
O Absurdo das Duas Línguas: Quando Ellen White Entende Satanás, mas Não Entende os Anjos
Descubra a incoerência entre os relatos de Ellen White sobre entender Satanás e não os anjos. Análise crítica revela falhas teológicas sérias. Confira agora
O Absurdo das Duas Línguas: Quando Ellen White Entende Satanás, mas Não Entende os Anjos
Introdução: A Contradição que a Igreja Esconde
A história oficial da Igreja Adventista do Sétimo Dia apresenta Ellen G. White como a "mensageira do Senhor", cujas visões e escritos guiaram a denominação desde seus primórdios. Porém, uma análise cuidadosa de seus textos originais revela uma contradição tão gritante que, se levada a sério, desmonta a própria fundamentação de sua autoridade profética.
A questão é simples e devastadora: por que Ellen White, supostamente inspirada por Deus, entendia perfeitamente os planos de Satanás em suas reuniões secretas com os anjos caídos, mas alegava não conseguir entender as mensagens celestiais dos anjos fiéis porque estavam em "língua de Canaã"?
Este artigo expõe, com textos originais em português, fontes verificáveis e documentação histórica irrefutável, o absurdo dessa posição – um absurdo que a liderança adventista prefere ignorar, mas que qualquer mente honesta não pode deixar de reconhecer.
1. A "Língua de Canaã" nos Escritos Autógrafos de Ellen White
1.1. O Uso Legítimo da Expressão
Ellen White usa a expressão "língua de Canaã" em seus escritos autênticos, mas sempre como metáfora da inadequação da linguagem humana, nunca como desculpa para incompreensão.
No livro Vida e Ensinos (primeira edição brasileira de Early Writings), ao descrever sua visão do Novo Céu, ela escreve:
"As maravilhosas coisas que ali vi, não as posso descrever. Oh, se me fosse dado falar a língua de Canaã, poderia então contar um pouco das glórias do mundo melhor." (Vida e Ensinos, p. 64; original: Early Writings, p. 18.2)
Fonte primária verificável: Ellen G. White, Vida e Ensinos (edição brasileira da Casa Publicadora Brasileira, 2004), cap. "Visão da Nova Terra", p. 64. O texto original em inglês foi publicado em Review and Herald, 21 de julho de 1851, e republicado em Early Writings (1882), p. 18.2.[adventistas]
Observe: ela não diz que não entendeu o que viu ou ouviu no céu. Diz que, de volta à Terra, não consegue descrever o que viu porque a linguagem humana é insuficiente. É uma queixa sobre limitação expressiva, não perceptiva.
1.2. O Uso Espiritual da Expressão
Em outros contextos, Ellen White usa "língua de Canaã" para designar pensamento e comportamento celestial:
"Não devemos cultivar a linguagem da terra, e familiarizar-nos tanto com a conversação dos homens, que a língua de Canaã se torne nova e desconhecida para nós. Devemos aprender na escola de Cristo..." (Filhos e Filhas de Deus, p. 72; original: Youth's Instructor, 28 de junho de 1894)[whiteestate]
Aqui, o significado é moral/espiritual, não linguístico. "Língua de Canaã" = modo de pensar santo.
2. Ellen White Entendendo Satanás: O Conselho Infernal
2.1. "Satanás Faz Solene Consulta com Seus Anjos"
Em Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos, capítulo "As Ciladas de Satanás", Ellen White descreve não apenas a reunião de Satanás, mas coloca palavras na boca dele:
"Ao se aproximar o povo de Deus dos perigos dos últimos dias, faz Satanás solene consulta com seus anjos, quanto ao plano mais eficaz para desarraigar-lhes a fé. Vê que as igrejas populares já foram embaladas ao sono por seu poder enganoso. Por meio de sofismas agradáveis e maravilhas mentirosas pode continuar a mantê-las sob seu controle. Dirige, pois, seus anjos a armarem suas ciladas principalmente para aqueles que aguardam a segunda vinda de Cristo e procuram guardar todos os mandamentos de Deus." (TM 472.1)[m.egwwritings]
Fonte primária: Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos (Casa Publicadora Brasileira, 2011), cap. "As Ciladas de Satanás", p. 472.1. O texto é reprodução fiel do original inglês Testimonies to Ministers and Gospel Workers (1923), pp. 472-475.[diggingfortruth]
2.2. O Discurso Direto de Satanás
O texto continua com discurso direto atribuído a Satanás, como se Ellen White tivesse ouvido cada palavra:
"Diz o grande enganador: 'Devemos vigiar aqueles que chamam a atenção do povo para o sábado de Jeová... Devemos exaltar o sábado de nossa criação... Influenciarei ministros populares para desviar a atenção de seus ouvintes dos mandamentos de Deus... Farei com que o mundo acredite que o primeiro dia é o sábado...'" (TM 472.2-473.1)[m.egwwritings]
Fonte primária: Idem, p. 472-473. O discurso ocupa três páginas completas de instruções detalhadas que Satanás supostamente deu a seus anjos.
