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    Ellen White e a Natureza de Cristo: Declarações Contraditórias Irreconciliáveis
    Ellen White

    Ellen White e a Natureza de Cristo: Declarações Contraditórias Irreconciliáveis

    A natureza humana de Cristo é uma consideração teológica de extrema importância. Ellen White, em seus escritos, assumiu duas posições contraditórias sobre a natureza de Cristo. Em alguns textos, ela afirma categoricamente que Jesus assumiu a natureza humana não caída de Adão antes da queda. Em outros escritos, ela declara com igual certeza que Cristo assumiu a natureza humana caída de Adão após a queda, incluindo todas as fraquezas e tendências herdadas de quatro mil anos de pecado.

    January 24, 202615 min min readBy Rodrigo Custódio

    Introdução

    A natureza humana de Cristo é uma consideração teológica de extrema importância. Ellen White, em seus escritos, assumiu duas posições contraditórias sobre a natureza de Cristo. Em alguns textos, ela afirma categoricamente que Jesus assumiu a natureza humana não caída de Adão antes da queda. Em outros escritos, ela declara com igual certeza que Cristo assumiu a natureza humana caída de Adão após a queda, incluindo todas as fraquezas e tendências herdadas de quatro mil anos de pecado.

    Essas contradições não são sutis nem facilmente harmonizáveis. Elas representam posições teológicas diametralmente opostas que têm dividido adventistas do sétimo dia por décadas. Este artigo examina ambas as posições apresentadas por Ellen White, analisa suas implicações teológicas, e compara com o ensino bíblico sobre a natureza de Cristo.


    I. Cristo Assumiu a Natureza Não Caída do Homem

    Abaixo estão citações de Ellen White indicando que Jesus assumiu uma natureza humana não caída, idêntica à de Adão antes da queda no Éden:

    "Não devemos ter nenhuma desconfiança quanto à perfeita impecabilidade da natureza humana de Cristo."

    (Ellen White, Selected Messages, vol. 1, p. 256. Também em Signs of the Times, 9 de junho de 1898, par. 15)

    "Ele deveria tomar Sua posição à frente da humanidade tomando a natureza, mas não a pecaminosidade do homem."

    (White, Signs of the Times, 29 de maio de 1901, par. 11)

    Esta declaração é particularmente significativa: Cristo tomou a "natureza" mas não a "pecaminosidade" do homem—exatamente como Adão antes da queda.

    "Não possuindo as paixões de nossa natureza humana caída, mas cercado por semelhantes enfermidades, tentado em todos os pontos assim como nós somos."

    (White, Testimonies, vol. 2, p. 509)

    "Ele sentiu a desgraça do pecado muito mais intensamente do que é possível ao homem senti-la, pois sua natureza divina e sem pecado era exaltada acima da natureza do homem."

    (White, Signs of the Times, 6 de janeiro de 1881)

    Em alguns de seus escritos, Ellen White assumiu a posição de que, para Jesus derrotar Satanás como o segundo Adão, era necessário que Ele viesse à terra tendo a mesma natureza que o primeiro Adão tinha, que era uma natureza não caída:

    "Ele deveria tomar Sua posição à frente da humanidade tomando a natureza, mas não a pecaminosidade do homem."

    (White, Signs of the Times, 29 de maio de 1901)

    "Quando Cristo curvou Sua cabeça e morreu, Ele levou os pilares do reino de Satanás consigo à terra. Ele venceu Satanás na mesma natureza sobre a qual no Éden Satanás obteve a vitória."

    (White, Youth's Instructor, 25 de abril de 1901)

    Note cuidadosamente: Adão tinha uma natureza não caída no Éden quando Satanás o derrotou. Portanto, segundo esta lógica de Ellen White, Cristo deveria ter a mesma natureza não caída para vencer onde Adão falhou.

    "Quando Adão foi assaltado pelo tentador no Éden, ele estava sem a mancha do pecado... Cristo, no deserto da tentação, ficou no lugar de Adão para suportar o teste que ele falhou em suportar."

    (White, Review and Herald, 28 de julho de 1874)

    "Não o coloquem diante do povo como um homem com as propensões do pecado. Ele é o segundo Adão. O primeiro Adão foi criado um ser puro e sem pecado, sem uma mancha de pecado sobre ele; ele estava à imagem de Deus."

