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    Ellen G. White e o Vinagre: O Vício e a Mensagem de Saúde
    Ellen White

    Ellen G. White e o Vinagre: O Vício e a Mensagem de Saúde

    Ellen G White e o vinagre switchel Revelamos contradições, plágio e falhas proféticas em sua mensagem de saúde segundo análise acadêmica evangélica

    21 de enero de 20268 min min de lecturaPor Rodrigo Custódio

    1. Introdução: A Controvérsia do Vinagre

    Uma dos fatos mais estranhos sobre Ellen G. White é que ela lutou contra o que muitos descreveram como "vício em álcool" - especificamente, o consumo de vinagre switchel (uma bebida de cidra de maçã fermentada popular no século XIX).

    Em 2023, o artigo "Thank God Ellen White Was an Alcoholic" no site Adventist Today trouxe essa questão à tona, citando uma carta de 1911 onde Ellen White descreve sua "luta contra o desejo por vinagre" e sintomas físicos severos ao tentar parar.​

    Mas o que as fontes primárias realmente dizem? E como isso se relaciona com suas "visões de saúde" que supostamente vieram diretamente de Deus?


    2. Contexto Histórico: O Vinagre e o Switchel no Século XIX

    O que era o "vinagre" no tempo de Ellen White?

    No século XIX, "vinagre" frequentemente não era apenas o condimento que conhecemos hoje. Especialmente em comunidades rurais como Nova Inglaterra (onde Ellen White cresceu), o termo podia referir-se a:

    • Vinagre switchel ou "swizzle": uma bebida de cidra de maçã fermentada, água, gengibre e açúcar​

    • Cidra "duros" (hard cider): fermentados naturalmente, com teor alcoólico de 5-10%

    • Vinagre de maçã medicinal: usado para "estômago" e "infirmitades frequentes" (como 1 Timóteo 5:23 era interpretado)​

    O vinagre switchel era particularmente popular porque:

    • Era caseiro e barato

    • A fermentação natural criava álcool etílico (cerca de 2-5%)

    • Acreditava-se ter propriedades medicinais para digestão

    Crucial para entender: Ellen White escreveu sobre "vinagre" em 1911, quando tinha 83 anos, descrevendo uma experiência que ocorreu decadas antes. O vinagre comercial moderno é pasteurizado (sem álcool), mas o vinagre artesanal do século XIX fermentava continuamente, produzindo álcool.

    Como Era Feito, Quem Bebia e Por Quê

    O Que Era Switchel no Século XIX?

    Switchel (também chamado "haymaker's punch," "ginger-water," ou "swizzle") não era um refrigerante moderno inocente. Era uma bebida fermentada caseira extremamente popular em comunidades rurais de Nova Inglaterra — exatamente onde Ellen White cresceu e viveu.

    A receita era elementar mas crucial:

    • Água fria

    • Vinagre de maçã (fermentado naturalmente, não pasteurizado)

    • Gengibre ralado

    • Melado, mel ou xarope de bordo para adoçar

    Uma receita de 1853 (quando Ellen White tinha 25 anos) ilustra isso:​

    "Misture em cinco galões de água boa, meio galão de melado, um quarto de vinagre, e duas onças de gengibre em pó."

    Por Que Continha Álcool?

    O ponto crítico: O vinagre usado não era pasteurizado como o moderno. Era vinagre vivo, continuamente fermentado.

    O processo natural funciona assim:​

    1. Açúcar → Levedura → Álcool + CO₂

    2. Álcool → Bactéria acética → Vinagre + água

    Em jarras caseiras mal vedadas, deixadas sob árvores em dias quentes, a fermentação mantinha teor alcoólico de 2-5% — similar à cerveja leve moderna ou cidra "dura".

    Acesso Extremamente Fácil

    Ao contrário de bebidas alcoólicas "formais," switchel era:

    • Barato: ingredientes básicos de qualquer cozinha

    • Rápido: pronto em horas

    • Caseiro: sem marca, sem restrição legal

    • Sem estigma: vendido como "tônico medicinal de saúde," não como álcool

    Laura Ingalls Wilder descreveu sua mãe preparando switchel nos campos de feno no século XIX — uma cena que Ellen White teria reconhecido.​

    Uma Bebida de Mulheres?

    O switchel era preparado por mulheres em casa (domínio feminino na época), mas consumido por todos — homens, mulheres, crianças. Mães preparavam garrafões inteiros pela manhã para esfriar durante o dia.

