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    Quando o Testemunho se Torna Propaganda: A Subserviência Institucional do Pastor Eleazar Domini
    Eleazar Domini

    Quando o Testemunho se Torna Propaganda: A Subserviência Institucional do Pastor Eleazar Domini

    Análise crítica revela como o adventismo prioriza propaganda institucional em vez de Cristo. Descubra os perigos teológicos dessa abordagem e aprofunde-se.

    19 de janeiro de 20269 min min de leituraPor Rodrigo Custódio

    O Evangelho Trocado pela Marca Registrada

    O pastor Eleazar Domini, em recente apresentação sobre o testemunho do pastor Antônio Monteiro (preso injustamente no Togo, África), oferece um exemplo cristalino de como o adventismo contemporâneo substitui a glória de Cristo pela glorificação de uma estrutura institucional. O que deveria ser um relato de fidelidade a Deus em meio ao sofrimento transforma-se em propaganda corporativa disfarçada de testemunho cristão.

    A pergunta que qualquer cristão comprometido com o sola scriptura deve fazer é: por que um pastor adventista, ao narrar a libertação miraculosa de um irmão, enfatiza mais o poder da Conferência Geral da IASD do que o poder de Deus?

    A resposta é simples e devastadora: porque no adventismo, a organização institucional ocupa o lugar que deveria ser exclusivo de Cristo.

    Quando o Testemunho se Torna Propaganda: A Subserviência Institucional do Pastor Eleazar Domini


    1. A Glorificação do CNPJ: "A Igreja Adventista Não É Um Negocinho"

    Logo no início da entrevista, ao descrever a mobilização internacional para libertar o pastor Antônio, o filho dele, Anderson, revela a verdadeira intenção da narrativa:

    "O governo do Togo percebeu que a igreja adventista não é um negocinho ali que eles pensavam."

    Esta frase não é acidental. Ela resume a teologia institucionalista que permeia todo o adventismo: o que importa não é a soberania de Deus operando através de Seu povo, mas sim o poder político, financeiro e midiático de uma denominação.

    Compare esta declaração com o ensino bíblico. Quando Pedro e João foram presos e libertados, não disseram às autoridades: "Saibam que a igreja cristã é poderosa!" Ao contrário, declararam:

    "Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós." (Atos 4:10)

    A diferença é gritante:

    • Apóstolos: exaltam o nome de Jesus.

    • Adventistas: exaltam a marca "Igreja Adventista do Sétimo Dia".


    2. O Marketing da Perseguição: "Milhões de Adventistas Se Reuniram"

    A apresentação dedica tempo considerável para quantificar a mobilização institucional, como se números validassem a aprovação divina:

    "Milhões de adventistas se reuniram em oração por um dia na semana passada em prol de dois membros da igreja presos em Togo na África Ocidental."

    "Seguidores do Facebook interagiram com a campanha Pray for Togo mais de 50 mil vezes enquanto a hashtag do evento atingiu mais de 7 milhões de usuários no Twitter."

    "Uma petição com mais de 16.000 assinaturas está a caminho do Togo."

    Note o padrão: a narrativa não enfatiza o conteúdo das orações, nem a fé dos que oravam, nem as promessas bíblicas sobre oração. Em vez disso, destaca métricas de engajamento digital — curtidas, compartilhamentos, hashtags.

    Isto não é testemunho cristão. É relatório de marketing corporativo.

    Biblicamente, Jesus advertiu contra oração espetaculosa:

    "E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois gostam de orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa." (Mateus 6:5)

    A campanha "Pray for Togo" não buscava glorificar a Deus no secreto, mas demonstrar ao mundo o alcance global da IASD.


    3. A Validação pelo Reconhecimento Humano, Não pela Palavra

    Repetidamente, o pastor Antônio baseia sua identidade como "homem de Deus" no reconhecimento de terceiros, não na conformidade com as Escrituras:

    "Libertem este homem de Deus" — disse o advogado muçulmano.

    "Todo mundo me protegia porque nunca acreditaram [que eu fosse culpado]."

    "Sou homem de Deus. Se vocês vão me tratar como criminoso, eu vou vos denunciar diante de Deus."

    O problema aqui é sutil, mas fundamental: a validação do ministério pastoral está sendo extraída de aprovação humana (presidiários, advogados, juízes), não da fidelidade à Palavra de Deus.