2.3. "Satanás Reuniu os Anjos Caídos"
Em outra obra, Temperança, Ellen White descreve outra reunião demoniaca:
"Satanás reuniu os anjos caídos para tramar algum modo de fazer o maior mal possível à família humana. Uma proposta após outra foi feita, até que finalmente Satanás pensou num plano. Tomaria o fruto da videira, também o trigo e outras coisas dadas por Deus como alimento, e as converteria em venenos..." (Temperança, cap. 2)[m.egwwritings]
Fonte primária: Ellen G. White, Temperança (Casa Publicadora Brasileira, 2009), cap. "O Início da Intemperança", p. 11. O mesmo texto aparece em Conselhos sobre Saúde, p. 58 e em Review and Herald, 16 de abril de 1901.[m.egwwritings]
2.4. O Consenso da Liderança
A própria Casa Publicadora Brasileira, em sua edição de Testemunhos para Ministros, introduz o capítulo com esta nota:
"Este capítulo é uma reprodução fiel do que foi publicado em The Spirit of Prophecy, vol. 4 (1884), cap. 27, 'The Snares of Satan', pp. 337-340."[m.egwwritings]
Ou seja: a Igreja reconhece que Ellen White descreveu, em detalhes, as palavras exatas de Satanás em conselho com seus anjos.
3. A Acusação de Gilbert Cranmer: A Desculpa da "Língua de Canaã"
3.1. O Testemunho Histórico
Agora chegamos ao cerne do absurdo. Em 1854, Gilbert Cranmer, ex-ministro adventista que rompeu com os White, registrou um depoimento que circulou entre críticos da Igreja:
"Ela respondeu que lhe haviam dito na língua de Canaã, que ela não entendia, mas que desde então compreendeu que Cristo viria em setembro, no segundo crescimento da grama em vez do primeiro..."[pt.scribd]
Fonte primária: O testemunho de Cranmer foi publicado em The Messenger of Truth (1854) e republicado em diversas obras críticas. A citação acima aparece em Dirk Anderson, Expondo a Verdade Oculta de Ellen White (2025), p. 6, que reproduz fielmente o texto original de Cranmer.[pt.scribd]
3.2. O Contexto da Acusação
Cranmer referia-se à falha da profecia de 1843/1844, quando Ellen White e outros adventistas previram a volta de Cristo para 1843 (depois revisada para 1844, depois para "outubro de 1844", depois interpretada como entrada de Cristo no Santuário Celestial).
A acusação é clara: quando a profecia falhou, Ellen White teria justificado dizendo que a mensagem celestial foi dada em "língua de Canaã", que ela não compreendeu corretamente.
3.3. A Reprodução em Fontes Modernas
A mesma citação aparece em obras críticas contemporâneas:
"Durante o verão, depois que junho passou, ouvi um amigo perguntar-lhe como explicava a visão? Ela respondeu que 'lhe disseram na língua de Canaã, e ela não entendeu a língua; que seria o próximo setembro que o Senhor viria, e o segundo crescimento da grama em vez do primeiro em junho'."[thethinkingcup]
Fonte: Answering Adventism, "Ellen G. White: False Date Setting" (2025), que cita a reprodução em The Life of Ellen White por Gerald Wheeler.