    A Questão Crucial

    Ellen White cresceu em ambiente onde switchel era bebida padrão, normalizada, considerada medicinal, não "alcóolica." Se consumida diariamente desde a infância — como evidência sugere — sua "luta" de décadas para parar em 1911 faz muito mais sentido como abstinência de um hábito profundo, não como "fraqueza pessoal".


    3. A Confissão de Ellen White: Texto Primário

    A única fonte primária que descreve sua "luta com o vinagre" é a Carta 70, 1911, publicada em Counsels on Diet and Foods, p. 485.

    Texto original (tradução livre):

    "Houve um tempo em que estive em uma situação similar, em alguns aspectos, à sua. Eu tinha indulgido o desejo por vinagre. Mas resolvi, com a ajuda de Deus, superar este apetite. Lutei contra a tentação, determinada a não ser dominada por este hábito. Durante semanas eu estava muito doente; mas eu continuava dizendo repetidamente: O Senhor sabe tudo sobre isso. Se eu morrer, eu morro; mas não cederei a este desejo. A luta continuou, e eu fui gravemente afligida por muitas semanas. Todos achavam que era impossível eu viver. Você pode ter certeza de que buscamos o Senhor muito seriamente. As orações mais fervorosas foram oferecidas pela minha recuperação. Continuei a resistir ao desejo por vinagre, e finalmente conquistei. Agora não tenho inclinação para provar nada do tipo. Esta experiência tem sido de grande valor para mim em muitos aspectos. Obtenho uma vitória completa."​

    O que o texto revela:

    1. Ela chama de "hábito" (habit): palavra usada duas vezes​

    2. "Muito doente por semanas": sintomas físicos graves ao parar

    3. "Gravemente afligida por muitas semanas": duração prolongada

    4. "Todos achavam que era impossível eu viver": gravidade dos sintomas

    5. "Buscar o Senhor por recuperação": contexto religioso da luta


    4. Linha do Tempo: Consumo vs. Mensagem de Saúde

    Cronologia dos Eventos Críticos

    Ano

    Evento na Vida de Ellen

    Mensagem de Saúde Publicada

    Contradição

    1844

    Primeira visão (idade 17)

    -

    -

    1848

    Visão sobre tabaco, chá e café​

    Primeira advertência sobre estimulantes

    Vinagre não mencionado

    1854

    Visão sobre "comida gorda" e limpeza​

    Advertência contra alimentos pesados

    Vinagre não mencionado

    1863

    Visão MAJOR de Saúde em Otsego (6 de junho)

    Spiritual Gifts Vol. 4 - Primeira mensagem de saúde abrangente

    Vinagre não mencionado

    1865

    Segunda visão de saúde em Rochester (25 de dezembro)​

    Saúde torna-se parte da "mensagem do terceiro anjo"​

    Vinagre não mencionado

    1868

    Construção do Battle Creek Sanitarium começa​

    Dr. Kellogg influenciado

    -

    1884

    The Ministry of Healing publicado

    Condenação do álcool, vinho, cerveja e cidra

    Cidra = "escola para alcoólatras"

    1902

    Carta 135, 1902 (reescrita em 1911)

    Counsels on Diet and Foods cap. 24 - Condena vinagre

    Primeira condenação explícita do vinagre

    1909

    Mensagem "Fidelidade na Reforma da Saúde"​

    Reafirma todos os princípios de saúde

    Não menciona sua própria luta

    1911

    Carta 70, 1911 (publicada)

    Counsels on Diet and Foods p. 485

    CONFISSÃO do vício de vinagre


    O Problema da Cronologia:

    1. 1863-1865: Ellen White recebe "visões de Deus" sobre saúde, mas não menciona vinagre como problema

    2. 1884: Ela condena cidra como "escola para alcoólatras"​

    3. 1902-1911: Só então ela revela que lutou com "desejo por vinagre" por décadas

    4. 1911: Ela tem 83 anos - a luta ocorreu provavelmente durante toda sua carreira profética


    5. Os "Sintomas de Abstinência" e o que Eles Indicam

    Stephen Ferguson, autor do artigo Adventist Today, argumenta que os sintomas descrevem "abstinência clássica de álcool":​

    • "Muito doente por semanas" - não é reação a condimento comum

    • "Gravemente afligida" - linguagem usada para sofrimento físico intenso

    • "Todos achavam que eu não viveria" - gravidade extrema

    • "Se eu morrer, eu morro" - Ellen White acreditava que poderia morrer ao parar

    Críticas a essa interpretação:

    • Defensores da Ellen White argumentam que era "desintoxicação" de uma "substância ácida", não álcool​