    (White, Carta 8, 1895, p. 14. Encontrada em Manuscript Releases, vol. 13, p. 18)

    Esta declaração é explícita: não represente Cristo como tendo "propensões" (inclinação ou tendência natural) ao pecado. O primeiro Adão foi criado puro e sem pecado—e Cristo, como segundo Adão, teria a mesma natureza.

    "...sua [de Cristo] natureza era mais exaltada, pura e santa do que a da raça pecaminosa pela qual ele sofreu."

    (White, Review and Herald, 11 de setembro de 1888)

    "Ele era um poderoso suplicante, não possuindo as paixões de nossas naturezas humanas caídas, mas cercado por semelhantes enfermidades, tentado em todos os pontos assim como nós somos."

    (White, Testimonies, vol. 2, p. 509. A mesma citação também é encontrada em Review and Herald, 17 de agosto de 1886)

    "Ele nasceu sem uma mancha de pecado, mas veio ao mundo da mesma maneira que a família humana."

    (White, Carta 97, 1898, publicada em 7BC 926)

    "Ele é um irmão em nossas enfermidades, mas não em possuir paixões semelhantes."

    (White, Testimonies, vol. 2, p. 201)

    "O homem não poderia expiar pelo homem. Sua condição pecaminosa e caída o constituiria uma oferta imperfeita, um sacrifício expiatório de menor valor do que Adão antes de sua queda..."

    (White, Review and Herald, 17 de dezembro de 1872)

    Destas citações, parece que Ellen White acreditava que Jesus tinha a mesma natureza de Adão antes da queda—uma natureza humana perfeitamente sem pecado, sem "propensões" (inclinação ou tendência natural) para pecar. Isso tornaria Jesus fundamentalmente diferente dos seres humanos, que nascem com a propensão para pecar.


    II. Cristo Assumiu a Natureza Caída do Homem

    Estranhamente, Ellen White também escreveu um número similar de declarações onde ela assume a posição exatamente oposta—que Jesus assumiu a natureza humana em sua condição caída:

    "Não obstante os pecados de um mundo culpado terem sido colocados sobre Cristo, não obstante a humilhação de tomar sobre Si nossa natureza caída, a voz do céu O declarou ser o Filho do Eterno."

    (White, Desire of Ages, p. 112)

    "Ao assim tomar a humanidade, Ele honrou a humanidade. Tendo tomado nossa natureza caída, Ele mostrou o que ela poderia se tornar, aceitando a ampla provisão que Ele fez para ela, e tornando-se participante da natureza divina."

    (White, Special Instruction Relating to the Review and Herald Office, p. 13)

    "Estava na ordem de Deus que Cristo tomasse sobre si a forma e a natureza do homem caído."

    (White, Spirit of Prophecy, vol. 2, p. 39)

    "Vestido com as vestes da humanidade, o Filho de Deus desceu ao nível daqueles que Ele desejava salvar. N'Ele não havia engano ou pecaminosidade. Ele era sempre puro e imaculado; contudo Ele tomou sobre Si nossa natureza pecaminosa. Vestindo Sua divindade com humanidade, para que Ele pudesse se associar com a humanidade caída."

    (White, Review and Herald, 15 de dezembro de 1896)

    "A grande obra da redenção só poderia ser realizada pelo Redentor tomando o lugar de Adão caído. Com os pecados do mundo colocados sobre Ele, Ele passaria pelo terreno onde Adão tropeçou... O Rei da glória se propôs a humilhar-se à humanidade caída! Ele tomaria a natureza caída do homem e se engajaria em lidar com o forte inimigo que (havia) triunfado sobre Adão."

    (White, Review and Herald, 24 de fevereiro de 1874)

    "Ele tomou sobre Si a natureza humana caída e sofredora, degradada e contaminada pelo pecado."

    (White, Youth's Instructor, 20 de dezembro de 1900)

    "Ao tomar sobre Si a natureza do homem em sua condição caída, Cristo não participou de forma alguma do seu pecado."

    (White, Signs of the Times, 9 de junho de 1898; também em 1SM 256. Ver também Manuscrito 93, 1893: Cristo tomou "a natureza do homem em sua condição caída")

    "Jesus também lhes disse que...Ele deveria tomar a natureza caída do homem..."