4. A Resposta Oficial da IASD: Silêncio Estratégico
4.1. Negação Indireta
A Igreja Adventista, por meio de seus departamentos oficiais, nunca negou diretamente que Ellen White tenha dito isso. Em vez disso, adota duas estratégias:
a) Desacreditar a fonte: "Cranmer era um desafeto, sua memória é duvidosa."[nonegw]
b) Reinterpretar o texto: "Ellen White nunca usou 'língua de Canaã' como desculpa; Cranmer teria entendido errado."[centrowhite.org]
4.2. A Posição da Ellen White Estate
No site oficial da Ellen White Estate, há uma página intitulada "Declarações Incorretamente Atribuídas a Ellen G. White", mas curiosamente, a citação de Cranmer não aparece na lista.[centrowhite.org]
A página lista outras falsas atribuições, mas silencia sobre a mais explosiva: a desculpa da "língua de Canaã" para justificar erro profético.
5. Análise Crítica: O Absurdo Desmontado
5.1. A Contradição em Três Pontos
Vamos sintetizar o absurdo:
Evento | Capacidade de Ellen White | Implicação |
|---|---|---|
Conselho de Satanás | Entende perfeitamente, reproduz discurso de 3 páginas | Ela tem acesso direto e compreensão plena da linguagem demoniaca |
Visão do Céu | Não consegue descrever, mas não alega incompreensão | Limitação da linguagem humana, não perceptiva |
Mensagem de data (1844) | Segundo Cranmer: não entendeu porque estava em "língua de Canaã" | Se verdadeiro: ela entende Satanás, mas não entende anjos fiéis |
Absurdo lógico: Como uma profetisa "inspirada" pode ter acesso privilegiado aos conselhos mais secretos de Satanás, em detalhe minucioso, mas falhar em compreender uma mensagem celestial simplesmente porque estava em "língua de Canaã"?
5.2. A Hipótese da Falsidade Seletiva
Há apenas duas possibilidades:
a) Se Cranmer está correto: Ellen White mentiu ou foi incompetente. Ela entendia o diabo perfeitamente, mas fingia não entender Deus quando sua profecia falhava.
b) Se Cranmer está errado: Por que a Igreja não prova isso? Por que não apresenta o manuscrito original onde ela explica a mudança de data de forma diferente?
O silêncio é eloquente.
5.3. A Prova do Pudim: Onde Está o Manuscrito?
Ellen White escreveu mais de 100.000 páginas de manuscritos, cartas e diários. Se ela nunca disse a Cranmer que não entendeu a mensagem por ser "língua de Canaã", onde está o documento onde ela explica a falha da data de 1843/1844?
A resposta: não existe. A explicação oficial só surgiu anos depois, reinterpretando o evento como "entrada no Santuário Celestial", não volta física. E essa reinterpretação não tem base em nenhum manuscrito de 1844-1845.
6. Implicações para a Autoridade de Ellen White
6.1. O Teste Bíblico
A Bíblia estabelece um teste simples para profetas:
"Quando o profeta falar em nome do Senhor, e a palavra não se cumprir nem suceder, é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele." (Deuteronômio 18:22)
Ellen White profetizou a volta de Cristo para 1843, depois 1844, depois outubro de 1844. Nenhuma dessas profecias se cumpriu como anunciado.
Se a desculpa da "língua de Canaã" é falsa: Ellen White foi uma falsa profetisa, segundo o próprio teste bíblico.
Se a desculpa é verdadeira: Ellen White era incompetente para entender mensagens divinas, mas brilhante para entender mensagens demoniacas.
6.2. A Implicação Teológica
A contradição expõe um problema gravíssimo na teologia adventista:
Se Deus revela os planos de Satanás em detalhes (TM 472-475), por que não revela claramente a data correta?
Se Ellen White entende "a língua de Canaã" o suficiente para lamentar não poder falá-la (VE 18.2), por que não entendeu quando importava?
A única resposta lógica: ou a história de Cranmer é verdadeira, ou Ellen White inventou os discursos de Satanás para dar autoridade a suas próprias advertências sobre o sábado.
Conclusão: O Espelho Quebrado da Profecia
O que temos diante de nós não é uma questão de "interpretação" ou "contexto". É uma contradição documental irrefutável:
De um lado: Ellen White, em seus próprios escritos, demonstra compreensão perfeita dos conselhos de Satanás, reproduzindo discursos de três páginas com detalhes minuciosos (TM 472-475).
De outro lado: Testemunhos históricos contemporâneos, nunca refutados oficialmente, afirmam que ela alegou incompreensão de mensagens celestiais por estarem em "língua de Canaã".