    • No entanto, vinagre switchel fermentado naturalmente CONTÉM ÁLCOOL

    • O contexto cultural do século XIX confirma: switchel era considerado bebida alcoólica "leve"​


    6. A Mensagem de Saúde: Plágio e Contradição

    O Plágio das Fontes de Saúde

    Múltiplos estudos acadêmicos provaram que Ellen White plagou extensivamente suas "visões de saúde" de fontes contemporâneas:

    • Dr. Larkin B. Coles: The Laws of Health (1848) - plagiado em Spiritual Gifts (1864)​

    • Dr. James C. Jackson: artigos sobre hidroterapia e dieta​

    • Rev. Sylvester Graham: sobre vegetarianismo e temperança​

    • Dr. William Alcott: sobre alimentação natural​

    O que isso significa: As "visões divinas" de saúde eram na verdade compilações de ideias populares do movimento de reforma da saúde do século XIX, com pouca ou nenhuma originalidade.​

    A Contradição do Vinagre

    O que Ellen White Ensinava

    O que Ellen White Fazia

    "O vinagre é prejudicial, causa fermentação no estômago"

    Consumia vinagre switchel regularmente

    "Cidra é a escola para o alcoolismo"​

    Bebia cidra fermentada (vinagre switchel)

    "Temperança total é necessária"

    Lutou décadas para parar de um hábito

    "Deus revelou a mensagem completa em 1863"​

    Não aplicou a si mesma a parte sobre vinagre


    7. Implicações para a Autoridade Profética

    Se Ellen White foi genuinamente viciada em álcool (via vinagre switchel), isso levanta perguntas sérias:

    1. Por que Deus não revelou isso nas "visões" de 1863 e 1865?
      Se a saúde era tão importante, por que o "acesso direto ao céu" não incluiu seu próprio vício?

    2. Por que ela só confessou em 1911, 48 anos depois da visão de saúde?
      Isso sugere que ela não considerava o vinagre parte da "mensagem de saúde" até que foi pressionada a dar conselhos a outra pessoa.​

    3. Como pode uma profetisa "viciada" condenar o álcool?
      Se ela realmente tinha "vontade de Deus", por que lutou décadas para parar?

    4. A natureza plagiada de suas visões sugere que ela não tinha insight divino único, apenas compilou o que leu e excluiu seu próprio problema das primeiras publicações.​


    8. Conclusão: A Evidência Fala por Si

    Os fatos são claros:

    • Ellen White confessou lutar contra um "hábito de vinagre" que a deixou muito doente por semanas ao parar​

    • O "vinagre" do século XIX era frequentemente vinagre switchel/cidra fermentada com teor alcoólico de 2-10%

    • Ela não mencionou o vinagre em nenhuma de suas "visões de saúde" (1863, 1865, 1884)

    • Só condenou o vinagre publicamente em 1902, após décadas de consumo pessoal

    • Suas "visões de saúde" foram amplamente plagiadas de fontes contemporâneas​

    Para o pesquisador honesto, isso não prova necessariamente que Ellen White foi "alcoólatra" no sentido moderno, mas demonstra claramente:

    1. Hipocrisia: Ela condenou publicamente o que consumia em segredo

    2. Falha na "revelação": Seu "acesso divino" não a alertou sobre seu próprio problema

    3. Fraude intelectual: Passou ideias de outros como "visões de Deus" enquanto não seguia suas próprias regras

    A Igreja Adventista tenta minimizar isso como "luta pessoal com um hábito", mas a gravidade física descrita e o contexto alcoólico do vinagre switchel tornam essa explicação insuficiente para qualquer pesquisa histórica séria.​

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    Referencias Bibliográficas

    [1]

    (2023). Thank God Ellen White Was an Alcoholic. Adventist Today.

    [2]

    1 Timóteo 5:23. Bíblia.

    [3]

    WHITE, Ellen G. (1911). Carta 70, 1911. Counsels on Diet and Foods.

    [4]

    WHITE, Ellen G. Spiritual Gifts Vol. 4.

    [5]

    WHITE, Ellen G. (1884). The Ministry of Healing.

    [6]

    WHITE, Ellen G. (1902). Carta 135, 1902. Counsels on Diet and Foods cap. 24.

    [7]

    COLES, Larkin B. (1848). The Laws of Health.

    [8]

    JACKSON, James C. artigos sobre hidroterapia e dieta.

    [9]

    GRAHAM, Sylvester sobre vegetarianismo e temperança.

    [10]

    ALCOTT, William sobre alimentação natural.

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