    (White, Spiritual Gifts, vol. 1 , p. 25)

    "O Filho de Deus se humilhou e tomou a natureza do homem depois que a raça havia vagado quatro mil anos desde o Éden, e de seu estado original de pureza e retidão... Quando Adão foi assaltado pelo tentador no Éden, ele estava sem a mancha do pecado... Cristo, no deserto da tentação, ficou no lugar de Adão para suportar o teste que ele falhou em suportar... Cristo carregou os pecados e enfermidades da raça como eles existiam quando Ele veio à terra para ajudar o homem. Em favor da raça, com as fraquezas do homem caído sobre Ele, Ele deveria enfrentar as tentações de Satanás em todos os pontos com os quais o homem seria assaltado."

    (White, Review and Herald, 28 de julho de 1874, par. 3)

    "Estava na ordem de Deus que Cristo tomasse sobre si a forma e a natureza do homem caído..."

    (White, Spiritual Gifts, vol. 4a , p. 115. Esta citação foi reimpressa em Spirit of Prophecy, vol. 2 , p. 39. Também em Review and Herald, 31 de dezembro de 1872)

    "Embora Ele tivesse toda a força da paixão da humanidade, nunca Ele cedeu à tentação de fazer aquilo que não era puro, edificante e enobrecedor."

    (White, Signs of the Times, 21 de novembro de 1892, par. 8)

    Esta é uma declaração extremamente problemática: se Cristo tinha "toda a força da paixão da humanidade" (caída), como isso se harmoniza com as declarações anteriores de que Ele "não possuía as paixões de nossa natureza humana caída"?

    "A natureza divina, combinada com a humana, O tornou capaz de ceder às tentações de Satanás. Aqui o teste para Cristo foi muito maior do que o de Adão e Eva, pois Cristo tomou nossa natureza, caída..."

    (White, Manuscrito 57, 1890. Lançado em 1990 em 16MR 182)

    "Teria sido uma humilhação quase infinita para o Filho de Deus tomar a natureza do homem, mesmo quando Adão permanecia em sua inocência no Éden. Mas Jesus aceitou a humanidade quando a raça havia sido enfraquecida por quatro mil anos de pecado. Como cada filho de Adão, Ele aceitou os resultados do funcionamento da grande lei da hereditariedade."

    (White, Desire of Ages, p. 49)

    "Ele tomou sobre Sua natureza sem pecado nossa natureza pecaminosa, para que Ele pudesse saber como socorrer aqueles que são tentados."

    (White, Carta 67, 1902. Lançada em 1932 em Medical Ministry, 181)


    III. Análise: Uma Contradição Irreconciliável

    Por causa dessas declarações contraditórias, os adventistas do sétimo dia têm debatido entre si sobre a natureza de Cristo por décadas. É impossível que ambos os conjuntos de declarações sejam inspirados, porque são diametralmente opostos um ao outro.

    Perguntas Impossíveis de Responder

    1. Como Cristo poderia tomar a natureza de Adão tanto antes quanto depois da queda? Estas são duas naturezas fundamentalmente diferentes—uma sem pecado, outra corrompida pelo pecado.

    2. Como Ele poderia "não possuir paixões humanas" enquanto ao mesmo tempo tinha "toda a força das paixões da humanidade"? Estas declarações se contradizem frontalmente.

    3. Como Cristo poderia ser "sem uma mancha de pecado" ao nascer, mas ter "tomado nossa natureza pecaminosa"? Uma natureza pecaminosa é, por definição, manchada pelo pecado.

    4. Como Ele poderia ser "exaltado acima da natureza do homem" enquanto simultaneamente assumia "a natureza do homem em sua condição caída"?

    Evolução Temporal?