    O apóstolo Paulo tinha postura radicalmente diferente:

    "Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda aos homens, não seria servo de Cristo." (Gálatas 1:10)

    Paulo não dependia do reconhecimento de autoridades romanas, prisioneiros ou advogados para validar seu ministério. Sua autoridade vinha exclusivamente da Palavra de Deus e do chamado de Cristo.


    4. A Ausência do Evangelho: Moralismo no Lugar da Graça

    Em toda a apresentação, não há uma única exposição do evangelho da justificação pela fé. O que há é moralismo genérico:

    "Nós temos tolerância zero, amor ao próximo, amor a Deus, o espírito de Cristo dentro da gente."

    "Tolerância zero" e "amor ao próximo" não são o evangelho. São éticas derivadas do evangelho, mas não são o evangelho em si.

    O evangelho é:

    • Cristo morreu pelos nossos pecados (1 Coríntios 15:3).

    • Ressuscitou ao terceiro dia (1 Coríntios 15:4).

    • Somos justificados pela fé, não por obras (Romanos 3:28).

    Nada disso aparece. O que aparece é adventismo moral: sejam boas pessoas, pratiquem tolerância zero, amem o próximo.

    Isto revela que, para o adventismo institucional, o evangelho é secundário; o primário é a defesa da reputação denominacional.


    5. Teologia da Glória: Onde Está Bruno?

    A narrativa celebra a libertação do pastor Antônio como "vitória de Deus", mas silencia estrategicamente sobre o irmão Bruno, que permanece preso há 15 anos sob as mesmas acusações falsas.

    Anderson menciona brevemente:

    "Ele é do Togo, ele é togolês. Mas no mesmo julgamento libertaram seu pai e mantiveram o nosso irmão Bruno preso."

    E então o assunto é rapidamente encerrado. Por quê?

    Porque Bruno não serve à narrativa triunfalista. Ele é um embaraço teológico para quem prega que "Deus sempre liberta os inocentes".

    A Bíblia, no entanto, não tem vergonha de registrar que Deus nem sempre liberta fisicamente Seus servos:

    "Outros foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição." (Hebreus 11:35)

    João Batista foi decapitado. Estêvão foi apedrejado. Tiago foi morto à espada. Paulo foi executado.

    Onde estava a Conferência Geral? Onde estavam as hashtags? Onde estavam os 7 milhões de usuários do Twitter?

    A ausência de reflexão teológica sobre Bruno expõe a teologia rasa e triunfalista que sustenta o adventismo institucional.


    6. A Estrutura Hierárquica Não-Bíblica: Conferência Geral como "Salvador"

    A narrativa apresenta a Conferência Geral da IASD como agente indispensável da libertação:

    "Depois da visita do pastor Williams e do pastor Ted Wilson, presidente da Associação Geral, foi lá na prisão visitar."

    "Advogados locais tentaram inúmeros recursos legais, mas o pastor Monteiro e o irmão Amá continuaram presos. A Igreja Adventista decidiu então levar a questão a público."

    "Em 20 de novembro de 2012, um grupo foi formado para trabalhar no caso, na matriz mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia."

    A mensagem implícita é clara: sem a Conferência Geral, o pastor Antônio ainda estaria preso.

    Mas onde está isso na Bíblia?

    O Novo Testamento não apresenta nenhuma estrutura hierárquica centralizada semelhante à Conferência Geral adventista. As igrejas locais eram autônomas, governadas por presbíteros (Tito 1:5; Atos 14:23), e o concílio de Jerusalém (Atos 15) foi pontual e local, não uma estrutura permanente de governo mundial.

    A glorificação da Conferência Geral revela que o adventismo colocou uma estrutura humana no lugar da suficiência de Cristo e do poder do Espírito Santo.


    7. Ausência de Arrependimento ou Autocrítica Institucional

    Em toda a narrativa, não há uma única palavra de autocrítica sobre o fato de que a igreja local no Togo ajudou repetidamente o "psicopata" que depois acusou falsamente o pastor Antônio.

    O pastor Antônio diz:

    "A igreja não o ajudou porque a igreja o conhecia bem, simplesmente não me disseram nada disso, só depois é que me contaram história. Eu disse: 'Vocês também são culpados, porque eu não conheço o país, não conheço as pessoas, deveriam ter-me advertido.'"

    Isto levanta questões graves:

    • Por que a igreja local pagou para tirar um criminoso da prisão repetidas vezes?

    • Por que não houve discernimento pastoral?

    • Por que não houve prestação de contas sobre essa falha?