Do terceiro lado: Nos seus escritos autógrafos, ela usa "língua de Canaã" exclusivamente como metáfora de inadequação linguística, nunca como desculpa para erro.
Não há saída honrosa para a Igreja Adventista:
Se a acusação de Cranmer é falsa, por que a Ellen White Estate não a inclui na lista de "declarações incorretamente atribuídas" e não apresenta o manuscrito que explica a mudança de data de forma diferente? O silêncio é uma confissão.
Se a acusação de Cranmer é verdadeira, Ellen White foi uma falsa profetissa segundo Deuteronômio 18:22, ou então uma "profetisa seletiva" que entendia o diabo melhor que Deus.
O Único Caminho para a Honestidade
A Igreja Adventista tem três opções:
Negar Cranmer com provas: Apresentar o manuscrito original onde Ellen White explica a falha de 1844 sem usar a "língua de Canaã" como desculpa. Até hoje, não o fizeram.
Admitir a contradição: Reconhecer que a explicação de Ellen White sobre o "conselho de Satanás" é ilusória, um dispositivo literário para dar peso a suas advertências sobre o sábado. Mas isso desmonta a autoridade de todos os seus escritos.
Manter o silêncio estratégico: Continuar ignorando a questão, enquanto a liderança sabe que qualquer membro que pesquise as fontes primárias encontrará o mesmo absurdo que você acaba de ler.
A Pergunta Final
Você, leitor honesto, deve decidir:
É mais razoável crer que Deus revelaria os planos secretos de Satanás em detalhe absoluto a uma profetisa, mas usaria uma "língua de Canaã" incompreensível para revelar a data da volta de Cristo?
Ou é mais razoável concluir que Ellen White, como tantos outros profetas auto-intitulados, inventou detalhes para legitimar sua autoridade e, quando a profecia falhou, inventou uma desculpa conveniente?
As fontes estão aí. Os textos são verificáveis. A contradição é real.
A verdade não teme a investigação. A Igreja Adventista sim.
Fontes Primárias Verificáveis:
Ellen G. White, Vida e Ensinos (Casa Publicadora Brasileira, 2004), p. 64.
Ellen G. White, Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos (CPB, 2011), pp. 472-475.
Ellen G. White, Temperança (CPB, 2009), cap. 2.
Gilbert Cranmer, The Messenger of Truth (1854), citado em Dirk Anderson, Expondo a Verdade Oculta de Ellen White (2025), p. 6.
Answering Adventism, "Ellen G. White: False Date Setting" (2025).
Ellen White Estate, "Declarações Incorretamente Atribuídas a Ellen G. White" (2011).
Artículos Relacionados
Ver todos
Ellen White e as Contradições: A "Profetisa" das Mil Faces

A Falsa Conversão de Ellen White em 1888

A Heresia de Ellen White: As Palavras da Bíblia São Inspiradas?

Jacó Lutou em Silêncio? Ellen White Contradiz a Si Mesma e à Doutrina do Perdão Divino
Referencias Bibliográficas
WHITE, Ellen G. (2004). Vida e Ensinos. Casa Publicadora Brasileira.
WHITE, Ellen G. (1882). Early Writings.
WHITE, Ellen G. Filhos e Filhas de Deus.
WHITE, Ellen G. (1894). Youth's Instructor.
WHITE, Ellen G. (2011). Testemunhos para Ministros e Obreiros Evangélicos. Casa Publicadora Brasileira.
WHITE, Ellen G. (1923). Testimonies to Ministers and Gospel Workers.
WHITE, Ellen G. (2009). Temperança. CPB.
WHITE, Ellen (2009). Temperança. Casa Publicadora Brasileira.
WHITE, Ellen G. Conselhos sobre Saúde.
(1884). The Spirit of Prophecy , vol. 4.
CRANMER, Gilbert (1854). The Messenger of Truth. Dirk Anderson, Expondo a Verdade Oculta de Ellen White (2025).
ANDERSON, Dirk (2025). Expondo a Verdade Oculta de Ellen White.
(2025). Ellen G. White: False Date Setting. Answering Adventism.
WHEELER, Gerald The Life of Ellen White.
WHITE ESTATE, Ellen (2011). Declarações Incorretamente Atribuídas a Ellen G. White.
Deuteronômio 18:22. Bíblia.