    Ainda mais perturbador: ambos os pontos de vista aparecem quase simultaneamente no tempo nos escritos de Ellen White ao longo de um período de 30 anos. Não parece que sua compreensão evoluiu com o tempo. Por exemplo:

    • 1858: Cristo tomou "a natureza caída do homem" (Spiritual Gifts, vol. 1, p. 25)

    • 1864: "Estava na ordem de Deus que Cristo tomasse sobre si a forma e a natureza do homem caído" (Spiritual Gifts, vol. 4a, p. 115)

    • 1874: Cristo carregou "as fraquezas do homem caído sobre Ele" (Review and Herald, 28 de julho de 1874)

    • 1881: Sua natureza era "exaltada acima da natureza do homem" (Signs of the Times, 6 de janeiro de 1881)

    • 1886: Ele não possuía "as paixões de nossas naturezas humanas caídas" (Review and Herald, 17 de agosto de 1886)

    • 1890: Cristo tomou "nossa natureza, caída" (Manuscrito 57, 1890)

    • 1892: Ele tinha "toda a força da paixão da humanidade" (Signs of the Times, 21 de novembro de 1892)

    • 1895: "Não o coloquem diante do povo como um homem com as propensões do pecado" (Carta 8, 1895)

    • 1896: "Ele tomou sobre Si nossa natureza pecaminosa" (Review and Herald, 15 de dezembro de 1896)

    • 1898: Ele nasceu "sem uma mancha de pecado" (Carta 97, 1898)

    • 1898: Ele tomou "a natureza do homem em sua condição caída" (Signs of the Times, 9 de junho de 1898)

    • 1901: Ele tomou "a natureza, mas não a pecaminosidade do homem" (Signs of the Times, 29 de maio de 1901)

    • 1902: "Ele tomou sobre Sua natureza sem pecado nossa natureza pecaminosa" (Carta 67, 1902)

    As contradições aparecem consistentemente ao longo de toda a sua carreira de escritora, impossibilitando qualquer tentativa de harmonização cronológica.


    IV. Visão Bíblica da Natureza de Cristo

    A Escritura declara:

    "Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo."

    (Hebreus 2:17)

    Isso significa que Jesus experimentou toda a gama de tentações e lutas humanas:

    • Fadiga física (João 4:6)

    • Fome e sede (Mateus 4:2; João 19:28)

    • Tristeza emocional (João 11:35)

    • Rejeição e solidão (Isaías 53:3; Marcos 14:50)

    • Tentação pelo diabo (Mateus 4:1-11)

    Isso não significa que Ele experimentou cada circunstância individual, mas sim que Ele enfrentou as mesmas categorias de provações que os humanos enfrentam.

    Jesus Não Estava Fingindo Ser Humano

    Jesus assumiu:

    • Um corpo humano real (João 1:14)

    • Uma alma humana racional e vontade (Mateus 26:39)

    • Desenvolvimento humano normal (Lucas 2:52)

    Para ser o segundo Adão, Ele tinha que ser plenamente homem, e ainda assim Ele também era plenamente Deus.

    A Diferença Crítica: A Impecabilidade de Cristo

    Jesus assumiu uma natureza verdadeiramente humana, mas não uma natureza caída ou pecaminosa. Ele nasceu sem pecado original, não tinha corrupção em Sua natureza, e nunca pecou em pensamento, palavra ou ação.

    A diferença crítica entre Cristo e todos os outros filhos de Adão é Sua impecabilidade:

    • Ele nunca pecou (1 Pedro 2:22; Hebreus 4:15)

    • Ele nunca cedeu à tentação (Mateus 4:1-11)

    • Ele nunca conheceu pecado (2 Coríntios 5:21)

    • Ele permaneceu moralmente perfeito, mesmo em meio à pressão e dor reais

    Portanto, embora Ele tenha sido tentado "em todos os pontos", Sua natureza interior era sem pecado. Ele não tinha inclinação inata ou cultivada para o mal (Hebreus 4:15).

    Diferentemente dos humanos, que são "formados em iniquidade", Jesus nasceu de semente incorruptível por uma virgem:

    "Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe."

    (Salmo 51:5)

    "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível..."

    (1 Pedro 1:23)

    "Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho..."

    (Mateus 1:23)

    Em Lucas 1:35, Jesus é chamado de "aquele Santo". Uma natureza santa é incompatível com uma natureza pecaminosa. Jesus nasceu santo, não com o pecado herdado de Adão.

    A Posição Protestante Histórica

    Historicamente, os protestantes rejeitam a ideia de que Jesus herdou uma natureza caída ou corrompida pelo pecado como Adão após a queda, porque tal natureza implicaria uma predisposição ao pecado, o que é teológica e biblicamente incompatível com Seu papel como Salvador sem pecado.