    Mas essas perguntas jamais são exploradas, porque a narrativa adventista não permite questionar a instituição.

    Biblicamente, porém, Cristo ordenou às igrejas que se arrependessem de suas falhas (Apocalipse 2:5, 16, 21-22; 3:3, 19).


    8. O Silêncio Sobre Ellen White: Sola Scriptura Fingido

    Embora Ellen White não seja citada diretamente, a apresentação menciona:

    "Nós estamos estudando na nossa lição da Escola Sabatina esse trimestre sobre o apóstolo Paulo."

    A "lição da Escola Sabatina" não é estudo direto da Bíblia. É estudo da Bíblia filtrado pela interpretação adventista, que coloca Ellen White como "chave hermenêutica".

    Isto viola o princípio do sola scriptura, que afirma: a Escritura interpreta a Escritura, não Ellen White interpreta a Escritura.


    9. A Comparação com Paulo: Apropriação Indevida

    O pastor Eleazar diz:

    "Nós estamos estudando na nossa lição da Escola Sabatina esse trimestre sobre o apóstolo Paulo. E uma das coisas que a gente viu é que o apóstolo Paulo, enquanto estava preso, ele não estava ali desesperado. Ao contrário, dentro da prisão, ele testemunhou, ele pregou."

    A comparação é superficial e enganosa.

    Paulo não foi liberto da prisão por campanha de hashtag, pressão política ou intervenção de uma "Conferência Geral".

    Paulo foi executado.

    E antes de ser executado, escreveu:

    "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada." (2 Timóteo 4:7-8)

    Paulo não dependia de liberdade física para cumprir sua missão. Sua confiança estava em Cristo, não em advocacy político.


    10. A Verdadeira Intencionalidade: Propaganda Institucional

    A apresentação não é, fundamentalmente, sobre:

    • A fidelidade de Deus.

    • A soberania divina no sofrimento.

    • O evangelho da graça.

    É sobre demonstrar o poder global da IASD.

    As provas estão nas próprias palavras:

    "O governo do Togo percebeu que a igreja adventista não é um negocinho."

    "Milhões de adventistas se reuniram."

    "A hashtag do evento atingiu mais de 7 milhões de usuários no Twitter."

    "Nunca sabia que esta igreja adventista era tão poderosa assim."

    Isto não é cristianismo bíblico. É propaganda corporativa.


    Subserviência a Um CNPJ

    O pastor Eleazar Domini, como tantos outros pastores adventistas, presta subserviência não a Cristo, mas a uma organização institucional — um CNPJ com estrutura global, orçamento milionário e campanhas de marketing.

    Quando a libertação de um irmão é usada para glorificar a marca "Igreja Adventista" em vez de glorificar exclusivamente a Cristo, o evangelho foi trocado por propaganda barata.

    Quando métricas de engajamento digital (curtidas, hashtags, compartilhamentos) são celebradas mais que arrependimento, fé e santidade, a igreja deixou de ser coluna e firmeza da verdade (1 Timóteo 3:15) e tornou-se agência de relações públicas.

    A pergunta final para todo adventista sincero é:

    Você segue a Cristo ou segue uma instituição?

    Porque não dá para servir a dois senhores.


    "Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mateus 5:16)

    Não à Igreja Adventista. Ao Pai que está nos céus.

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    Referências Bibliográficas

    [1]

    Atos 4:10. Bíblia.

    [2]

    Mateus 6:5. Bíblia.

    [3]

    Apocalipse 2:16. Bíblia.

    [4]

    Apocalipse 2:21-22. Bíblia.

    [5]

    Apocalipse 3:3. Bíblia.

    [6]

    Apocalipse 3:19. Bíblia.

    [7]

    Gálatas 1:10. Bíblia.

    [8]

    1 Coríntios 15:3. Bíblia.

    [9]

    1 Coríntios 15:4. Bíblia.

    [10]

    Romanos 3:28. Bíblia.

    [11]

    Hebreus 11:35. Bíblia.

    [12]

    Tito 1:5. Bíblia.

    [13]

    Atos 14:23. Bíblia.

    [14]

    Atos 15. Bíblia.

    [15]

    Apocalipse 2:5. Bíblia.

    [16]

    Apocalipse 2:5, 16, 21-22; 3:3, 19. Bíblia.

    [17]

    2 Timóteo 4:7-8. Bíblia.

    [18]

    1 Timóteo 3:15. Bíblia.

    [19]

    Mateus 5:16. Bíblia.

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