica ao adventismo enfatiza que a prática de marcar datas não cessou com a geração pioneira, mas sobreviveu em diferentes formas ao longo das décadas seguintes, mesmo após a morte de Ellen White.
4.1 Casos Documentais no Século XX
1928, Associação Geral: Um líder da IASD, durante Semana de Oração no Emmanuel Missionary College, prevê a volta de Cristo para aquele ano, baseando-se nos “40 anos” após 1888.
Décadas de 1980–2000: Diversos adventistas, por meio de cálculos dos jubileus e ciclos de milênios, anunciam as datas de 1987, 1991, 1994, 1996, 1998, 2000 para o retorno de Jesus.
Esses episódios, descritos em livros como O Dia da Sua Vinda de Alceu L. Nunes, e reiterados por Pauline nos registros institucionais, refutam a tese de que a marcação de datas se restringiu ao passado milerita ou foi abandonada por “tradição oficial” adventista.
4.2 Revisionismo Apologético: Estratégias de Negação
A apologética institucional tenta minimizar esses episódios com as seguintes estratégias:
Redefinição semântica: distingue (artificialmente) o “movimento milerita” do “adventismo sabatista institucional”, apesar da continuidade histórica, doutrinária e de liderança.
Exclusão de lideranças: atribui os erros apenas a “fanáticos menores” ou “ex-mileritas isolados”, mesmo quando documentos apontam para envolvimento direto dos fundadores.
Distorção cronológica: alega que liderança eclesiástica apenas se estabilizou após 1863, negligenciando o papel fundador de visões e cálculos escatológicos em toda a doutrina adventista.
Tais estratégias não resistem ao escrutínio documental ou à crítica acadêmica objetiva.
5. Aspectos Teológicos: Soteriologia, Santuário e Implicações Escatológicas
A crise das marcações de datas no adventismo é indissociável de suas doutrinas centrais, sobretudo a teologia do santuário e o juízo investigativo. As consequências não são apenas históricas, mas teológicas e soteriológicas.
5.1 Juízo Investigativo e Fenômeno das “Portas Fechadas”
A doutrina adventista propaga que, a partir de 1844, Cristo passa a atuar no Santíssimo, iniciando o “juízo investigativo” — conceito sem base nas Escrituras e completamente alheio à ortodoxia evangélica.
A extensão dessa crença resulta em especulações quanto à “duração” do juízo, levando, por exemplo, José Bates a fixar sua conclusão para 1851 e Ellen White a supor a “porta da graça” fechada aos desavisados.
Tais doutrinas colidem frontalmente com os ensinamentos bíblicos sobre acesso imediato à salvação (Hebreus 10:19–22), suficiência do sacrifício de Cristo (Hebreus 7:24–27), e a imprevisibilidade do retorno do Senhor (Mateus 24:36).
5.2 Implicações para a Vida Cristã e o Evangelho
Quando datas são fixadas e posteriormente desaprovadas, o resultado é desânimo, descrédito do evangelho, insegurança e confusão espiritual. Muitos dos envolvidos nessas tentativas tiveram crises de fé e até consequências drásticas em suas vidas pessoais, conforme amplamente documentado nos relatos do pós-1844.
A teologia bíblica ensina o chamado contínuo ao arrependimento hoje ("Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração" — Hebreus 3:7–8).
O verdadeiro evangelho não depende de datas ocultas ou de cálculos secretos, mas da fidelidade diária enquanto se aguarda o Senhor “em qualquer tempo” (Lucas 12:40).
A continuidade da marcação de datas no adventismo é, portanto, sintoma de uma hermenêutica falha e de uma eclesiologia desconectada do evangelho puro.
Conclusão
A análise crítica aqui desenvolvida confirma, sem sombra de dúvida, que a marcação de datas foi, sim, uma característica persistente da história e da teologia adventista. Pioneiros como Tiago White, José Bates, Hiram Edson e, de maneira fisiológica, Ellen White, participaram da disseminação deste erro, o que desautoriza o revisionismo divulgado por apologistas e órgãos oficiais da IASD. Ademais, tal prática se prolongou, com diferentes roupagens, por todo o século XX, sinalizando não uma exceção mas uma tendência.
O problema central transcende o erro profético ou a má exegese. Ele afeta a própria natureza do evangelho: soteriologia bíblica, segurança da salvação, confiança na Palavra — todos ficam comprometidos quando a experiência cristã se baseia em cálculos humanos e não na pessoa de Jesus Cristo. A resposta evangélica e reformada a este fenômeno é o retorno ao compromisso incondicional com as Escrituras. É delas que o cristão deve extrair esperança e discernimento, sabendo que
“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão somente o Pai” (Marcos 13:32).
Portanto, rejeite o fanatismo escatológico e as tradições humanas. Confie apenas no evangelho eterno, eternamente seguro na obra consumada de Cristo. Esta é a verdade que liberta, pois “Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32).