    Paulo explica que Jesus veio na "semelhança da carne do pecado" (Romanos 8:3). Ele não veio em carne pecaminosa "real", mas na "semelhança" dela. Jesus tinha carne humana real, mas apenas em forma como a nossa, não moralmente corrompida. Ele não herdou a culpa ou poluição da queda de Adão.

    "Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores..."

    (Hebreus 7:26)


    V. Implicações Teológicas das Contradições

    Para a Doutrina da Expiação

    Se Cristo assumiu uma natureza caída com propensões ao pecado, como alguns escritos de Ellen White afirmam, então:

    1. Seu sacrifício seria de "menor valor do que Adão antes de sua queda" (suas próprias palavras em Review and Herald, 17 de dezembro de 1872)

    2. Ele precisaria de expiação para Si mesmo

    3. Ele não poderia ser o "Cordeiro sem mácula e sem defeito" (1 Pedro 1:19)

    Para a Inspiração de Ellen White

    Se ambos os conjuntos de declarações são igualmente inspirados, então:

    1. Deus é o autor de contradição (o que a Bíblia nega em 1 Coríntios 14:33)

    2. Inspiração profética pode produzir ensinos teológicos mutuamente exclusivos

    3. Os leitores devem escolher qual "inspiração" seguir—a que diz que Cristo tinha natureza não caída ou a que diz que tinha natureza caída

    Para a Unidade Denominacional

    Estas contradições têm dividido adventistas por gerações:

    • Alguns defendem a posição de "natureza não caída"

    • Outros defendem a posição de "natureza caída"

    • Ambos os grupos citam Ellen White como autoridade

    • Ambos os grupos acusam o outro de heresia

    • Nenhum grupo pode resolver a contradição porque ela existe nos próprios escritos da "profetisa"


    VI. Conclusão

    Ellen White assumiu duas posições teológicas irreconciliáveis sobre a natureza de Cristo. Em alguns escritos, ela afirma que Cristo tinha a natureza não caída de Adão antes da queda—sem propensões ao pecado, sem paixões da natureza caída, perfeitamente santo. Em outros escritos, ela declara que Cristo assumiu a natureza caída do homem após quatro mil anos de degeneração—com todas as fraquezas herdadas, paixões da humanidade, e natureza pecaminosa.

    Ambas as posições não podem estar corretas simultaneamente. Ou Cristo tinha natureza não caída ou tinha natureza caída. Não há meio-termo teológico possível.

    O que torna esta contradição particularmente problemática é que ela não pode ser explicada como "evolução de pensamento" ao longo do tempo, pois as declarações contraditórias aparecem simultaneamente ao longo de 30 anos de escrita. Ellen White não mudou de posição—ela manteve ambas as posições contraditórias simultaneamente.

    Para adventistas que sustentam Ellen White como profetisa inspirada, esta contradição apresenta um dilema insolúvel:

    1. Se ambas as posições são inspiradas, então Deus se contradiz

    2. Se apenas uma posição é inspirada, então a outra não é—mas qual? E como determinar isso?

    3. Se nenhuma posição é inspirada, então Ellen White não era uma profetisa confiável em assuntos teológicos fundamentais

    A Escritura é clara: Cristo assumiu verdadeira humanidade, mas não natureza pecaminosa. Ele foi tentado em todos os pontos como nós, mas sem pecado (Hebreus 4:15). Ele veio na "semelhança da carne do pecado" (Romanos 8:3), não em carne pecaminosa real. Ele era "santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores" (Hebreus 7:26).

    Qualquer ensino que contradiga a impecabilidade absoluta de Cristo—seja em natureza ou ação—contradiz o próprio fundamento do evangelho. Um Salvador com natureza pecaminosa não pode salvar pecadores. Um Cristo com propensões ao pecado não pode ser o "Cordeiro sem mácula" (1 Pedro 1:19).

    Ellen White, em suas tentativas de explicar a encarnação, produziu contradições teológicas que continuam a confundir e dividir adventistas até hoje. A solução não está em tentar harmonizar o que é inerentemente contraditório, mas em retornar ao claro testemunho das Escrituras sobre a pessoa e natureza de Cristo.

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